Opinião

artigos

Yanomami, uma tragédia sem volta

O Brasil é palco de uma das mais horrendas tragédias humanitárias, para tristeza de todos nós

Cauê Reis

22/02/2023 - 07h33

O Brasil é palco de uma das mais horrendas tragédias humanitárias, para tristeza de todos nós.

A ganância, a irresponsabilidade, a fúria criminosa e a omissão do Estado, em vários níveis, transformaram o território dos índios yanomami em uma espécie de campo de concentração, transcorridos cerca de oitenta anos da barbárie da Segunda Guerra Mundial.

Entre os bebês de menos de um ano, a mortalidade por desnutrição e por doenças evitáveis ficou em 114,3 a cada mil nascidos em 2020, conforme dados da Missão Yanomami do Ministério da Saúde.

A vergonhosa marca supera a de Serra Leoa, África, país que detém o maior índice do planeta, segundo a Organização das Nações Unidas. Por lá, a contabilidade é de 78,2 mortes a cada mil nascimentos ao ano.

Dias atrás, soubemos que 14 crianças yanomami diagnosticadas com desnutrição grave ganharam peso, e seus quadros entraram no patamar de moderados. Os pequenos são da faixa etária entre seis meses e cinco anos, que vem sendo monitorada pela Casa de Apoio à Saúde Indígena (Casai) de Boa Vista, Roraima.

Daqui para frente, talvez vejamos mais uma ou outra notícia “alvissareira” sobre os indígenas vitimados pelo garimpo ilegal. É preciso pontuar, contudo, que os yanomami jamais voltarão a ser o mesmo povo.

Os danos culturais, ambientais, sanitários e humanos são irrecuperáveis. Fato é que crianças que passaram por episódios de desnutrição tão severa podem até ganhar peso, mas terão sequelas cognitivas e tantas outras. As meninas violentadas por garimpeiros tendem a sofrer traumas emocionais importantes e continuados. Muitos dos adultos jamais recuperarão a força e a saúde.

O território yanomami foi devastado. Mataram os rios, os peixes, o solo. Ceifaram o futuro. Precisaremos de cem ou mais anos para um processo de recuperação parcial. 
Claro, é uma tragédia anunciada de origem histórica. Porém, apurar responsabilidades, julgar e punir a todos que para ela contribuíram é uma obrigação das autoridades.

O mundo olha para o Brasil estarrecido. Nós, simples mortais da terra, também compartilhamos da dor e da indignação. No entanto, é necessário mais do que isso: temos de nos unir para que nada igual aconteça nunca mais nem em nosso país nem em qualquer outro ponto do planeta.

Como diz o poeta: gente é para ser feliz, não para morrer de fome. 

Assine o Correio do Estado

 

 

Direito previdenciário

Aposentadoria do Médico: Quem cuida de vidas também precisa cuidar do próprio futuro

Por Juliane Penteado Santana Advogada previdenciarista há mais de 25 anos e professora de Direito Previdenciário

23/10/2026 00h03

Juliane Penteado

Juliane Penteado

Continue Lendo...

Direito

Imóvel dado em garantia não cobre, automaticamente, todas as suas dívidas com o banco

A chamada "cláusula guarda-chuva", comum em contratos de bancos e cooperativas de crédito, tenta estender a garantia a qualquer dívida futura. A lei impõe limites, e conhecê-los pode salvar a fazenda

22/10/2026 00h03

Leandro Provenzano

Leandro Provenzano Foto: Montagem / Correio do Estado

Continue Lendo...

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).