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O impacto do ChatGPT para as práticas pedagógicas

Nos últimos meses, a inteligência artificial tem ganhado os holofotes com o lançamento do ChatGPT, desenvolvido pela OpenAI.

Desde então, a ferramenta tem se destacado e alcançado um elevado número de visitantes, tornando-se cada vez mais acessada pelos usuários. Segundo o Similarweb, site especializado em análises de tráfego, a solução atraiu mais de 1 bilhão de visitas em fevereiro, um aumento de 62,5% em relação às 616 milhões de janeiro.

Com esse avanço, a ferramenta vai transformando a rotina em diversos setores ao redor do mundo, inclusive no segmento da educação. Após a chegada do ChatGPT, a pergunta de ouro dos docentes tem sido: “Como saberei se o estudante escreveu mesmo ou copiou?”. A partir disto, faz-se necessário refletir e entender como a novidade tem impactado o setor e as práticas pedagógicas.

A evolução tecnológica ao longo dos anos

Quando estudante, você já utilizou uma tecnologia em que era possível buscar qualquer informação e a mesma indicaria a resposta, fornecendo outros dados a respeito? Bastava saber como procurar e pronto, qualquer informação estava ali, na palma da mão. Agora, que tecnologia é essa que vem logo à sua mente, de bate-pronto?

Pode ser que a solução para a primeira pergunta seja o Google, a internet, o antigo buscador Cadê ou até mesmo as enciclopédias impressas ou digitais em CD-ROM. O que importa nesse quesito é: a resposta pronta para ser copiada existe há tempos.

O que mudou são alguns pontos, como a facilidade com que encontramos os dados, a quantidade e a qualidade de informações fornecidas, a variedade de fontes e a velocidade com a qual chegamos à informação.

Nesse sentido, a preocupação do docente não deve ser exatamente se o estudante copiou ou não, mas como propor um trabalho, prática ou proposta em que ele compreenda, assimile e cruze informações, fazendo uso dos recursos que estão à disposição dele, com um propósito e cultivando competências mais alinhadas às exigências do século 21. Como o escritor, jornalista e colunista britânico Miles Kington disse uma vez: “Conhecimento é saber que um tomate é fruta. Sabedoria é saber que não se deve usar um tomate em uma salada de frutas”.

A partir disso, desenvolver habilidades e competências, ir além da informação, é compreender que se pode transformar o tomate em molho e saber em quais ocasiões e como utilizá-lo, pois o tomate pode ser consumido cru, cozido, frito, assado e em diferentes preparos. Além disso, que o tomateiro precisa de uma certa condição climática para dar frutos e que há diversos tipos de tomate que podem ser cultivados em condições climáticas diferentes.

Pode-se plantá-los juntamente a diferentes outras coisas em um mesmo solo, para que uma colheita ajude a outra, seja na nutrição do solo, seja na prevenção de pragas. Pode-se trabalhar a economia familiar, tendo como base o cultivo do tomate, ou realizar um projeto sobre a alimentação saudável. O céu é o limite!

Mas será que o docente precisa ser detentor de todas essas informações? A resposta é não! O professor deve ser capaz de adaptar-se, utilizando diferentes estratégias e metodologias de ensino para atender às distintas habilidades, estilos e objetivos de aprendizagem e necessidades dos estudantes.

Ele deve ser um facilitador da aprendizagem, incentivando a participação ativa dos estudantes em atividades práticas, debates, projetos e outras ações que promovam o desenvolvimento de habilidades e competências. Assim, as novas tecnologias podem ajudar a desenvolver um estudante mais preparado para lidar com os desafios que o futuro trará.

Neste momento, o docente não deve assumir uma posição nem de tecnofílico, que é aquele que adere acriticamente à tecnologia, nem de tecnófobo, o qual tem aversão à tecnologia. Como já disse Aristóteles, “a virtude consiste em saber encontrar o meio-termo entre dois extremos”, ou seja, é necessário encontrar uma posição em que a tecnologia seja uma oportunidade.

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