Desde o momento em que passou a existir o ser humano, sempre houve uma sintonia entre ele e a natureza. Essa natureza oferecia-lhe alimento para saciar a fome, água para saciar a sede, as florestas ofereciam a beleza das flores e o sabor da diversidade de frutos, animais das mais variadas espécies também a serviço do ser humano, tudo a serviço da vida humana.
Tudo dádiva da bondade e do amor do Criador, a fim de que o ser humano usufruísse em favor da satisfação e da alegria. Natureza e ser humano vivendo em harmonia. Imaginar é o que nos resta.
O conceito mudou. A realidade é outra. Surgiu a máquina. Tudo modificado. A mão humana já não acaricia a Mãe Terra. Agora, só toca em botões. Essa máquina, com suas ferramentas frias, não pede licença, não respeita mais. Não há mais tempo para contemplar, para louvar e para celebrar. Tem que produzir. E produzir sempre mais.
A Terra Mãe já não poderá acariciar seus filhos. Não será mais livre para produzir aquilo que deseja. Terá de se submeter àquilo que a máquina planejar. Terá de aceitar ser destruída pela motosserra.
Terá de suportar os piores inimigos, que são os agrotóxicos. Como mãe bondosa, não poderá reclamar. Terá de aceitar tudo. Aceitar a frieza das máquinas, o egoísmo e a ganância dos homens. Não terá descanso.
Contudo, as consequências já estão aparecendo, como cobrança desses maus tratos. Muitas terras se tornaram improdutivas, se tornaram desertas. Muitas inundações. Muitos assoreamentos. Muitos deslizamentos. Muitos terremotos e tantos desastres vingando esses maus tratos.
Está na hora de rever o modo como está sendo tratada essa Terra Mãe. Buscamos na Bíblia Sagrada a razão e a energia que alimentam a reflexão.
Chama atenção uma passagem do modo como Deus trata essa Terra Mãe. Mostra claramente o respeito e o carinho com que trata todo e qualquer tipo de solo, seja um solo árido, seja um solo espinhoso, seja um solo pedregoso ou seja um terreno fértil.
Trata a cada um com o amor e o respeito que lhes for devido. De cada qual espera receber algo, e mesmo que não tenha essa possibilidade, aceita o que lhe for possível.
Esses diferentes terrenos representam as diversas situações da humanidade. Ele, Deus, é o semeador.
A humanidade, o terreno. Ao semear, ele não escolhe. É generoso em semear bênçãos e graças, mesmo que o maligno disperse ou destrua. Continua, em sua misericórdia, confiando suas graças.
Mesmo que encontre um coração que esteja vivendo na superficialidade, mesmo que não se sinta seguro em sua fé e em sua caminhada cristã, mesmo que não leve a sério o amor de Deus, mesmo que se deixe levar pela leviandade, mesmo assim, ele continuará generoso.
O amor e a bondade não poderão ser desprezados, são presentes do coração generoso de Deus.
Mesmo que caiam em corações atribulados e perturbados, mesmo que estejam enfrentando o sufoco de preocupações e dúvidas, mesmo que se sintam caminhando entre espinhos em sua consciência, ferindo sua fé, será feliz quem continuar perseverante na fé em Deus.