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Decolagem de safra

Um crescimento de 16,5% sobre o período anterior, algo em torno de 45 milhões de toneladas a mais

Valesca Consolaro

04/08/2023 - 07h45

Estamos começando a safra de um modo bem assertivo. Neste momento, o horizonte tranquiliza as expectativas e, além disso, o campo está motivado pelo sucesso da safra 2022/2023, cujo resultado alcançou 317 milhões de toneladas de grãos, segundo a Conab.

Um crescimento de 16,5% sobre o período anterior, algo em torno de 45 milhões de toneladas a mais. A maior colheita histórica de grãos. Até meados da safra, a expectativa era menor, por conta de obstáculos climáticos de seca ou chuva fora da medida certa.

Mas o marcante desempenho da safrinha em produtividade e, também, o forte crescimento do trigo fecharam a colheita em ritmo ascendente, e isso sempre contagia o plantio seguinte.

Na frente externa, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos reduziu as previsões para a safra norte-americana de 410 milhões para 405 milhões de toneladas (com estoques de 120 milhões de toneladas), o que mantém os preços olhando para cima.

Há também um viés de alta para os preços dos grãos por conta da guerra da Ucrânia, primeiro pela saída formal da Rússia do acordo negociado pela Organização das Nações Unidas (ONU) para a exportação de grãos ucranianos por meio do Mar Negro, o que traz novo potencial de risco para o comércio mundial de alimentos.

Fora isso, há um crescente sentimento internacional de que o fim desse conflito pode não estar tão perto, mas sim distanciando-se cada vez mais.

Também no campo externo houve uma mudança de tom dos europeus em relação ao acordo com o Mercosul, o qual haviam condicionado a novas exigências ambientais e participação em compras governamentais. Com a reação brasileira demandando revisão nessas exigências, a União Europeia emitiu acenos positivos para se assinar o acordo até o fim do ano.

“Para nós, o acordo é muito mais importante do que as compras públicas e pequenos detalhes que podem se fechar ao fim da negociação”, disse o embaixador do bloco europeu no Brasil, Ignácio Ibañez, no fim de julho. Isso é positivo, pois o tratado prevê redução gradual de tarifas comerciais por 15 anos, o que mais adiante deve beneficiar o agro no mercado consumidor europeu.

No ambiente interno, o Plano Safra aparentemente saiu calibrado para a expansão das colheitas e, de um modo geral, foi bem recebido pelo campo, em que pesem questões históricas que precisarão de mais ênfase com o correr do tempo, como armazenagem e seguro rural.

Aliás, a chegada de mais um Plano Safra já é, em si, um motivo de confiança: é algo que quase sempre escapa à nossa atenção, mas este é o 33º Plano Safra consecutivo do Brasil.

Ou seja, há mais de três décadas o Plano Safra bate o ponto na porteira das fazendas, mostrando a consistência histórica de um dos pilares da governança estratégica do setor. Visão de longo prazo somada a perseverança, aprendizado, tempero de ousadia e, sobretudo, continuidade evolutiva.

O Plano Safra 2023/2024 também acolheu as demandas ambientais e climáticas ao criar estímulos às boas práticas sustentáveis por meio de bônus nos juros.

Com isso, o plano entra no espírito do nosso tempo: alinha-se a demandas que hoje são crescentes em sociedades que representam mais de 70% do PIB mundial e buscam avançar na agenda da sustentabilidade e em metas de transição para uma economia verde.

Para um país como o Brasil, que exporta alimentos para cerca de 200 países e alimenta algo ao redor de 800 milhões de pessoas, isso também significa compartilhar os valores do cliente, o que é fundamento essencial para se construir confiança e relevância no relacionamento comercial. Boa safra!

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