Opinião

GIBA UM

"Eu posso discutir qualquer coisa, mas se não botar em prática não tem problema"

de JAIR BOSLONARO, sobre o teor das conversas secretas sobre o golpe no Planalto

Giba Um

02/10/2023 - 05h30

Pouca gente sabe, mas o cargo de coordenadora da Rede de Inclusão e Combate à Desigualdade da Organização dos Estados Ibero-americanos de Rosângela da Silva, a Janja, não existe oficialmente, nem ela recebe salário algum. 

Mais: é um cargo simbólico criado pelo secretário-geral da entidade, Mariano Jabonero, durante visita do casal presidencial, há algum tempo a Madri. E até hoje, a primeira-dama não participou de nenhuma reunião ou ficou responsabilizada por determinadas tarefas.

“Eu posso discutir qualquer coisa, posso pensar qualquer coisa, mas se não botar em prática não tem problema”, 
de JAIR BOSLONARO //  sobre o teor das conversas secretas sobre o golpe no Planalto.  

In – Roupas bem passadas
Out – Roupas amassadas

Primeira fila com brasileiras

Uma das mais aguardadas, a Semana de Moda de Paris, que acontece desde outubro de 1973, foi marcada por várias surpresa, uma delas foi a coleção da Undercover assinada pelo estilista Jun Takahashi, que trouxe alguns modelos vestidos com um terrário com borboletas acoplados, mostrando ousadia e criatividade, com objetivo de chamar atenção para se respeitar a natureza.

Já desfilando em casa em uma das mais famosas grifes Yves Saint Laurent apresentou sua coleção em frente à Torre Eiffel, onde a maior parte das modelos eram veteranas como Eva Herzigova, Bethany Nagy, Karin Saby entre outras. E também teve a estreia do estilista Peter Do, com grife com nome homônimo.

Além da escola de samba carioca Mangueira brilhar no desfile de despedida da estilista uruguaia Gabriela Hearst da grife francesa Chloé, outras brasileiras também chamaram atenção na Paris Fashion Week, entre passarelas e convidadas: Isabella Fiorentino, por exemplo, que além de acompanhar alguns desfiles atravessou pela primeira vez a passarela em Paris, pela Pierre Cardin, com mais de 30 anos de carreira; já a cantora e atriz Manu Gavassi resolveu mostrar seu lado mais clássico nas primeiras fileiras; Sasha Meneghel foi uma das figuras carimbadas da semana de moda; já a cantora Giulia Be aproveitou os últimos dias de descanso antes de iniciar sua turnê; a atriz Flávia Alessandra  exibiu sua boa forma em looks justos e a influencer Jade Picon mostrou seu lado gótico.

Há uma Janja no meio do caminho

Nos últimos dias, circulava nas redes sociais a informação que a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, iria assumir compromissos presidenciais depois da operação de Lula com a chance de “distribuir canetadas”. A ida dela ao Rio Grande do Sul, integrando comitiva de parlamentares, aumentou ainda mais a boataria.

O grupo visou a região do Vale do Taquari e Janja distribuiu cestas básicas doadas pela igreja mórmon Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Nada de entrevistas, mas nas cidades visitadas repetia slogan do governo “União e reconstrução”. E emendava: “E também é um momento de muita solidariedade”.

Em Brasília, grupo de parlamentares da oposição queriam convocar ministros para explicarem “o que ela vai fazer no pós-operatório de Lula”. O vice-presidente Geraldo Alckmin não abriu a boca: se alguém deveria substituir o presidente seria ele. A agenda, contudo, será controlada por Janja. 

De dar inveja

A modelo, ex-apresentadora e triatleta, Daniella Cicarelli, que anda desaparecida da mídia, mostrou que está em plena forma e com um corpo de dar inveja, aos 44 anos em fotos compartilhadas em suas redes sociais.

Com barriga zero Cicarelli apoia o aplicativo de exercícios Kikos Fit, que tem vários tipos de exercícios e que conta também com apoio do ex-jogador Zé Roberto.

Aliás Daniella nunca deixou ter uma forma física invejável. E a parceria com o aplicativo é apenas um do projeto no qual está envolvida, tem outros já revelados e alguns em segredo.  

Contra Janja

O deputado federal Kim Kataguiri (União-SP), integrante do Movimento Brasil Livre, é um dos parlamentares que mais atacam as atividades da primeira-dama Janja, quase que diariamente, no governo petista.

Já chegou a pedir na Justiça a retirada de uma live comandada pela mulher de Lula, na TV Brasil, emissora oficial do governo.

Agora, tem se manifestado contra, nesse período pós-operatório do presidente, que a agenda de visitas e despachos fique coordenada por Janja que, oficialmente, não tem cargo.

Michelle, Michelle

A primeira-dama Janja também foi surpreendida, quando esteve na agência da Caixa Econômica Federal, em Lajeado, interior do Rio Grande do Sul, onde a comitiva de ministros instalava um escritório no 3º andar para estabelecer relações mais próximas entre governo e as vítimas da tragédia que desabou sobre o estado.

Do lado de fora, um grupo de apoiadores – e muitas apoiadoras – da ex-primeira-dama do país gritava: “Michelle, Michelle”. Nas eleições presidenciais em 2002 no Rio Grande do Sul Jair Bolsonaro (56,35%) venceu Lula (43,75%). Janja preferiu não comentar.

Dores antigas

Desde a campanha à Presidência, Lula sentia e escondia as dores que o atormentavam. Procurava andar sem mancar. Ele, contudo, esperou ganhar a eleição e dar início ao mandato. E viajar: esteve em 19 países no últimos oito meses e meio, o que significou gastos de R$ 24,8 milhões ao Itamaraty.

Nas viagens, o esforço era não passar uma imagem de fragilidade. Só que nos últimos tempos, fez tratamento como infiltração e crioablação  (uma espécie de injeção para congelamento do nervo que deflagra a dor) e sessões de fisioterapia, às escondidas, no Alvorada. 

ALGO NO AR

Quando as enchentes começaram no Rio Grande do Sul e Lula voou para a Índia, o vice-presidente Geraldo Alckmin esteve nas cidades alagadas ao lado de ministros e até anunciou que o governo iria disponibilizar R$ 741 milhões em ajuda para as cidades afetadas pelo ciclone extratropical e R$ 800 por pessoa desabrigada pelas enchentes.

Lula no exterior, não teria gostado da determinação do vice que assumiu a Presidência interinamente. Nos últimos dias, novo grupo de ministros foi visitar cidades de lá e Lula não incluiu Alckmin. Teria colocado Janja em seu lugar – e o vice evaporou. 

Quadro depressivo

Nas últimas horas, corre no STF a informação de que advogados do ex-ministro Anderson Torres poderão solicitar sua transferência para uma clínica psiquiátrica.

O pedido se daria em razão do agravamento de seu quadro depressivo, atribuído ao avanço do Procedimento Administrativo Disciplinar que corre contra ele na Polícia Federal.

Funcionário de carreira da PF, está ameaçado de ser expulso da corporação, com consequente perda do direito ao salário mensal de cerca de R$ 30 mil. Ele está em tratamento desde maio, está em casa de onde só pode sair durante o dia e não pode deixar Brasília.

E mais: pode se tornar um Mauro Cid 2 a qualquer momento. 

NA RODA

Entre muitos gabinetes de Brasília circula um grau de animosidade em relação ao ministro Flávio Dino (Justiça  e ainda Segurança Pública), mesmo por colegas de ministério, que não hesitam em castigá-lo por diversas razões – e tratam de soprá-las ao pé de ouvido de Lula – porque a escolha de seu nome ao STF seria um erro do presidente.

Lula quer colocar na Alta Corte alguém sobre quem tenha ascendência – e Dino faz o gênero. Alguns dizem que o ministro da Justiça fala demais e quase sempre tem de voltar atrás; outros acham que ele serve mais a Lula onde está, o que não aconteceria no STF. 

Desmatamento

Dados divulgados pelo Centraal Bureau voor de Statistiek, espécie de IBGE da Holanda, colocam o país europeu, proporcionalmente, como o maior importador do continente de produtos que causam desmatamento na Amazônia.

Os critérios associam a Holanda à desflorestação e à degradação do bioma ao declínio da qualidade e da fertilidade dos solos.

Os principais produtos são óleo de palma, madeira e cacau. No ano passado, a Holanda importou 1,9 bilhão de euros de soja do Brasil e cerca de 900 milhões de euro em madeira, notadamente da Amazônia.

Memória

O novo presidente do STF, ministro Luís Roberto Barroso,  em seus primeiros anos na Alta Corte e mais nos últimos tempos, conseguiu colecionar algumas frases que entraram para a história das mais discutidas do Judiciário.

Três delas: “Perdeu, mané, não amola!”, (para bolsonaristas que o perseguiam nas ruas de Nova York); “Derrotamos o bolsonarismo” (tropeção cometido num discurso na UNE); e “Uma mistura do mal com atraso e pitadas de psicopatia” (no plenário da Corte, numa referência à Gilmar Mendes). 

DUETO

O ministro Luis Roberto Barroso caiu no samba com o cantor Diogo Nogueira na festa que celebrou sua posse como presidente do Supremo, na semana passada. Não é a primeira vez que os dois fazem um dueto em cima de um palco.

O reencontro fez circular vídeo de um casamento em que o ministro e o sambista cantaram juntos. A festa foi promovida pela Associação dos Magistrados do Brasil e custou R$ 500 para cada participante.

Parlamentares convidados não pagaram, mas tiveram de abrir o bolso para pagar o convite de suas esposas (alguns não gostaram muito).

MISTURA FINA

  • O MINISTRO Fernando Haddad (Fazenda) negocia com o presidente Lula para que ministros com mandato parlamentar, sejam exonerados por um dia para engrossar a votação a favor de projetos da pauta econômica. O expediente seria utilizado já caso Arthur Lira, presidente da Câmara, leve ao plenário a proposta de tributação dos fundos offshore. Na Câmara, a estratégia do bate e volta permitiria o retorno temporário à Casa dos ministros Alexandre Padilha, Marina Silva, Juscelino Filho, Paulo Pimenta, Paulo Teixeira e Sônia Guajajara. 
  • A FUNCEF estuda vender sua participação na Norte Energia, controladora da Usina de Belo Monte. A sua fatia acionária de 10% estaria avaliada em algo próximo de R$ 1,3 bilhão. O mais forte candidato é a Eletrobras, que consolidaria sua posição como controladora da companhia. Ainda que de forma indireta, a ex-estatal já é a maior acionista individual da Norte Energia por meio da Eletro Norte e da Chesf, que somam 49,98%. 
  • A ASSESSORA demitida Marcelle Decothé Silva, amiga da ministra Anielle Franco (Igualdade Racial), desde 2015, se pendura em algumas boquinhas. Foi comissionada na pasta de Assistência Social e Direitos Humanos no Rio e passou pelo gabinete da deputada estadual Monica Francisco (PSOL-RJ). Depois, Anielle a chamou para ir para Brasília. Ela também estava no jatinho ocupado pela ministra para ir à São Paulo assistir ao jogo do Flamengo vs. São Paulo e participar da campanha antirracismo da CBF. E estava na comitiva de Lula em Portugal e Espanha. 
  • AINDA a ministra Anielle Franco (Igualdade Racial), criticada especialmente pelas redes sociais por ter requisitado jatinho da FAB para ir ver o jogo de futebol em São Paulo e por ser amiga da ex-assessora Marcelle Decothé, autora da frase de xenofobia: ela pediu segurança pessoal ao Ministério da Justiça. Teme ser vítima de represálias onde quer que esteja por conta de suas obrigações ministeriais. Anielle quer estender essa segurança a membros de sua família no Rio de Janeiro. Doravante, terá quatro agentes colados nela. Mais: há quem diga que queria segurança também para Marcelle, mas acabou desistindo. 
  • NO dia da posse de Luís Roberto Barroso na presidência do STF surgiu a revelação de que o presidente do TCU, Bruno Dantas, que confraternizava muito com o ministro Flávio Dino (Justiça) e Jorge Messias (AGU) na festa, mantinha uma relação com o ex-procurador Deltan Dallagnol, dando forças as iniciativas do TCU para torná-lo inelegível no Paraná. Dantas é considerado hoje bem cotado para a sucessão de Rosa Weber no Supremo. 
  • O AUTOR Euclydes Marinho, contratado da Globo entre 1979 e 2020, venceu uma ação que moveu contra a emissora após ser demitido e vai receber cerca de R$ 3,5 milhões, entre danos morais e verbas rescisórias não pagas e acumuladas em décadas de prestação de serviços à líder de audiência. Outros ex-funcionários estão atrás de seus advogados. 

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