Uma das etapas mais importantes da vida de uma pessoa - para as que têm a possibilidade de fazer essa escolha - é o momento de tomar a decisão sobre que profissão seguir.
Para quem toma a decisão, muitas vezes se trata de um momento dificílimo, pois há pouca maturidade para a escolha (que é natural), mas também pouca informação sobre o mercado de trabalho e as perspectivas dele.
Para piorar, durante a escola, sente que poderia ter tido suas habilidades mais testadas no sentido de adequar-se ao que deseja.
Aliás, no período em que uma pessoa tem a capacidade de escolher o ofício que terá, há também o elemento desejo, que é normalmente é o que prepondera.
Muitas vezes, o desejo escapa de qualquer ação racional para se definir a profissão que a pessoa terá em sua vida adulta. E quando esta pessoa realiza o seu desejo, guiada por sua vontade mais forte que qualquer elemento que poderia pesar na escolha, a chance da opção pela profissão virar uma aposta é muito grande.
Quando falamos em aposta, nos referimos àquelas apostas em que o imponderável sempre vai prevalecer, ainda que queiramos usar a matemática para emprestar algum tipo de padrão ou de racionalidade a elas.
E por que estamos falando de escolhas? Certamente porque as más escolhas retratam as lacunas que temos no mercado de trabalho de hoje em dia.
No mínimo, há um peso muito grande no descompasso entre a capacidade da mão de obra disponível, e a demanda por parte do mercado. O que prevalece? Quase sempre a demanda do mercado.
E quando o mercado não tem sua demanda por mão de obra atendida, ele tem várias opções: uma delas é a de importar mão de obra, trazendo trabalhadores de outros estados e países, e a outra, é de investir em outros estados ou países.
É esta sintonia que o sistema educacional, sobretudo o da educação básica, tem que ter com a sociedade. É necessário que os idealizadores das políticas educacionais observem como o mercado se move.
Significa que a política educacional deverá atender o mercado de trabalho? Necessariamente não, porque é por meio da educação que se cria tendências, que se inova dentro do próprio mercado.
O que o poder público deve fazer é observar e ajustar sua política educacional para as tendências, e atuar nos dois sentidos. O primeiro deles, mais simples: para que ele possa fornecer mão de obra para o setor operacional do mercado.
Mas é necessário mais um, que agrega muito mais valor: o de formar profissionais de ponta, que criem estas tendências.
Nesta edição temos reportagem que trata da alta demanda por vagas técnicas. Talvez seja o caso de, não somente o poder público, mas também a própria sociedade, fazer este ajuste de expectativas.