As comunidades cristãs, diferentemente da comunidade civil, celebram, neste domingo, o primeiro domingo do ano litúrgico. Lembramos que o ano civil inicia dia primeiro de janeiro e encerra dia trinta e um de dezembro. E o ano litúrgico inicia no primeiro domingo de advento e encerra no domingo de Cristo Rei.
Hoje celebramos, então, o início do ano litúrgico como preparação à lembrança do Natal do Senhor. Celebramos a esperança de um novo dia. Celebramos a necessidade de estar vigilantes e atentos
a tudo quanto acontece em nosso caminho. Celebramos a alma nova, o coração alimentado e renovado por um grande amor. Esse amor vai crescendo e proporcionando vida nova.
Viver! Viver bem! Viver feliz! Todo ser luta por viver. Ao surgir alguma dor, alguma situação imprevista,imediatamente corre em busca de esclarecimento e de tratamento. Busca as melhores clínicas, os mais experientes em medicina. Busca os mais aperfeiçoados centros de saúde e se submete a exercícios físicos e espirituais.
Tudo em função da saúde e de uma vida saudável. Ninguém deseja morrer. À medida que os anos vão passando e a saúde enfraquecendo, os cuidados vão redobrando. Ninguém aceita morrer. Todos querem viver, mas sem sofrer. Quem tiver situação financeira favorável investe em planos de saúde, os mais sofisticados e aperfeiçoados.
O morrer precisa estar longe do vocabulário. Fala-se de tudo, menos de doença ou de morte. Não querem sofrer. Não aceitam provações e dificuldades. Esquecem, porém, que a longevidade tem seu preço. Mesmo que não aceitem o envelhecimento, o viver tem suas limitações.
Não queiram vida fácil. Aceitem as limitações físicas e as limitações psíquicas. A mente poderá ter suas maneiras de sentir e de se manter lúcida, mas não poderá exigir que as mãos e as pernas correspondam.
Nesse início do ano litúrgico, torna-se sagrado pensar com mais seriedade e humildade sobre o viver de cada membro da família e da comunidade. A humanidade está envelhecendo. Está vivendo mais. Precisa que isso seja encarado com amor, muito respeito e uma profunda esperança em respeitar e celebrar a vida como dom de Deus.
Veja o que nos diz o Mestre dos mestres: “Fiquem de sobreaviso e vigiem, porque não sabem quando será o tempo”. E acrescenta: “Será como um homem que, tendo que viajar, chamou seus empregados e, a cada qual, distribuiu uma tarefa, pedindo que cuidassem e vigiassem sua tarefa. E, ao retornar, iria exigir os frutos”(Marcos 13:33-37).
E assim aconteceu. Cada qual prestou contas. E recebeu, como prêmio, o governo de uma cidade. Somente um, entre os demais, não colaborou. Esse foi eliminado de seus bens e despedido entre os infiéis.
Isso não quer dizer que esse senhor tenha sido exigente em demasia, ele foi justo e honesto. Prometeu e cumpriu. Deus é assim, abre espaço para cada ser humano em suas obras. Todos têm lugar e possibilidade. A sorte é para todos, a promessa da recompensa também. Tudo vai depender da disponibilidade e do empenho em ser honesto e fiel ao que Deus confia.