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O homem é um pouco de Deus e outro tanto do diabo!

Um dos grandes discursos fúnebres a que assisti e ouvi pessoalmente ocorreu na cidade de Naviraí, no ano de 1976

Um dos grandes discursos fúnebres a que assisti e ouvi pessoalmente ocorreu na cidade de Naviraí, no ano de 1976. O ainda jovem Massao Tadano, que exercia na oportunidade o cargo de secretário de Estado da Agricultura, escolhido pelo então governador Pedro Pedrossian, foi o orador.

Discursou sobre o corpo inerte de seu genitor, Bunji Tadano, assassinado cruelmente por um bando de covardes para lhe roubar o fruto sagrado do seu trabalho. 

E o que disse Massao de tão surpreendente? Sustentou enfaticamente que existem pessoas que são usadas como instrumento de Deus para mitigar a dor e o sofrimento dos seres humanos.

Outras tantas salvam vidas que se debruçam nos centros cirúrgicos; outras tantas, nos laboratórios e no trabalho de pesquisa, descobrem vacinas; além dos fármacos, que nos oferecem a garantia de uma vida saudável e feliz.

Outras, ainda no silêncio do sagrado magistério, ensinam as nossas crianças a ler e a escrever, para serem cidadãos honestos e capazes, e a garantia de uma pátria livre e sagrada. Outras ainda atendem os orfanatos. 

Há ainda os que se preocupam com os moradores de rua, que a qualquer momento podem conhecer a morte por meio de atentados covardes provocados por pessoas sórdidas. Ah! Temos ainda aqueles que vivem do pastoreio do gado e da produção de alimentos, voltados dia e noite para alimentar o mundo. 

E o que dizer daqueles que, com instrumentos musicais e letras maravilhosas, nos surpreendem todos os dias com as suas melodias sempre empurradas com os seus encantos, belezas e singularidades sem fim.

Essas pessoas, santificadas pela presença de Deus, que as utiliza como seu instrumento para nos oferecer um pouco do frescor que a amargura diária da vida nos oferece, não podem morrer nunca! Mas é certo também que existem nesse meio outras tantas encharcadas do caráter criminoso. 

São homens e mulheres predestinadas a levar dor, sofrimento e luto para o seio das nossas famílias. Não titubeiam em provocar atos de insanidade sem fim. Abusam de nossas crianças, matam as mulheres que das suas entranhas lhes ofereceram seus filhos.

Usam a palavra de Deus nos púlpitos dos templos religiosos para enganar e roubar suas ovelhas inocentes. Esses homens são o retrato nojento, sórdido e rasteiro do diabo.

Travam uma verdadeira e dramática luta pela vida diariamente. Seu condão é deixar esse rastro amargo que descaracteriza o ser humano como a imagem e a semelhança de Deus.

Não existe outra forma clara, concisa, precisa, direta e eficaz para definir esse espectro de ser humano. Não existe, afianço-lhe isso, querido leitor! Mas isso tudo não se trata de algo inusitado. Sempre foi assim. 

A história da humanidade chancela esse entendimento fático nos seus anais. O espírito do ser humano escorado nesse diapasão pode efetivamente incliná-lo para esse propósito de rara beleza no relacionamento com o seu igual, como também pode ser surpreendente nos seus desejos materiais sempre insaciáveis.

O ser humano tem à sua disposição todas as condições para usufruir as delícias de uma vida digna e de serviços relevantes aos seus semelhantes.

Mas o outro lado dessa mesma moeda também evidencia a sua face satânica. Joga para o alto todas essas maravilhas para privilegiar a cobiça, o ciúme, a traição e a inveja, como ditames de sua própria consciência.

E assim continuará marchando a humanidade até o encontro inevitável do homem com Deus, e não com o diabo!

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