Um fenômeno incomodou, nesses últimos tempos, muitas pessoas, muitas famílias e, para dizer, a sociedade humana toda. Esse fenômeno foi denominado pandemia.
Obrigou as pessoas a evitarem contato físico com todo e qualquer ser humano, até da própria família. Assunto para todas as conversas e para todas as convivências.
Lembra algo que encontramos descrito nas páginas do Livro Sagrado, a Bíblia. O Mestre dos mestres estava em sua missão de anunciar o Reino. Ao entrar no Templo Sagrado, depara-se com um leproso, que se joga a seus pés e suplica em alta voz: “Se queres, podes me curar!”.
Diante dessa súplica, o Mestre se aproxima, toca com suas mãos e diz: “‘Quero. Fica curado’. Nesse instante, o homem se viu limpo e curado. Mas o Mestre acrescentou: ‘Vai! Mostra-te ao Sacerdote e faze tua oferta de purificação. Não te mostres a ninguém’. O doente fez a oferta, mas não se resguardou. Falou a todos”. (Mc. 1,40-45)
Desde esse tempo, certas doenças eram vistas como impuras. Isto é, quem fosse atingido pela lepra, deveria ser imediatamente banido da família e da comunidade.
Deveria manter-se isolado, vivendo em cavernas e sem contato algum com os familiares. Vejam que tristeza! Ser considerado impuro e proibido de ter contato até com sua esposa, ou marido, ou filhos, ou irmãos. Situação constrangedora.
Vemos o Mestre e Senhor rompendo a tradição, desobedecendo às leis e curando doenças. Para ele, a pessoa humana está acima de qualquer lei e de qualquer outro valor material, político, econômico e até religioso.
Mais uma manifestação do amor e da bondade de Deus.
Por onde ele passa, semeia bondade, carinho e ternura. Abre os olhos aos cegos. Abre os ouvidos aos surdos. Devolve a voz aos mudos. Recupera o andar dos paralíticos. Sacia os famintos. Perdoa pecados. Multiplica o pão. Devolve a vida a todos.
“Mais uma manifestação do amor e da bondade de Deus. Por onde ele passa, semeia bondade, carinho e ternura”.
Ele se revela como o Deus da vida e da esperança a tantos filhos pródigos perdidos em seus sonhos. Devolve a graça da vida nova a tantos Zaqueu, que andavam amargurados em seus roubos e falsidade, mas agora reencontraram a paz e a harmonia em suas consciências. Suas atitudes agora são de alegria.
Esse Deus se compadece da mãe que lamenta a morte do único filho que lhe garantia algum bem em seu sustento. Salva a mulher em seus pecados e desafia quem poderia se considerar inocente e sem pecado.
Em seu coração sempre haverá espaço para pecadores arrependidos, para famintos de justiça e esperança em suas dores. Para todos quantos estejam errantes em seu caminhar rumo à casa do Pai amoroso e acolhedor.
Para ele não existe pandemia, não existe lepra e nem solidão.
Tudo semeia, tudo reparte em solidariedade e amor participativo. Convida a todos e a todas a construírem um caminho de luz para quem se encontra na escuridão do pecado ou da ansiedade.
Suas palavras são palavras que consolam, confortam e estimulam a jamais desistir de seus sonhos. Por mais difícil que pareça o caminho, sempre será caminho. A maneira de caminhar vai depender do objetivo a alcançar, da obra a construir e do ideal a celebrar.