No PT e nos setores sociais próximos, muito tem se discutido e divergido sobre a definição ou não de candidatura própria em Campo Grande, em detrimento de uma política de aliança mais ampla.
Antes de fechar a questão sobre uma candidatura própria, há de se verificar o caráter das eleições municipais deste ano já dado pela direção nacional do PT e pelo presidente Lula. Aqui reside a discordância ao encaminhamento hermético de que a nossa combativa deputada federal Camila Jara já é (e será) a nossa candidata, sem nenhuma possibilidade de debate e ampliação com outras forças políticas.
A eleição deste ano é uma ponte essencial entre 2022 e 2026. Qualquer análise eleitoral feita com honestidade deve reconhecer que, em 2022, o PT e seus aliados venceram Bolsonaro por uma margem muito apertada, graças à considerável adesão de parte de setores de centro-direita.
É preciso rememorar que a presidente Dilma, em 2014, se reelegeu vencendo Aécio por 3,3 pontos porcentuais e acabou não tendo suporte parlamentar para nem sequer terminar seu mandato.
Lula venceu Bolsonaro por uma diferença de votos ainda menor (1,9%) e uma base parlamentar vinculada à pauta bolsonarista muito grande, afora o forte e permanente engajamento de sua base social nas redes sociais, o que impôs a Lula a tarefa de atrair diversos setores que não marcharam com o PT nas eleições presidenciais.
A partir dessa realidade é que Lula conduz o dia a dia do seu governo e se organiza para enfrentar o vivo e pulsante bolsonarismo em 2026. Assim, não faz nenhum sentido que setores do PT, à luz dos resultados de 2022, acreditem que a eleição deste ano possa ser resumida em apenas uma eleição do PT contra todos e a qualquer custo.
A percepção e a movimentação de Lula quanto ao caráter da eleição deste ano está mais do que expressa na cidade de São Paulo, onde, pela primeira vez, o PT não terá candidato próprio, mas sim uma aliança com o deputado federal do Psol Guilherme Boulos como cabeça de chapa.
Além disso, o retorno de Marta Suplicy e sua indicação à vice é um sinal concreto e inteligente em direção aos setores populares que abandonaram o PT no pós-Dilma.
Para que não haja dúvida da coragem e da ousadia da estratégia do presidente Lula nas eleições deste ano em São Paulo, vejamos: no segundo turno da cidade, em 2022, Lula venceu Bolsonaro por uma diferença maior que a nacional (53,54% x 46,46%). Ainda assim, Lula aposta em um nome não oriundo do PT.
Em contraposição à estratégia supracitada, Campo Grande precisa conviver com a seguinte realidade: na capital sul-mato-grossense, Bolsonaro venceu Lula em 2022 por 62,65% a 37,35%.
Ora, se mesmo em São Paulo o PT optou por debater e construir uma candidatura diversa de seus quadros, não há lógica política nenhuma do PT em Campo Grande ao interditar o debate de construção de uma aliança mais ampla e ao centro, visando, ao fim, o fortalecimento do projeto nacional e da reeleição do presidente Lula em 2026.
O caráter nacional dado ao pleito municipal deste ano pelo PT nacional e pelo presidente Lula não admite tamanho estreitamento político.
Estamos mais do que convictos de que o único, digno e inarredável projeto político nacional para o PT é o projeto de consolidação do governo Lula e da sua reeleição em 2026. Portanto, vamos insistir de que cabe ao PT de Campo Grande debater a possibilidade concreta de construir uma aliança política mais ampla e capitaneada por quadro diverso do PT.