No fim da década de 1980 e início dos anos 1990, os brasileiros tinham o ritual de acordar aos domingos pela manhã – em alguns casos, mesmo na madrugada – para orgulhosamente assistir as corridas de Fórmula 1, em que o seu compatriota Ayrton Senna da Silva era o grande protagonista, cujo talento para o automobilismo lhe rendeu três títulos mundiais (1988, 1990 e 1991).
Há exatos 30 anos, no dia 1º de maio de 1994, na curva Tamburello, enquanto liderava o Grande Prêmio de San Marino, em Ímola, na Itália, Senna sofreu um grave acidente com a sua Williams, que o retirou dessa vida, consternando toda a população brasileira, que passou a viver com constante sentimento de nostalgia do seu ídolo.
Senna reunia diversos predicados que não só o tornavam grande, mas que o levaram a entrar para história como o mais notável desportista brasileiro de todos os tempos. O pensador Leon Tolstoi vaticinou que “não existe grandeza onde não há simplicidade, bondade e verdade”. Simplicidade, bondade, verdade, tenacidade, garra, disciplina, resiliência, ousadia... A lista de adjetivos não para por aqui. Mas nos 30 anos do seu falecimento, cabe enfatizar uma qualidade marcante de Ayrton: o seu inexorável patriotismo. Sim, tinha orgulho de ser brasileiro!
Mesmo vindo de um País de terceiro mundo e com tantos problemas e desigualdades sociais, Senna, a cada vitória em um esporte de elite, fazia questão de empunhar a bandeira brasileira e a tremular no lugar mais alto, mostrando ao mundo que ali estava um cidadão brasileiro. E esse orgulho refletia vivamente em cada um de nós – brasileiros e brasileiras, independente da classe social, cor, credo, religião –, que irmanados como Nação compartilhávamos com ele desse mesmo sentimento sublime, com a força de acalentar a alma e olvidar na alegria, ainda que por breve momento, as mazelas do País.
Carecemos de exemplos na sociedade atual. Senna foi o grande ídolo da sua geração e continua a inspirar como o maior de todos. Exemplo de atleta, cidadão brasileiro e patriota. Certa vez, em uma das suas entrevistas, deixou um importante ensinamento para nossa gente ao dizer que: “Seja você quem for, seja qual for a posição social que você tenha na vida, a mais alta ou a mais baixa, tenha sempre como meta muita força, muita determinação e sempre faça tudo com muito amor e com muita fé em Deus, que um dia você chega lá. De alguma maneira você chega lá”.
Com efeito, o tempo é implacável e existe uma única certeza: todos estamos de passagem por esta esfera terrena. Entretanto, algumas pessoas falecem e deixam legado. Outras, com seu legado, entram para a história. No caso de Senna, não só deixou legado entrando para a história como também está alçado como inesquecível ícone do esporte mundial que transcende época, sendo uma verdadeira lenda que inspirou, inspira e continuará inspirando gerações.
A cantora Tina Turner, em um dos seus shows em 1993, após o GP da Austrália, homenageou em vida Senna, dizendo-lhe: “Eu sou fã dele, uma grande fã”. Naquela oportunidade, dedicou-lhe um de seus maiores sucessos, a música “The Best”. Senna, épico e imortal, mesmo após décadas de sua partida, pode ser resumido nas palavras da diva da música: “Simplesmente o melhor!”.