Opinião

Artigos

Falta aos brasileiros a sede de verdade

Por Samuel Hanan, engenheiro com especialização nas áreas de Macroeconomia, Administração de Empresas e Finanças, empresário, foi vice-governador do Amazonas (1999-2002)

Sigmund Freud (1856-1939), o famoso psicanalista austríaco, escreveu: “As massas nunca tiveram sede de verdade. Elas querem ilusões e nem sabem viver sem elas”. Pois os governantes brasileiros parecem ter adotado esse pensamento como linha de conduta, porque abusam da negação da verdade e da venda de ilusões.

No mundo real, mais de 60% da população brasileira ganha até um salário-mínimo (R$ 1.412,00 por mês bruto). Em 2023, a renda média per capita nacional, sem descontos da Previdência e de tributos, foi de apenas R$ 1.848,00 por mês, o correspondente a 1,42 salário mínimo.

Além disso, o governo reduz o poder de compra do cidadão aplicando a carga tributária de 33% a 35% do Produto Interno Bruto (PIB) ao não fazer a correção anual da tabela do Imposto de Renda. A contrapartida, no entanto, é pífia, porque o governo federal não oferece à população serviços universais de qualidade em segurança pública, educação, saúde, saneamento e habitação.

Vale recordar o pensamento do escritor e político norte-americano Harry Browne (1933-2006): “O governo é bom em uma coisa. Ele sabe como quebrar as suas pernas apenas para depois lhe dar uma muleta e dizer: ‘Veja, se não fosse pelo governo, você não seria capaz de andar!’”. Se fosse vivo, Browne assistiria um festival de “muletas” no Brasil, como bolsa-família, vale-gás e tantos outros.

Como se não bastasse, agora está em gestação um novo benefício com o pomposo nome de cashback. Mais lógico e eficaz seria atacar as causas, mas nada se fala, por exemplo, sobre a redução de impostos da cesta básica, essa, sim, uma medida capaz de aliviar o bolso do brasileiro de baixa renda.

Esse é mais um dos muitos desacertos do setor público brasileiro, problema antigo que se acentuou sobretudo a partir de 2002, com registro de deficit público nominal crônico e crescente porque não foi combatido pelos governos. O ápice se deu em 2023, quando superou R$ 967 bilhões, o equivalente a 8,80% do PIB. Foi praticamente o dobro do registrado no ano anterior, quando ficou em R$ 480 bilhões.

Em 2024, tudo caminha para a mesma direção, prevendo-se a repetição do deficit gigantesco e semelhante ao de 2023, o que implica inevitável aumento de endividamento público para financiar a cobertura desses deficits. A dívida pública hoje brasileira já é superior a R$ 8,1 trilhões, devendo ao fim desse ano superar R$ 9 trilhões. Não há possibilidade de crescimento saudável com tamanho rombo.

Espanta também a generosidade dos governos brasileiros na concessão de empréstimos expressivos para países que não têm o hábito de cumprir compromissos, sempre flertando com a inadimplência. São empréstimos expressivos, normalmente concedidos sem o mesmo rigor da aferição da capacidade de pagamento utilizada, por exemplo, em relação a um industrial brasileiro em busca de crédito para produzir e gerar empregos.

O Brasil precisa fazer uma correção de rumo com urgência, sob pena de perdurar o sofrimento de seu povo, já farto de discursos fáceis e de medidas meramente paliativas para problemas graves. A polarização política – tão em moda – não ajuda em nada. Como já disse Dalai Lama, o mundo precisa desesperadamente de mais pacificadores, restauradores da ordem e da harmonia e até mesmo de contadores de histórias e pessoas amorosas. Essa é também uma necessidade nacional.

Os maus governantes já destruíram nosso passado, fingem ignorar o presente e podem comprometer o futuro e as novas gerações. É preciso dar um basta e construir uma nova nação. O Brasil dos sonhos dos mais de 200 milhões de brasileiros seguramente não é o país de hoje, repleto de privilégios e contaminado pela impunidade.

Direito previdenciário

Aposentadoria do Médico: Quem cuida de vidas também precisa cuidar do próprio futuro

Por Juliane Penteado Santana Advogada previdenciarista há mais de 25 anos e professora de Direito Previdenciário

23/10/2026 00h03

Juliane Penteado

Juliane Penteado

Continue Lendo...

Direito

Imóvel dado em garantia não cobre, automaticamente, todas as suas dívidas com o banco

A chamada "cláusula guarda-chuva", comum em contratos de bancos e cooperativas de crédito, tenta estender a garantia a qualquer dívida futura. A lei impõe limites, e conhecê-los pode salvar a fazenda

22/10/2026 00h03

Leandro Provenzano

Leandro Provenzano Foto: Montagem / Correio do Estado

Continue Lendo...

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).