Em 2070, quase 40% da população do Brasil terá mais de 65 anos. A idade média dos brasileiros será de 51,2 anos, muito acima da média aferida no ano passado, que era de 34,8 anos.
Os números foram divulgados recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e nos trazem um alerta: precisamos agir agora para que possamos envelhecer com dignidade.
As estatísticas do IBGE indicam que, em 2046, os idosos devem representar 28% dos brasileiros, podendo chegar a 37,8% em 2070. A aceleração do envelhecimento da população pode ser constatada ainda com maior clareza quando analisamos os números do passado. Em 1980, as pessoas idosas eram 4% do total, enquanto em 2010 esse índice saltou para 7,4%. Ainda, em 2022, o total chegou a 10,9%.
Esse fenômeno é explicado por dois fatores principais, sendo o primeiro deles a queda na taxa de fecundidade. Ou seja, as famílias brasileiras estão cada vez menores. Atualmente, o Brasil tem um índice médio de 1,57 filho por mulher, quando o ideal seria de 2,1 filhos para a garantia da reposição populacional. E essa é uma tendência mundial. Em 2021, 54% dos países registraram taxas de fecundidade abaixo de 2,1 filhos, enquanto a média global era de apenas 2,23 filhos. Na década de 1950, esse índice era de 4,84 filhos.
O segundo ponto que explica o envelhecimento da população é o aumento da expectativa de vida. Sim, hoje é possível viver mais e melhor que há 70 anos. Isso ocorre porque as pessoas contam com amplo acesso a serviços de saúde, remédios e vacinas, assim como a programas de assistência social de diversos tipos,
os quais contribuem para melhorar a qualidade de vida dos cidadãos.
E é justamente esse o ponto que preocupa. Com uma população cada vez mais idosa, como será possível manter a rede assistencial ativa e preparada para a sobrecarga que se aproxima? Como garantir que o serviço público não seja sufocado pela nova demanda?
A resposta para essas questões é planejamento. O problema é que planejar
a longo prazo não é algo simples, exige coragem para que gestores públicos invistam agora no que só será reconhecido de fato no futuro.
A chave para essa equação, portanto, está na legislação. Precisamos de leis fortes que garantam todas as medidas necessárias para que os idosos possam viver bem e serem bem assistidos hoje e no amanhã.