Com apenas 35 anos, o deputado federal Hugo Motta (Republicanos-PB) é o mais jovem presidente da Câmara. Construiu a sua candidatura com uma enxurrada de partidos políticos que lhes garantiram o seu desiderato. Sua inteligência para essa edificação tão importante teve como respaldo principal o seu berço político, a sua família.
Nesse diapasão, poderemos esperar uma grande transformação na área política, tão desgastada com a polarização estabelecida desde as eleições presidenciais passadas. Não se trata apenas de questões relacionadas à política doméstica, corriqueira, mas sim de uma evidência sentida em todos os quadrantes do território nacional. Não há como fugir dessa realidade.
Os fatos constatados no dia a dia falam mais do que as palavras. As suas recentes declarações sobre esse tema preocupante marcham para agasalhar esse propósito. Disse certa feita, na fase embrionária do seu mandato, que o movimento deflagrado no dia 8 de janeiro de 2023 não se revestiu de nenhum movimento golpista nem mesmo de um arremedo de revolução com o propósito direto de derrubar do poder um governante legitimamente constituído. E concluiu dizendo que o que ocorreu foi apenas um movimento manifestado por pessoas que não aceitaram a derrota do seu candidato no pleito presidencial, sem um líder à sua frente. Nada mais.
Não acobertou em nenhum momento, do entendimento exarado, o vandalismo atribuído a alguns que depredaram as sedes dos poderes constituídos da República. Foi claro nesse sentido, ao salientar que os culpados por essas ações de absoluta selvageria e desamor à pátria e à própria democracia precisam ser punidos com o rigor da lei. Aqui reside uma parte de sua razão.
Não pode ser crível que essa paixão de alcance sem limites possa prejudicar o funcionamento dos sistemas de legalidade. Mas não parou por aí as suas considerações. Disse com ênfase, em outra vertente, que as penas aplicadas para alguns desses supostos manifestantes pelo nosso Judiciário está fora da nossa realidade, se levarmos em consideração outras situações materializadas com maior gravidade. Aqui está a outra razão.
Recentemente, Motta voltou a surpreender a nação com outra colocação de valor inquestionável, ao abordar os indicativos dos “bonés” utilizados pelos deputados da oposição e também pelos governistas. Sobre esse tema, disse que os “bonés” não resolvem a intricada situação em que se encontra a nação brasileira. Os “bonés” só servem para proteger do sol. Para nada mais. Salta aqui outra preciosa razão. Suas colocações sempre foram lúcidas, inteligentes, ponderadas e elegantes. Não houve em nenhum momento ofensa a quem quer que seja. Não instigou ninguém a fomentar, no seio da nossa sociedade, movimentos ensejadores da reprovação nacional. Mas a grande razão ficou para o fim do enredo.
O golpe ou a revolução – deem o nome que quiserem dar – só existe de fato com o povo nas ruas, com as Forças Armadas seguindo na mesma direção e com uma liderança à frente. Fora dessa realidade, fica muito difícil acreditar em outras vertentes gravosas. O nosso país é o maior da América Latina sob todos os aspectos políticos, econômicos e de desenvolvimento humano que podemos utilizar como comparação.
Precisamos ter uma noção bastante elevada dessa importância em relação às possíveis resistências decorrentes do insucesso, nas urnas. Precisamos ser a luz, e não a escuridão, para os nossos liderados.
O ganhar e o perder fazem parte do processo eleitoral e do próprio regime democrático.
O bom senso e o espírito democrático dos postulantes, bem como de seus correligionários, precisam ser direcionados para essa conclusão de clareza elevada. A anistia pode ser um caminho precioso que precisa ser pavimentado para a construção de uma paz com uma raiz profunda de santidade. As declarações do jovem presidente da Câmara marcham para essa direção. Que Deus o ilumine nessa nova e desafiadora tarefa de fazer estabelecer no seio da nossa nação brasileira a paz tão almejada.
Essa é a regra estabelecida pelo jogo democrático. Não existe outra.