Estamos vivos. Eis uma consoladora e feliz verdade. Existe quem, reconhecendo essa verdade, não se cansa de bendizer ao Criador, o Deus da vida e de amor. Existe ainda quem lamente e espalha pelo caminho descontentamentos e lamentações sem fim. Lamentar ou bendizer será uma escolha pessoal. Maldizer ou louvar será, sem dúvida, uma decisão pessoal. Mesmo que não queira admitir, tudo dependerá da atitude e da aceitação pessoal. Jamais será casualidade. Jamais será fatalidade. Será sempre decisão e escolha muito pessoal.
Cada ser humano é agraciado por esse mistério que denominamos vida. Ela surge ornada de todas as qualidades inerentes à sua natureza. Pois ela é uma dádiva da generosidade do Criador. Mesmo que não seja aceita, continuará o seu caminho. Mesmo que seja violentada, continuará semeando fidelidade com virtudes e muita sabedoria.
A vida, dom de Deus por mais que se leia, por mais que se escreva, por mais que se aprofundem as buscas e os conhecimentos. Sempre mais evidente o desconhecimento da sua grandeza e de seu valor. A poesia a enaltece, o teatro a explora e a religião a cultua. A vida, riqueza da criação, grandeza da alma generosa, amor que se faz partilha, doação que se traduz em celebração e em comunhão de vidas e ideais. Buscamos com humildade nas palavras do Mestre dos mestres o significado das atitudes buscando entender e amar tão profunda sabedoria.
Vamos tentar descobrir e vivenciar a suavidade de sua voz ao proclamar com voz forte saída de um coração que ama, de uma alma que sorri e de um olhar que transforma. A seus seguidores, sempre com palavras fortes, traduziu o que se passa na mente e nos planos de seu infinito amor. Proclamava com toda convicção: “Amem seus inimigos. Façam o bem mesmo a quem lhes faça o mal” (Lc. 6:22-34). Essas admoestações
e esses ensinamentos eram tudo quanto queria transmitir a seus seguidores em ambiente diferente ao de Mateus. Convidou não para subirem a montanha, mas para a planície, onde se encontravam os pobres, os enfermos, os famintos e os tralhadores das mais variadas classes.
Toda a sua pregação visava ensinar como deveria ser um seguidor do Mestre. Queria, em lugar da tristeza, que cultivassem a alegria. Em lugar da frieza, que cultivassem o bom humor. E em lugar da inveja, que cultivassem a solidariedade. E não ficou somente nisso, foi mais além. Disse: “Rezem por aqueles que os caluniam. Quando alguém lhe bater em uma face, ofereçam também a outra. Tratem as pessoas como gostariam que elas tratassem a vocês”.
Poderíamos acrescentar: busquemos a Deus enquanto ele se deixa encontrar. Amem a Deus enquanto se deixa amar. Creiam em Deus enquanto se deixa revelar. Nessa busca insaciável, se encontra um coração perturbado e, ao mesmo tempo, feliz por ter descoberto um rico e fecundo tesouro: o amor a Deus e amor ao próximo.
Essa é a eterna riqueza ofertada por Deus e insaciavelmente buscada pelo homem.
Enquanto esse encontro não acontece, o coração continuará perturbado, ansioso, pois busca poder repousar no coração de Deus.