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Imagine só

Em “O menino sem Imaginação”, obra da década de 1990 escrita por Carlos Eduardo Novaes, o protagonista, viciado em televisão, vê-se em pânico diante da falta de sua “fiel companheira”, desligada por um apagão, e da necessidade de usar a imaginação.

Hoje, a falta do aparelho televisor não parece assustar tanto, já a de um celular conectado à internet parece inimaginável. A questão que se coloca é: como nos comportaríamos sem esse que é o símbolo maior da nossa dependência tecnológica? Somos extremamente dependentes da tecnologia no século 21.

É fato. “Conectividade” é a palavra de ordem do momento. Inclusive, é a grande aposta da indústria automobilística. E não é exclusividade do Brasil, trata-se de um fenômeno mundial, o qual alterou profundamente as relações interpessoais. A comunicação, na sociedade em rede, é dinâmica, instantânea e revolucionou até mesmo nossa relação com o conhecimento.

Infelizmente, de modo paradoxal, muitas vezes, ferramentas como as redes sociais, cuja finalidade seria aproximar pessoas, trazem, como efeito colateral, o afastamento. É bastante comum, por exemplo, em bares e restaurantes a cena de pessoas reunidas em torno de uma mesa, isoladas, porém, nos respectivos mundos virtuais, de modo a formar verdadeiros “arquipélagos cibernéticos”.

Meios para o combate a essa dependência? São simplórios, mesmo porque o aprimoramento e a consequente versatilidade dos smartphones (computadores portáteis ultrassofisticados) avançam vertiginosamente, o que os torna cada vez mais interessantes e úteis. Basicamente, cabe ao usuário investir no desenvolvimento do autoconhecimento e, sobretudo, do autocontrole, para o uso consciente dos equipamentos tecnológicos disponíveis.

O fato é que, se na década de 1990 a preocupação com a dependência tecnológica se voltava unicamente para a falta de imaginação, hoje seria infinitamente maior. A obra de Carlos Eduardo Novaes certamente teria outro título: “O menino sem imaginação, sem memória, sem alegria... sem vida”.

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