Creio estarmos próximos do fim dos tempos. Como se não bastassem todos os sinais emitidos por meio de eventos climáticos severos de toda sorte ao redor do planeta! São ondas de calor, chuvas torrenciais com inundações, geleiras seculares derretendo, animais em extinção, incêndios em toda parte, bioma ou nação. Cientistas, debates, prognósticos e tratados não têm considerado o fator mais nocivo: o próprio ser humano.
O planeta Terra, assim como nosso corpo faz quando adoecemos, tem demonstrado sintomas de um mal muito mais grave. Em grande parte, nossas atitudes têm provocado a “síndrome da sociedade sabe-tudo”. Estamos vivendo tempos em que todos se arvoram donos da verdade. São avalanches de blogueiros controversos, vídeos de receitinhas gastronômicas duvidosas, dicas discutíveis de todo tipo, conselhos médicos mentirosos, marketing contestável, notícias falsas… muitas vezes angariando grande contingente de seguidores inocentes.
Certa vez, li a seguinte frase: “Pensar globalmente e agir localmente”. Vamos tomar como exemplo local o bairro em que moro há 30 anos. De caráter residencial, com maioria de casas, hoje muitas delas sombreadas e devassadas por edifícios desnecessários, levando-se em conta os critérios de adensamento urbano mal planejados em nossa cidade. Descaracterizado pela infestação de bares e comércios nem sempre compatíveis com a redondeza. Apenas esses dois fatores acarretam enormes interferências, tais como aumento no trânsito de carros, sobrecarregando vias estreitas e grande emissão de ruídos.
Mas o que mais me preocupa é a atitude das pessoas. Nesse mesmo bairro, é comum ouvirmos as barulhentas máquinas de cortar grama ligadas antes das 8h e até mesmo aos sábados, encarado como fato corriqueiro e natural, desrespeitando a nossa antiga Lei do Silêncio. Bem como os frequentadores dos comércios instalados que estacionam seus carros nas calçadas e nas esquinas, em locais proibidos, bloqueando a visão e dificultando o trânsito, desrespeitando o Código de Trânsito.
Sem falar nos níveis de som, nos DJs, na música ao vivo, em ambientes sem proteção acústica e até mesmo externos, muitas vezes até a madrugada. Ah, não vamos nos esquecer das motos barulhentas e dos carros com equipamentos sonoros, em geral, nos conhecidos rachas. São irregularidades de todo tipo, ignoradas pelas autoridades públicas e por todos que dormem tranquilos protegidos por seus splits e muros altos.
Como modelo global, temos vários países com economia fortemente voltada para o turismo e, inversamente, comércios, bares e restaurantes cumprem as severas exigências de horários de encerramento.
Gosto sempre de repetir que lei não se discute, cumpre-se. São criadas pela sociedade e para a sociedade, fruto de suas necessidades. São elas que nos permitem viver em harmonia, pensando em si e garantindo direitos para todos. Até porque, por detrás das leis, estão o respeito às pessoas e o amor ao próximo. É bom refletirmos sobre isso nesses tempos de inteligência artificial (IA), porque em curto espaço de tempo será ela que imporá nossos limites.