O anúncio do investimento da Arauco na construção de uma nova ferrovia em Mato Grosso do Sul é, sem dúvida, um marco histórico para a infraestrutura do Estado. Trata-se de um projeto 100% privado, algo raro em se tratando de ferrovias, cujo alto custo costuma depender de grandes aportes públicos. O novo ramal representa um alento para a logística estadual, especialmente ao se considerar que a última inauguração ferroviária em Mato Grosso do Sul ocorreu há exatos 27 anos, quando o então presidente Fernando Henrique Cardoso entregou o trecho da Ferronorte (hoje Malha Norte) em cidades como Aparecida do Taboado, Chapadão do Sul e Costa Rica.
Não é exagero afirmar que a construção de uma ferrovia é, ao mesmo tempo, um desafio técnico e financeiro. Os custos são altos, a execução demanda tempo e as exigências regulatórias são rigorosas. Ainda assim, o retorno do investimento é inquestionável. Um único comboio ferroviário pode substituir dezenas de caminhões nas rodovias, o que reduz custos logísticos, melhora a segurança viária e, não menos importante, diminui a pegada de carbono no transporte de cargas.
A importância de uma boa infraestrutura logística é inegável. É ela quem torna uma região produtora mais competitiva – seja ela uma cidade, um estado ou um país. Mato Grosso do Sul, por sua vocação agroindustrial, depende diretamente de boas rotas de escoamento para competir com outras regiões produtoras do Brasil e do mundo. Ter uma malha ferroviária moderna e funcional é essencial para garantir essa vantagem.
Além do impacto direto no escoamento de mercadorias, o transporte ferroviário tem um apelo ambiental crescente. Em tempos de cobrança global por práticas mais sustentáveis, optar por modais com menor emissão de poluentes é mais do que uma tendência, é uma necessidade. E as ferrovias oferecem uma alternativa eficiente e limpa, o que contribui para os compromissos de descarbonização da economia.
Infelizmente, outros projetos ferroviários permanecem parados em Mato Grosso do Sul, a maioria sob responsabilidade da Rumo Logística. Entre eles, destaca-se a Malha Oeste, cujo potencial é imenso, mas que carece de ações concretas para sair do papel. É preciso que o setor privado, assim como fez a Arauco, tome a frente e encontre caminhos para viabilizar essas obras, com apoio institucional e ambiente regulatório favorável.
O investimento da Arauco deve ser visto como um exemplo inspirador. Mostra que é possível somar interesses empresariais e desenvolvimento regional por meio da iniciativa privada. A ferrovia representa mais que um modal de transporte, é uma alavanca de crescimento econômico, geração de empregos e sustentabilidade.
Que essa conquista se torne uma referência e um ponto de partida para novos trilhos no Estado. Quanto mais ferrovias tivermos, maiores serão as vantagens competitivas de Mato Grosso do Sul. O caminho do futuro está pavimentado... Neste caso, está nos trilhos.