A relação entre o ser humano e a fauna silvestre no Brasil, especialmente no Pantanal, sempre foi de equilíbrio, respeito e uma sabedoria empírica transmitida por gerações há quase 300 anos. O produtor rural e a onça coexistem com respeito e medo mútuos. Sorrateira, com hábitos noturnos, ela se deixa ser percebida apenas quando quer. Mas esse comportamento tem mudado ao longo dos anos.
A produção agropecuária brasileira, especialmente no Pantanal, é referência em sustentabilidade. O produtor rural moderno entende a importância da fauna nativa e adota práticas de manejo que visam tanto a proteção dos rebanhos quanto a preservação da biodiversidade.
A solução não está na eliminação das onças – isso seria um retrocesso ambiental, além de crime, evidentemente. O que defendemos é o bom senso. Não podemos aceitar a naturalização de ataques. Vidas humanas não são descartáveis. O equilíbrio só é possível quando há respeito mútuo.
Exemplos positivos dessa convivência já existem. No Pantanal sul-mato-grossense, moradores vivem há centenas de anos ao lado das onças sem incidentes, graças ao manejo adequado dos rebanhos e ao conhecimento passado de geração em geração. A ciência, aliada à experiência de quem vive no campo, mostra que é possível, sim, preservar a fauna sem colocar vidas humanas em risco.
Está na hora de deixarmos de lado as paixões ideológicas e discutirmos, com base em dados e ciência, como garantir que produtores rurais e onças possam continuar coexistindo. Com respeito, com bom senso, e, acima de tudo, com responsabilidade.