A CPI sobre o transporte coletivo de Campo Grande, popularmente conhecida como CPI do Ônibus, caminha para o seu encerramento deixando um sabor amargo. O processo, que começou com a promessa de investigar a fundo as deficiências do sistema e apontar soluções concretas, termina sem apresentar sinal de mudança real para quem depende diariamente dos ônibus na Capital.
O mais lamentável de tudo é que, enquanto os vereadores encerram os trabalhos sem avanços efetivos, o sistema de transporte coletivo da cidade segue falido – tanto no sentido estrito, financeiro, quanto no mais importante, o de cumprir sua função social de transportar a população com qualidade, segurança e eficiência. A insatisfação popular com os serviços prestados é visível e crescente.
Ainda mais preocupante é o fato de uma comissão criada justamente para buscar melhorias ter sucumbido à inércia política e administrativa. Pior: ter custado dinheiro público sem entregar resultados práticos. O que se viu foram meses de reuniões, depoimentos e holofotes, mas nenhuma ação capaz de transformar a realidade do transporte coletivo de Campo Grande.
Para não dizer que a CPI foi de todo inútil, é preciso reconhecer ao menos um ponto: ao longo dos debates, a comissão acabou por impedir a tentativa de introdução de transporte alternativo por meio de vans regulamentadas, o que, segundo especialistas, poderia precarizar ainda mais o sistema formal de transporte, agravando o caos já instalado.
Mas isso não é suficiente. O que Campo Grande precisa, quando se trata de mobilidade urbana, é de proatividade. E essa falta de ação é visível tanto no poder público, que parece conformado com o colapso anunciado, quanto no concessionário, que permanece deitado em berço esplêndido, sem apresentar projetos concretos de revitalização do sistema.
O sentimento que fica é de que transformar o transporte coletivo em algo minimamente atrativo para o cidadão continua fora do radar das autoridades. Enquanto não houver um verdadeiro empenho político e técnico para enfrentar o problema de frente, o futuro do transporte coletivo continuará sendo o mesmo: filas, atrasos, lotações e abandono.
Campo Grande merece um sistema de transporte público eficiente, acessível e digno. A população espera mais que discursos e CPIs inconclusivas. Espera, sobretudo, ações concretas que devolvam ao cidadão o direito básico de ir e vir com qualidade.