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A cultura alimentar nos tempos da Belle Époque

Diversos foram os momentos da história e, dentro de cada um deles, novos modelos alimentares surgiram e marcaram a alimentação e a gastronomia em ricos detalhes e com novos movimentos. Tudo que é novo parte da referência de algo que já existe, e a Belle Époque (Bela Época) foi um deles!

A chamada Idade de Ouro na França traz o brilho da Belle Époque em sua essência! Isso ocorreu do final do século 19 até o início da Grande Guerra. Nesse momento, Paris era o centro do mundo: centro de referência cultural e gastronômico do mundo. Na Belle Époque, reluziam os banquetes, os cafés, os concertos, os cabarés, as livrarias, os teatros e a alta-costura... Paris vivia intensamente!

Paris, “a cidade da luz”, iluminou também a culinária, tornando essa a grande época da referência do comer e beber bem e em grande estilo! As elites dos demais países “copiavam” tudo que vinha de Paris, como Rio de Janeiro, Recife e outras capitais do Brasil.

Foram dias e noites de um intenso glamour gastronômico. Nos elegantes estabelecimentos, reinavam os bons modos à mesa, as conversas infindáveis, as receitas clássicas e glamourosas da burguesia, ingredientes considerados de luxo e à moda em todos os seus sentidos, ostentando ainda mais esse momento.

Nos pratos artisticamente desenhados e pensados, os ingredientes e técnicas culinárias eram os grandes protagonistas. Registros apontam que as camadas mais altas da sociedade tinham acesso aos ingredientes que nesses menus eram estrelas. Entre os mais consumidos, e que evidenciavam esse privilégio das classes, estavam os queijos, as trufas, os cogumelos, o foie gras (fígado gorduroso de gansos ou patos), as aves de caça ou de criação, os molhos clássicos, o creme de leite, a manteiga e a mostarda de Dijon, além das bebidas alcoólicas, como vinhos e espumantes! As borbulhas estavam à mesa!

Aqui no Brasil, a influência foi tão grande em algumas capitais que o conjunto de artefatos culturais do momento aparecia na comida da alta classe, no idioma, na vestimenta e até na incorporação de sotaques.Tudo que vinha da França tinha uma outra interpretação: luxo, ostentação, classe e glamour! Fato é que essa época fez com que cidades vivessem intensamente a cultura e a gastronomia em seus estabelecimentos.

Fez com que restaurantes elegantes surgissem, trazendo em sua apresentação de serviço de sala e cozinha elementos que evidenciavam o momento. Muitos deles famosos e servindo de referência e inspiração por aqui. Na França, os famosos da época foram o La Grande Taverne de Londres, do grande chef Beauvillers (primeiro estabelecimento com salão elegante, garçons considerados eficientes e uma grande adega), e o famoso Café Anglais, que teve seus dias de glória e alta reputação gastronômica.

Ainda hoje, temos diversos estabelecimentos que permanecem com o mesmo modelo de decoração, de salão, de garçons com mesmas vestimentas clássicas, de serviços de sala, e com pratos no menu que marcaram essa época em capitais brasileiras. Basta ver fotos antigas e olhar para bistrôs e restaurantes franceses atuais dessas cidades.

Ou seja, a Belle Époque deixou marcas profundas. Marcou a gastronomia: trouxe novos olhares e uma nova interpretação para os estabelecimentos e vida gastronômica. Influenciou a alimentação com um conjunto de técnicas clássicas culinárias, um repertório de ingredientes com suas harmonizações, cores, texturas, sabores únicos no prato, novas receitas, salão com luxuosos móveis, lustres, bares, bancadas, além de uma equipe de serviço de sala bem treinada com trajes elegantes.

Uma coisa é fato: se hoje frequentamos restaurantes em qualquer lugar do mundo, sendo servidos por garçons, comendo e conversando alegremente e desfrutando de uma boa gastronomia, devemos muito à França. Afinal, sair de casa para comer é algo institucionalizado pelos franceses, que colocaram tal hábito como uma atividade de lazer, como afirmam pesquisadores, como eu. Um brinde à Belle Époque!

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