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A força derrotou o diálogo?

O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou dias atrás, para toda a imprensa internacional, que o uso da força não vence a força do diálogo. A frase veio no curso das guerras que atormentam as vidas dos povos e dos seus governantes. O raciocínio está correto, sobretudo quando administra o órgão instituído para manter a paz tendo como sustentáculo a diplomacia. Todavia, as regras têm as suas exceções. A guerra iniciada entre Irã e Israel é a fotografia explícita do que afiançamos linhas atrás. Um movimento belicoso que poderia arrastar a humanidade incauta para a terceira conflagração mundial resultou evitada por meio de um instrumento poderoso de força anunciado publicamente pelos Estados Unidos da América. 

O convite para a formalização da paz não foi possível pelas vias diplomáticas, então, o mundo assistiu à fúria produzida pelas armas terríveis que substituíram o diálogo. A força da ação do mandatário norte-americano foi rápida e cirúrgica. Os ataques de ambos os lados cessaram. A paz, ainda que temporária, mostrou o seu sorriso largo como forte indicativo de que os líderes podem muito, mas não podem tudo. Essas linhas não têm o condão para ditar regras de comportamento social e familiar para os nossos iguais. Longe disso, sobretudo quando os entreveros alcançam a família, o nosso mais precioso tesouro. 

Mas servem, sobretudo, como advertência para os que administram a ONU. A grande verdade é que ela perdeu sua força, confiança e credibilidade no seio das nações, não por culpa dos seus dirigentes e de seus órgãos diretivos, mas por não ter a norma cogente para exigir da parte dos seus membros o cumprimento das suas resoluções. Quando isso não se concretiza, resulta inócua a sua atividade principal. Aqui, não são palavras vazias, ocas e destituídas de crédito que animam o articulista a lançar publicamente esse desafio de tamanho igual ao de sua certeza. A Península de Golan, por exemplo, surrupiada dos sírios pelas forças israelenses, jamais será devolvida para seus legítimos donos. Gibraltar é outra fotografia desse desastre, pertence à Espanha, mas são os ingleses que administram esse estreito de importância singular para o desenvolvimento mundial. As Ilhas Malvinas são argentinas, mas os ingleses jamais as devolverão para os seus legítimos donos.

Recentemente, e à vista de todos, a Península da Crimeia foi tomada da Ucrânia pelas forças militares da Rússia, sob o silêncio da ONU. Nunca mais será devolvida para o seu vizinho. Assim marcha a humanidade. A angústia, a tristeza, o temor e a desesperança de todos esses países em guerra refletem o sofrimento dos seus povos. Nosso país não protagoniza esses atos de beligerância, mas certamente enfrentamos todos os dias outras ações não menos violentas, que preocupam as famílias. 

Os nossos homens de bem, ao saírem para o trabalho todos os dias, não sabem se voltam vivos para o recesso sagrado do seu lar, para poder abraçar suas esposas, seus filhos e revigorar suas energias para os embates do próximo dia. Os sequestros, os roubos, os golpes, as notícias falsas, o narcotráfico, os estelionatos de todas as ordens e as mortes estúpidas e brutais produzidas pelos atos inconsequentes de menores infratores e seus comparsas maiores são algumas dessas fotografias da guerra cruel e sangrenta que enfrentamos. Os assassinatos brutais e covardes no trânsito dispensam comentários. Mas precisamos, sim, confiar na força do diálogo como forma de se buscar permanentemente a paz que tanto precisamos. O presidente americano disse que a guerra entre Israel e o grupo terrorista Hamas marcha celeremente para a construção da paz. Outra notícia alvissareira será o anúncio do fim da guerra entre a Rússia e a Ucrânia, que já se arrasta por um tempo angustiante. 

O país mais poderoso do mundo no campo econômico e militar precisa ser o farol para dar uma direção segura para a humanidade. Parece que esse caminho está sendo construído. A mídia internacional já aponta a indicação do nome do presidente americano para o prêmio Nobel da Paz. Esse ato, se concretizado, exigirá ainda mais do indicado o seu compromisso diuturno para a construção de uma paz duradoura em todos os quadrantes do nosso planeta. É o que a humanidade aguarda ansiosamente!

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