Após anos de estagnação, Mato Grosso do Sul finalmente recebe uma boa notícia no campo da infraestrutura. A MSVia, concessionária responsável pela BR-163, anunciou que vai duplicar cerca de 5 quilômetros da rodovia em um trecho próximo a Campo Grande. Trata-se do primeiro anúncio concreto de investimento em logística pesada em quase uma década. É pouco, sim, mas não deixa de ser um alento para um estado que, há anos, convive com promessas não cumpridas e gargalos que travam seu crescimento.
Queríamos mais, é verdade. A duplicação de apenas 5 km pode soar insuficiente diante da extensão e da importância da BR-163 para a economia regional. No entanto, não se pode ignorar o fato de que a obra será executada em um dos pontos mais movimentados da rodovia, onde o fluxo pesado de veículos, especialmente de carga, costuma causar lentidão e risco constante de acidentes. A intervenção, se concluída com eficiência, pode pôr fim a um dos principais gargalos da principal artéria rodoviária do Estado.
Mais do que a extensão da obra, o que importa neste momento é o simbolismo do anúncio: depois de anos de paralisia há um movimento, por menor que seja, na direção certa. Desde 2017, Mato Grosso do Sul não vê uma obra relevante de infraestrutura logística sair do papel. Foram anos marcados por diagnósticos técnicos, planos mirabolantes e apresentações sofisticadas em eventos públicos – e quase nenhuma entrega real. A frustração da população crescia na mesma proporção que as promessas oficiais.
Não estamos tratando apenas da BR-163. A carência de obras estruturantes afeta também outras frentes fundamentais para o futuro do Estado. A esperada Rota da Celulose, a duplicação do Anel Viário de Campo Grande, a revitalização da Malha Oeste e o acesso à ponte da Rota Bioceânica continuam no campo das intenções, sem prazos, orçamentos ou cronogramas concretos. A realidade ainda é de papéis, e não de máquinas no chão.
É por isso que, mesmo tímido, este anúncio da MSVia deve ser valorizado. Ele pode – e deve – representar um ponto de inflexão. Se os 5 km forem apenas o começo, e não o fim, teremos motivos para comemorar de verdade. O Estado precisa de uma retomada vigorosa na infraestrutura logística, não apenas para acelerar o escoamento da produção, mas também para destravar o desenvolvimento regional e atrair novos investimentos.
O que não podemos mais tolerar é a estagnação. O crescimento de Mato Grosso do Sul depende de sua capacidade de se integrar com eficiência ao mercado nacional e internacional. Sem ferrovias funcionais, rodovias duplicadas e acessos estratégicos, seguiremos aquém do nosso potencial. A boa logística não é luxo, é pré-requisito para um futuro mais competitivo.
Que venham, portanto, os próximos quilômetros. Que o poder público, em parceria com a iniciativa privada, entenda que o tempo da promessa passou. O Estado precisa entrar, de fato, em uma nova fase – uma fase de obras, de entregas e de progresso concreto. Cinco quilômetros podem parecer pouco, mas, se forem o começo de uma nova mentalidade, serão decisivos.