Nesta semana minha coluna se dedicou a analisar duas variáveis que impactam profundamente no bolso das pessoas, principalmente da camada com renda menor: Alimentos e Combustíveis.
A análise da evolução dos preços de alimentos e combustíveis entre 2020 e 2025 revela um cenário de alta volatilidade inflacionária tanto no Brasil quanto em Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul. Os dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) demonstram que, embora as tendências gerais sejam similares entre as duas localidades, Campo Grande apresentou algumas particularidades que merecem destaque na análise econômica regional.
Durante o período analisado, o IPCA médio no Brasil foi de 5,86%, enquanto em Campo Grande ficou ligeiramente abaixo, em 5,64%. No entanto, quando se observa especificamente os grupos de alimentos e combustíveis, as variações foram significativamente mais acentuadas, com a inflação média de alimentos atingindo 7,22% no Brasil e 7% em Campo Grande, evidenciando o impacto desproporcional desses itens essenciais no orçamento das famílias brasileiras.
O período analisado foi caracterizado por uma trajetória inflacionária em formato de "montanha-russa", com picos significativos em 2021 e 2022, seguidos por uma moderação em 2023 e nova aceleração em 2024-2025. O IPCA brasileiro registrou sua maior alta em 2021, quando atingiu 10,06%, superando o teto da meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
Esta escalada inflacionária de 2021 foi resultado de uma combinação de fatores excepcionais. A pandemia de COVID-19 provocou descoordenação nas cadeias de suprimento globais, enquanto as políticas fiscais expansionistas adotadas para mitigar os efeitos da crise sanitária aumentaram a liquidez na economia. Simultaneamente, a desvalorização do real frente ao dólar americano encareceu as importações, criando pressões inflacionárias adicionais.
O grupo "Alimentação e Bebidas" do IPCA apresentou a maior volatilidade entre todos os componentes do índice durante o período analisado. No Brasil, este grupo registrou variações anuais que oscilaram entre -0,52% em 2023 e 14,09% em 2020, demonstrando a sensibilidade extrema dos preços de alimentos a choques externos e internos.
O ano de 2020 foi particularmente desafiador para o setor alimentar. A inflação de 14,09% no Brasil e 13% em Campo Grande refletiu o impacto inicial da pandemia sobre as cadeias de suprimento. O fechamento de restaurantes e a mudança nos padrões de consumo, com maior demanda por alimentos para consumo domiciliar, criaram desequilíbrios temporários entre oferta e demanda.
O setor de combustíveis apresentou a maior volatilidade de todos os grupos analisados, com variações que oscilaram entre -3,20% em 2023 e impressionantes 47,49% em 2021 no Brasil. Em Campo Grande, o padrão foi similar, com variações entre -2,80% e 45,20% no mesmo período. Esta extrema volatilidade reflete a complexa interação entre fatores internacionais, políticas públicas e dinâmicas de mercado específicas do setor energético brasileiro.
Campo Grande demonstrou capacidade de manter preços de combustíveis e alimentos competitivos em relação à média nacional, reflexo de vantagens logísticas e políticas tributárias favoráveis.