A palavra sustentabilidade precisa, com urgência, ser desideologizada. Trata-se de um termo que, muitas vezes, é apropriado por correntes políticas ou movimentos de interesse específico, quando deveria ser entendido de forma objetiva, universal e inegociável. O motivo é simples: o meio ambiente é um bem comum, compartilhado por todos nós, sem exceções.
Não se trata de uma agenda para ambientalistas radicais ou, ao contrário, de uma preocupação restrita a produtores rurais. O meio ambiente é a base da nossa vida cotidiana. É o ar que respiramos, a água que consumimos, o alimento que chega à mesa. Seja o cidadão que vive em um apartamento urbano, sem contato direto com a terra, seja o agricultor que depende do solo para produzir, todos têm a mesma necessidade: um ambiente equilibrado e preservado.
Essa constatação deveria nos afastar das armadilhas-narrativas que rondam o debate público. De um lado, existem discursos catastrofistas, que paralisam a ação e pintam um futuro de colapso inevitável.
De outro, há uma visão produtivista míope, que ignora os limites da natureza em nome de um crescimento imediato e desregrado. Ambos os extremos são perigosos. O desafio, portanto, está em buscar e sustentar o caminho do meio, no qual informação, responsabilidade e equilíbrio andam juntos.
O Brasil – e, de forma destacada, Mato Grosso do Sul – já mostrou ao mundo que esse caminho é possível. Nossa produção agropecuária combina, cada vez mais, alta produtividade com práticas sustentáveis, resultado de décadas de investimento em ciência, tecnologia e legislação ambiental. Isso não significa ausência de problemas ou complacência com irregularidades.
Significa, sim, valorizar e reforçar um modelo que respeita as leis ambientais, protege biomas estratégicos e garante alimentos de qualidade em larga escala.
É nesse espírito que o País se prepara para a COP30, que será realizada no segundo semestre, em Belém. Mais do que um palco de discursos, o encontro é uma oportunidade única para apresentar ao mundo um exemplo concreto de que produzir e preservar não são ações excludentes. Mato Grosso do Sul, em especial, tem sido um laboratório vivo dessa síntese: cresce, atrai investimentos e, ao mesmo tempo, reforça seu compromisso com a sustentabilidade.
Mas há outro ponto crucial, que não pode ser esquecido: a informação. Em tempos de acesso ilimitado a dados, ainda há quem prefira a ignorância, alimentando preconceitos ou simplificações perigosas. Respeitar o meio ambiente é também respeitar a saúde coletiva, e isso só é possível com conhecimento. Saber um pouco mais, buscar fontes confiáveis, fugir da superficialidade, são atitudes essenciais para qualquer cidadão que deseja participar de maneira responsável desse debate.
A ignorância, neste caso, é mais do que um defeito: é um risco. Arrisca-se o futuro de uma nação que depende de seus recursos naturais para gerar riqueza, empregos e qualidade de vida. Arrisca-se também a credibilidade internacional de um país que tem condições de liderar o diálogo global sobre sustentabilidade.
Por isso, o chamado que se faz neste momento é claro: precisamos abandonar os rótulos, os extremos e as soluções fáceis. Precisamos assumir a sustentabilidade como um valor coletivo, sem ideologia, mas com sabedoria. Porque o equilíbrio, em tempos tão polarizados, talvez seja o gesto mais revolucionário que possamos praticar.