A decisão da prefeita Adriane Lopes de aderir ao Plano de Promoção do Equilíbrio Fiscal (PEF) merece destaque como uma das medidas mais acertadas de sua gestão. Em tempos de turbulência econômica e de desafios crescentes para os municípios brasileiros, a iniciativa sinaliza responsabilidade e compromisso com a boa administração das contas públicas.
O PEF não é um programa de fácil execução. Ele exige disciplina, cortes de gastos, ajustes de contas e, sobretudo, a renúncia a práticas que corroem a arrecadação, como benefícios fiscais concedidos sem critério. Em outras palavras, trata-se de colocar ordem na casa, fazer aquilo que deveria ser obrigação de qualquer gestor público: garantir que receitas e despesas caminhem em equilíbrio.
O leitor pode se perguntar: “Mas isso não é o básico?” Sim, é. O equilíbrio fiscal deveria ser regra, não exceção. No entanto, no Brasil dos últimos anos, a lógica se inverteu. A austeridade virou raridade e a irresponsabilidade fiscal, infelizmente, tornou-se prática comum. Nesse cenário, a adesão de Campo Grande ao PEF ganha relevância, pois demonstra que ainda há espaço para o cumprimento daquilo que deveria ser óbvio: gastar apenas o que se arrecada, planejar investimentos com responsabilidade e evitar aventuras financeiras que comprometam o futuro da cidade.
Mais do que um gesto administrativo, a medida abre portas para novas oportunidades. Ao aderir ao programa, o Município terá acesso a crédito, recurso que pode ser decisivo para destravar obras, modernizar serviços e investir em áreas estratégicas. Mas aqui cabe uma advertência: crédito não é sinônimo de cheque em branco. É preciso que cada centavo seja aplicado com rigor, transparência e foco em resultados concretos para a população.
O PEF, portanto, não deve ser visto apenas como um mecanismo de ajuste, mas como uma chance de reposicionar Campo Grande em um patamar de responsabilidade fiscal que inspire confiança. A cidade, que já enfrenta desafios de infraestrutura, mobilidade e serviços públicos, precisa de recursos bem administrados para avançar. O programa pode ser o caminho para isso, desde que não se perca de vista o princípio fundamental: equilíbrio.
Esperamos que a medida seja boa, que as contas se equilibrem e que o crédito conquistado seja utilizado de forma inteligente. O futuro de Campo Grande depende da capacidade de seus gestores de transformar disciplina fiscal em desenvolvimento real. Se a adesão ao PEF for conduzida com seriedade, poderá marcar um divisor de águas na administração municipal, mostrando que responsabilidade e crescimento podem, sim, andar de mãos dadas.