A arrecadação federal de 2025 atingiu um marco histórico de R$ 2,886 trilhões, com crescimento real de 3,65%. Este recorde, porém, não nasceu de um crescimento econômico vigoroso, mas de uma pressão tributária ampliada, revelando a estratégia do governo de priorizar a arrecadação para buscar o equilíbrio fiscal.
O desempenho expõe uma contradição: enquanto a receita tributária avança, a atividade econômica – medida pela produção industrial – cresceu apenas 0,17% no período, indicando que o fardo fiscal pode estar à frente da recuperação da economia.
Dois vetores explicam o salto. O primeiro é o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que rendeu R$ 86,5 bilhões (alta de 20,5%).
Seu uso recorrente como instrumento de ajuste rápido gera atritos com o Congresso e incerteza no setor produtivo. O segundo é a tributação das apostas esportivas, que, após regulamentada, saltou de R$ 91 milhões em 2024 para expressivos R$ 9,95 bilhões em 2025. Embora significativo, este valor ainda é marginal perto do total arrecadado.
O verdadeiro desafio que os números revelam é político. A dependência de aumentos tributários em ano pré-eleitoral tensiona a relação com o Congresso e a base produtiva.
Assim, o recorde de 2025 é menos uma solução e mais um sintoma: mostra um Estado que consegue extrair mais recursos da sociedade, mas ainda não conseguiu construir o consenso necessário para um pacto fiscal legítimo e sustentável, que equilibre contas públicas sem estrangular o crescimento econômico de longo prazo.