Opinião

editorial

Eleições deste ano começam sob o risco da desinformação

Primeira pesquisa irregular já foi barrada pela Justiça Eleitoral em MS

A eleição deste ano ainda nem começou oficialmente – mas a disputa pela mente do eleitor já está em curso. E, como nos últimos pleitos, ela não será travada apenas nas urnas, mas sobretudo no terreno turvo da desinformação.

Especialistas alertam que as chamadas “fake news” e dados manipulados devem intensificar a disputa pela opinião pública antes mesmo da campanha oficial.

O termo “fake news” se popularizou, mas é tecnicamente impreciso. Ele sugere que se trata de “notícia falsa”, quando, na prática, muitas vezes nem é notícia, e sim conteúdo fabricado para enganar – boatos, montagens e desinformação deliberada travestidos de informação.

Em Mato Grosso do Sul, a Justiça Eleitoral já deu o primeiro recado: uma pesquisa considerada irregular, com dados inconsistentes, foi retirada de circulação. O episódio não é isolado. Ele antecipa o que deve se intensificar nos próximos meses – uma avalanche de conteúdos manipulados, números distorcidos e narrativas construídas para confundir, não para informar.

O alerta não vem apenas de decisões pontuais. A Justiça Eleitoral reconhece que o País entra este ano sob risco elevado de desinformação organizada, potencializada por redes digitais e até por inteligência artificial. O objetivo é claro: influenciar o voto, gerar dúvida e corroer a confiança nas instituições.

Não se trata apenas de casos isolados. Trata-se de um ambiente contaminado, em que a mentira circula mais rápido do que a verdade e, muitas vezes, chega primeiro – moldando percepções antes que os fatos apareçam.
A experiência recente comprova o risco. Em eleições anteriores, a Justiça Eleitoral precisou desmentir boatos sobre urnas, contagem de votos e supostas fraudes – narrativas que ganharam força justamente pela repetição e pela ausência de checagem por parte de quem as compartilhou.

Diante desse cenário, o eleitor deixa de ser apenas participante do processo democrático e passa a ser também seu guardião. Cabe a ele desconfiar de números milagrosos, de pesquisas sem origem clara e de mensagens que apelam mais à emoção do que à razão.

A regra é simples, mas essencial: informação se confirma, não se compartilha no impulso. Buscar fontes confiáveis, veículos reconhecidos e canais oficiais da Justiça Eleitoral deixou de ser um cuidado – tornou-se uma necessidade.

Neste ano, mais do que escolher candidatos, o eleitor será testado na sua capacidade de distinguir fato de manipulação. E, nesse jogo, quem acredita em tudo pode acabar votando em uma mentira.

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