Opinião

EDITORIAL

Desenvolver preservando

Nem o imobilismo atende às necessidades econômicas do Estado, nem a flexibilização irrestrita das regras ambientais interessa ao futuro da região

A discussão sobre o desenvolvimento econômico de Mato Grosso do Sul inevitavelmente passa pelo Pantanal e pelo Rio Paraguai. Não há como pensar o futuro da mineração, da logística e das exportações sem enfrentar um desafio central: como crescer economicamente sem comprometer um dos patrimônios ambientais mais importantes do planeta.

Nos últimos anos, o debate sobre a hidrovia do Rio Paraguai ganhou contornos cada vez mais delicados. De um lado, existe a necessidade de ampliar a competitividade econômica da região, sobretudo para garantir melhores condições de escoamento da produção mineral e agroindustrial. De outro, há o temor de impactos permanentes sobre o Pantanal, bioma extremamente sensível às alterações em seu ciclo hidrológico.

É justamente neste contexto que surge uma sinalização importante da mineradora responsável pela extração de minério de ferro e manganês do Maciço do Urucum, em Corumbá. A empresa acena com uma alternativa ambientalmente mais viável para o transporte da matéria-prima exportada para diversos países.

A proposta envolve a fabricação de novas barcaças financiadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O diferencial está no modelo das embarcações. Embora possuam calado menor do que as barcaças atualmente utilizadas no Rio Paraguai, elas terão maior capacidade de carga e estrutura mais moderna.

Na prática, isso significa uma necessidade menor de profundidade do rio para a navegação. Consequentemente, reduz-se também a necessidade de dragagem constante do leito do Rio Paraguai, justamente um dos pontos mais polêmicos envolvendo o debate sobre a hidrovia.

A dragagem desperta preocupação, porque altera características naturais do rio, interfere no fluxo das águas e pode gerar impactos ambientais relevantes em toda a dinâmica do Pantanal. Evidentemente, qualquer atividade econômica provoca algum nível de impacto ambiental. O ponto central está em reduzir danos e buscar soluções tecnológicas capazes de compatibilizar crescimento econômico e preservação ambiental.

Neste aspecto, a adoção de embarcações menos agressivas ao sistema fluvial representa um avanço importante. Trata-se de uma sinalização de que é possível buscar eficiência logística sem apostar exclusivamente em intervenções profundas no curso do rio.

O debate sobre o Rio Paraguai não pode ser conduzido a partir de extremos. Nem o imobilismo atende às necessidades econômicas do Estado, nem a flexibilização irrestrita das regras ambientais interessa ao futuro da região. Mato Grosso do Sul precisa encontrar equilíbrio.

O desenvolvimento sustentável continua sendo a palavra central deste debate. Precisamos gerar empregos, movimentar a economia e ampliar nossa capacidade de exportação. Mas também precisamos preservar o Pantanal e cuidar dos recursos naturais que serão deixados para as próximas gerações.

Assine o Correio do Estado

Direito previdenciário

Aposentadoria do Médico: Quem cuida de vidas também precisa cuidar do próprio futuro

Por Juliane Penteado Santana Advogada previdenciarista há mais de 25 anos e professora de Direito Previdenciário

23/10/2026 00h03

Juliane Penteado

Juliane Penteado

Continue Lendo...

Direito

Imóvel dado em garantia não cobre, automaticamente, todas as suas dívidas com o banco

A chamada "cláusula guarda-chuva", comum em contratos de bancos e cooperativas de crédito, tenta estender a garantia a qualquer dívida futura. A lei impõe limites, e conhecê-los pode salvar a fazenda

22/10/2026 00h03

Leandro Provenzano

Leandro Provenzano Foto: Montagem / Correio do Estado

Continue Lendo...

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).