Colunistas

CLAÚDIO HUMBERTO

"Fiz mais que o Ministério das Mulheres todinho"

Ministro José Múcio Monteiro (Defesa) traído pelo microfone na reunião ministerial

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MPF: penduricalhos somam R$ 458 milhões desde 2025

Generosos penduricalhos, fartamente distribuídos no Ministério Público Federal (MPF), custaram ao pagador de impostos mais de R$ 458,3 milhões entre janeiro de 2025 e fevereiro de 2026, conforme levantamento da coluna com dados do próprio MPF. A fatura considera coisas do tipo “Abono de permanência”, quando o servidor já pode aposentar, mas escolhe permanecer na labuta; as famigeradas “verbas indenizatórias”, até obscuras “outras remunerações temporárias”.

Naco do PGR

Desses penduricalhos citados, R$ 751,7 mil foram pagos a Paulo Gonet, mas boa parte ficou retida nos descontos, que o governo não perdoou.

Teto pra quem?

Gonet furou o teto duas vezes, sempre nos meses de janeiro. Recebeu, líquido, R$ 82,2 mil (jan/2025) e R$ 82,7 mil (jan/2026).

Bolo esmiuçado

Verbas indenizatórias foi o que mais custou: R$ 374,9 milhões, seguido por “outras remunerações temporárias” (R$ 66 mi) e o abono (R$ 17,3 mi).

Todo ouvidos

À coluna, o MPF diz que os pagamentos seguem leis federais, decisões do STF e STJ, resoluções do CNMP e que respeita o teto constitucional.

Rejeição de Lula se equipara a Bolsonaro em 2022

A rejeição crescente do eleitorado ao governo e ao próprio presidente Lula (PT) é motivo de pânico na pré-campanha presidencial. O governo petista já registra 52% de reprovação, segundo o Paraná Pesquisas (BR-00873/2026), e 53,3% dos eleitores dizem que Lula “não merece um novo mandato” à frente da Presidência. Em março de 2022, o Datafolha apontava rejeição de 55% ao então presidente Jair Bolsonaro (PL).

De jeito nenhum

O Paraná Pesquisas identificou no mesmo levantamento que 47% dos brasileiros não votam em Lula “de jeito nenhum”.

Pior que Dilma

Em maio de 2014, o Datafolha apontou que 35% dos eleitores não votariam na então candidata à reeleição Dilma “de jeito nenhum”.

Comparação

A alguns meses da eleição de 2022, a rejeição a Lula, segundo o Datafolha, ficou entre 33% e 35% entre março e maio.

Terra arrasada, Brasil

Dados oficiais mostram que nos dois primeiros meses de 2026 as estatais federais registraram o pior prejuízo da História: R$ 4,1 bilhões. O deputado Ricardo Salles (Novo-SP) parecia adivinhar quando disse no podcast Diário do Poder que a reeleição de Lula (PT) aniquilaria o Brasil.

Conversas adiantadas

Dr. Furlan, pré-candidato ao governo do Amapá, tem o apoio do PL, PSD, Podemos e do Republicanos, partido que recebeu boa parte dos parlamentares do Estado que abandonaram o União de Davi Alcolumbre.

Números devastadores

Vídeo de Janja atacando Nikolas Ferreira rendeu 900 mil visualizações. Impressionante para alguém como ela, de imagem tão ruim. O problema foi a resposta demolidora do deputado do PL-MG: passou de 23 milhões.

Barreiras outras

Foram 131 dias entre a “indicação” ao STF do advogado-geral Jorge Messias pelo presidente Lula (PT) e o anúncio do envio da mensagem oficial ao Senado, que fica a três minutos de distância... a pé.

Parabéns, Lula

Sempre atentos e prontos para a zoeira, há um ano usuários do X conseguiram subir a hashtag “ParabénsLula” aos assuntos do dia. Não perderam a chance de associar o petista ao Dia da Mentira, 1º de abril.

Pedra cantada

Saiu só agora a oficialização, mas leitores da coluna souberam com bastante antecedência, desde 21 de janeiro, que seria Miriam Belchior a substituta de Rui Costa na Casa Civil.

Moreira de volta

Dono de uma das carreiras políticas mais completas do País, o ex-ministro Moreira Franco retorna a Brasília na próxima quarta (8), para lançar seu livro “A Política como Destino” (ed. Topbooks, Rio).

Tereza no Senado

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, disse que a senadora Tereza Cristina afirmou a ele que não pretender ser candidata a vice-presidente: “ela não será candidata à vice, eu tenho certeza, ela não quer”.

Pensando bem...

...18 ministros vão deixar o cargo e não representam nem metade da Esplanada.

PODER SEM PUDOR

Souza Dantas, o breve

O jornalista Raimundo de Souza Dantas era um discreto funcionário do Ministério da Fazenda, no Rio, e tinha algo que o diferenciava dos colegas: era amigo do presidente Jânio Quadros. Sonhava com a diplomacia. Jânio o nomeou embaixador em Gana (África), mas, três meses depois, renunciaria ao mandato, devolvendo Souza Dantas a sua salinha na antiga repartição. Do contínuo ao chefe, os cruéis colegas não paravam de ironizar:

- Bom dia, embaixador!

- Já bateu o ponto, embaixador?

EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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