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Leia: "O ataque paraguaio contra o Forte de Coimbra"

José Lourenço Parreira e Luiz Eduardo Silva Parreira Historiadores e dois dos autores do livro Forte de Coimbra: história e tradição.

Redação

28/12/2014 - 00h00
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Há 150 anos, na quente manhã de 27 de dezembro 1864, o clima de Natal é bruscamente quebrado no Forte de Coimbra, quando o Tenente-Coronel Hermenegildo Portocarrero, que ali se encontrava em visita de inspeção, recebeu do emissário de Vicente Barrios, comandante da força invasora paraguaia, o ultimato de que se os ocupantes do Forte de Coimbra o deixassem sem resistência, ele não os perseguiria. Caso resistissem, suas vidas estariam sob as “leis do acaso”. As letras da mensagem guarani eram suportadas por dez navios de guerra e cerca de 3.200 homens: uma força quase 30 vezes superior ao contingente do Forte de Coimbra, naquela data.

Mesmo diante do que via, Portocarrero respondeu que o Forte de Coimbra não se renderia. Sua conquista seria pela sorte das armas!

Pouco depois, uma chuva de balas de canhão caiu sobre o Forte. Em seguida, 700 infantes paraguaios avançaram contra as muralhas de Coimbra, sendo barrados pelas balas dos fuzis e baionetas brasileiras, sob o comando do Tenente João de Oliveira Mello. Concomitantemente, Portocarrero e o Capitão Benedito Jorge de Faria, Comandante do Forte, lideravam o contra-ataque artilheiro, evitando que mais tropas paraguaias pudessem chegar perto das muralhas e dando cobertura às investidas da canhoneira Anhambaí, da Marinha, contra outros pontos de fogo guarani.

A Anhambaí era comandada pelo bravo e destemido Tenente Balduíno José Ferreira de Aguiar, da Marinha do Brasil.

O dia 27 foi marcado pela bravura dos dois exércitos contendores. A despeito da diferença de forças, os brasileiros impediram que os paraguaios tomassem o Forte de Coimbra, ao preço de quase toda sua munição de fuzil, que foi reposta pelas mulheres, que confeccionaram mais 6.000 cartuchos, durante a noite, com o tecido de seus vestidos, para a resistência no dia seguinte!

No dia 28, os paraguaios voltam a atacar e aos poucos conseguem ir galgando a parte mais baixa da muralha, usando os corpos de seus companheiros mortos como apoio.

À tarde, por volta das quatorze horas, quando o assalto parecia iminente, a Imagem de Nossa Senhora do Carmo surge, por sobre as muralhas, nos braços do Soldado Verdeixas que grita: Viva Nossa Senhora do Carmo! E todos os combatentes – brasileiros e paraguaios – respondem: Viva! Interrompe-se o combate! Por um momento, os dois povos voltam a ser irmãos em Cristo pela intercessão de sua Mãe, a Virgem Maria, ali invocada sob o título de Nossa Senhora do Carmo!

Quando o combate reinicia, já a fúria do atacante havia sido acalmada. Chegada a noite, cessa o ataque daquele dia. Portocarrero reúne os Oficiais em Conselho de Guerra.   Por falta de munição de fuzil, que se acabara, decidem deixar o Forte de Coimbra: a resistência seria inútil e a tropa defensora mais útil noutros momentos da guerra. Deixam o Forte às 23:00 horas, sem terem sido notados pelos paraguaios. No dia 29, os soldados de Barrios tomam o Forte de Coimbra.

Encontraram-no sem nenhum brasileiro! Este foi o primeiro ato da Guerra do Paraguai.
150 anos depois, durante a transmissão da Missa do Galo no Vaticano, na noite do dia 24 de dezembro de 2014, o comentarista brasileiro citou, durante a Santa Missa, a passagem de Nossa Senhora do Carmo, que salvou a Guarnição de Coimbra, no dia 28 de dezembro de 1864! Um belo reconhecimento aos defensores do Forte de Coimbra, que ajudaram a escrever um dos mais heroicos episódios da nossa história, lamentavelmente, ainda, desconhecido da maioria dos sul-mato-grossenses, e que Roma anunciou ao mundo inteiro!

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Dia do Autismo: desafios da inclusão escolar e da alfabetização

02/04/2025 07h45

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O dia 2 de abril é internacionalmente conhecido e celebrado como o Dia Mundial do Autismo. A data foi criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) para conscientizar e trazer visibilidade acerca dessa questão. Porém, para além da data, devemos estar sempre vigilantes sobre a importância e os desafios de inclusão escolar e da alfabetização de crianças autistas.

O transtorno do espectro autista (TEA) é um transtorno de neurodesenvolvimento caracterizado por deficits de interação social, problemas de comunicação verbal e não verbal e comportamentos repetitivos com interesses restritos.

Características comuns no autismo são: pouco contato visual, pouca reciprocidade, atraso de aquisição de fala e linguagem, desinteresse ou inabilidade de socializar, dificuldade em usar pronomes, ecolalia, manias e rituais, entre outros.

Por volta dos dois anos, a criança pode apresentar sinais que indicam autismo. O diagnóstico precoce é fundamental para o tratamento. Como o transtorno é um espectro, algumas crianças com autismo falam, mas não se comunicam, ou são pouco fluentes e até mesmo não falam nada. Uma criança com autismo não verbal se alfabetiza, mas a dificuldade muitas vezes é maior.

Por esse motivo, é muito importante o olhar individualizado. Também é importante estar atento na possibilidade de comorbilidades, como, por exemplo, deficiência intelectual. Vale ressaltar que, por outro lado, algumas crianças com TEA apresentam altas habilidades.

Os desafios que surgem no processo de alfabetização no autismo não impedem que ele ocorra, mas podem servir de motivação e inspiração para os professores.

A metodologia fônica é a mais indicada para o processo de alfabetização em transtornos do neurodesenvolvimento como o autismo. O mais importante é considerar a individualidade de cada aluno no planejamento pedagógico, fazendo as adaptações necessárias.

Atividades que podem estimular a consciência fonológica de crianças com autismo são, por exemplo, sílabas, em que você escolhe uma palavra e estimula a repetição das sílabas que compõem a palavra.

Outra dica são os fonemas, direcione a atenção da criança aos sons que compõem cada palavra, sinalizando padrões e diferenças entre eles. Já nas rimas, leia uma história conhecida e repita as palavras que rimem.

As crianças com autismo podem ter facilidade na identificação direta das palavras. Ou seja, conseguem decorar facilmente, mas têm dificuldade nas habilidades fonológicas mais complexas, como perceber o seu contexto.

A inclusão escolar acaba com a segregação dos alunos com dificuldades de aprendizagem, transtornos e deficiências. Ainda que a prática da inclusão apresenta novos desafios, os benefícios são inúmeros, para todos.

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Uma rotina de estudos assertiva é vital para o sucesso dos estudantes

02/04/2025 07h15

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A pandemia da Covid-19 causou diversos impactos na população, inclusive nos estudantes. Para se ter uma ideia, de acordo com uma pesquisa realizada pelo C6 Bank em parceria com o Datafolha, 46% das crianças e adolescentes relataram estar com dificuldade no processo de aprendizagem após o ano de 2020, dado que reforça a necessidade de uma rotina de estudos assertiva.

Embora a experiência de aprendizagem nos ambientes escolares seja imprescindível, ela não necessariamente ajuda na fixação do conteúdo. Isso decorre da revisão, pois é nesse momento que as dificuldades são identificadas e as dúvidas geradas. Por isso, é essencial que os estudantes definam uma rotina, bem como as melhores metodologias e tecnologias, para que o equilíbrio entre os estudos e o lazer aconteça. Dessa maneira, é possível mitigar dificuldades e atingir resultados mais satisfatórios, principalmente nos vestibulares.

Um dos primeiros passos para criar uma rotina de estudos é escolher o método mais adequado, que pode variar de acordo com a rotina de cada estudante. Essa definição se faz necessária, pois após usar a memória de curto prazo para compreender o conteúdo, o estudante precisa adotar estratégias que ajudem a fixar esse conhecimento na memória de longo prazo.

Dado que a memória de curto prazo tem um tempo estimado entre uma e seis horas de duração, o estudante necessariamente precisa revisitar o conteúdo aprendido dentro desse espaço de tempo, a fim de fixar os conteúdos que poderão ser lembrados em momentos decisivos, como em avaliações e concursos.

Um método muito recomendado consiste no estudante ensinar a matéria para o espelho, ou seja, para si mesmo. Segundo a pirâmide de aprendizagem pensada pelo psiquiatra americano William Glasser, a porcentagem de retenção do conteúdo quando se ensina para outras pessoas é de 95%.

Mesmo que não se tenha domínio do conteúdo, falar sobre o assunto em voz alta, explicando da própria maneira, ativa diversas partes sensoriais do corpo, que são reativadas no momento da prova, trazendo as memórias necessárias para relembrar os principais pontos da matéria.

Além desse, existe o método Pomodoro, criado pelo italiano Francesco Cirillo, que consiste em dividir o estudo em intervalos de 25 minutos, chamados de pomodoros, colocando uma pausa de 5 minutos entre cada um. Dessa forma, o cérebro consegue descansar e retomar os estudos com uma melhor velocidade e rendimento.

Outra dica é acionar a coordenação pedagógica da instituição de ensino, que pode ajudar a identificar e escolher o melhor método, capaz de auxiliar o estudante a ter êxito em seus objetivos acadêmicos sempre de acordo com os conteúdos vistos no ambiente de aprendizagem.

Independentemente do método escolhido, é importante que o estudante se envolva totalmente no processo e mantenha uma postura ativa diante de seu aprendizado. Quanto mais engajado ele estiver com o tema, mais aprende efetivamente sobre ele.

O avanço da tecnologia também têm ajudado a rotina de estudo de crianças e jovens. Atualmente, existem diversas ferramentas e vídeos na internet que conseguem aprimorar a experiência de aprendizagem.

Plataformas de simulados, por exemplo, conseguem mapear o desempenho e identificar as dificuldades em cada matéria. Isso é de extrema valia no Ensino Médio, quando os estudantes estão se preparando para os vestibulares, pois os professores conseguem identificar deficits e, assim, auxiliar no cronograma de estudos de uma forma mais assertiva.

Mas é preciso tomar cuidado para que a tecnologia não se torne uma distração. Os celulares, tablets e computadores, no momento do estudo, devem ser utilizados exclusivamente para a aprendizagem, e não para outros fins.

Mesmo com a definição de um cronograma e a escolha do melhor método, ainda existem empecilhos nessa jornada que dificultam a realização de uma rotina de estudos eficaz, como o dia a dia familiar. Isso pode virar um problema quando o estudante vive em um ambiente movimentado, sem a possibilidade de estudar em um lugar silencioso. Inclusive, ainda de acordo com a pesquisa do C6 Bank, dois em cada cinco estudantes relataram perda da capacidade de concentração após a pandemia.

Desafios como esse podem ser identificados durante conversas com os estudantes e, nesses casos, a coordenação deve conscientizar a família para que seja definido os melhores horários para o estudo, um ambiente tranquilo e sem distrações, para garantir a aprendizagem completa.

Por fim, é importante ressaltar que, mesmo com o apoio das técnicas elencadas, o acompanhamento dos profissionais de ensino dia após dia é essencial. Apenas dessa maneira é possível acompanhar a progressão de perto e garantir melhores níveis de aprendizagem, lembrando sempre que aprender não é decorar ou simplesmente memorizar, é experienciar, fazer parte e praticar.

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