O governador André Puccinelli (PMDB) deve amanhecer hoje reeleito, segundo avaliação de todos os institutos de pesquisas eleitorais, enquanto três candidatos ao Senado, Dagoberto Nogueira (PDT), Murilo Zauith (DEM) e Waldemir Moka (PMDB), deverão acordar ou perder sono angustiados com a incerteza de quem vai ocupar a segunda vaga de senador. A primeira já está, teoricamente, assegurada para Delcídio do Amaral (PT), que deve conquistar o segundo mandato com folga, se for confirmada a tendência apontada nas pesquisas.
Do jeito que a disputa está acirradíssima, os três postulantes a senador terão de esperar a contagem final dos votos para comemorar a vitória ou chorar a derrota. Nada está definido. O que se vê é a angústia de cada um correndo atrás de votos até ontem para escapar da perseguição dos concorrentes. A chuva de ontem atrapalhou o plano de Dagoberto de caminhar nas ruas de Campo Grande. Como não choveu em Dourados, pela manhã, Murilo aproveitou para arrebanhar mais alguns votos.
Chance da oposição
Com a disputa apertada, a oposição tem chance de eleger dois senadores: Delcídio e Dagoberto e perder a disputa para o Governo do Estado. O cenário em Mato Grosso do Sul é semelhante ao de São Paulo, onde o PSDB deve eleger Geraldo Alckmin para governador e não conquistar nenhuma vaga no Senado. Hoje, o favorito para senador está o cantor Netinho (PCdoB) e Marta Suplicy (PT). Os dois são aliados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e à candidata Dilma Rousseff (PT)
Para tentar virar o jogo, o governador André Puccinelli convocou todos os militantes para “jogar tudo” nos últimos dias para garantir a vaga para Moka. Até ontem, havia movimentação da coligação do PMDB para salvar a sua eleição.
Esta convocação de André confirmou, mais uma vez, a preferência por Moka e deixou Murilo lutando sozinho com alguns fiéis aliados até o último dia na guerra pela segunda vaga de senador. Ele foi ignorado pelo governador durante grande parte da campanha eleitoral e mesmo assim surpreendeu na reta final, encostou em Dagoberto e Moka e chega hoje às urnas com real chance de conquistar uma vaga no Senado.
Chance governista
Outra surpresa poderá ser a grande votação de Murilo em Campo Grande. Isso se deve também ao empenho do prefeito Nelsinho Trad (PMDB) e do seu vice, Edil Albuquerque (PMDB), indicado a suplente do candidato. Ontem, ele comemorava a repercussão de seu crescimento nos últimos dias.
O que também ajudou Murilo é ter a região da Grande Dourados como sua maior base político-eleitoral. As últimas pesquisas mostraram, inclusive, sua vantagem sobre o senador Delcídio do Amaral.
Apesar de não contar com apoio explícito de André Puccinelli, Murilo está na disputa para garantir uma vaga para a chapa do governador, caso Moka seja derrotado.
Força de Dagoberto
Outro que chegou com força à reta final da campanha foi o deputado federal Dagoberto Nogueira. Ele comentou ter entrado na disputa sem nenhuma estrutura e dinheiro para campanha. Mas gastou muita sola de sapato nas caminhadas em quase todos os municípios de Mato Grosso do Sul ao lado do ex-governador José Orcírio dos Santos. “Enfrentei o poder da máquina e cheguei até aqui com chance de sair vencedor. E vou vencer e conquistar uma vaga de senador”, declarou.
Dagoberto estava, também, feliz com a grande adesão de eleitores nos últimos dias. Ele se dá por satisfeito de chegar hoje com a real perspectiva de ganhar uma vaga de senador. O desempenho dele surpreendeu até os governistas que esperavam um massacre de Moka. Nada disso aconteceu. Ele não conseguiu atropelar Dagoberto e corre o risco de ser superado por Murilo que chega hoje com muita força.
Quem amanhece tranquilo hoje é o senador Delcídio do Amaral. Em 2002, ele superou, também na reta final da campanha, o mito da política estadual, ex-governador Pedro Pedrossian, que era considerado imbatível e contava com a eleição garantida. Mas foi surpreendido nas urnas pelos votos de última hora conquistados por Delcídio. O petista, portanto, ganhou as eleições com muita dificuldade e chega hoje à urnas sem passar pelo mesmo sofrimento.
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