Mesmo admitindo vitória de Dilma Rousseff (PT), o governador André Puccinelli declarou ontem que estará trabalhando pela eleição de José Serra (PSDB) à Presidência da República e fez duras críticas ao Governo federal.
Em coletiva concedida na TV estatal um dia depois de se reeleger ao Governo do Estado, Puccinelli queixou-se sobre o tratamento dado pelo Governo federal às verbas da saúde e disse ser importante ressaltar que muitos problemas ainda dependem de Brasília para que sejam resolvidos. “Os municípios e Estado tiveram que aumentar investimentos”, disse, lembrando do fim da CPMF, imposto sobre cheques cuja finalidade era o custeio da saúde. “Grande parte dos R$ 40 bilhões da CPMF era jogada na saúde. Ficou uma diminuição vultosa da aplicação”, afirmou.
“O governo federal está falhando porque não aumentou o repasse. Caiu a quantidade total de investimentos”, disse. Puccinelli também reclamou da demora na discussão e aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 29, que determina o investimento de 10% do orçamento federal em saúde. “É uma boa grana. Não sei quanto, mas aliviava bem o lombo do Andrezinho”, declarou.
Puccinelli, que fez campanha “discreta” para o tucano na disputa pela Presidência da República, afirmou que vai manter o apoio no segundo turno. “Eu sempre fui polêmico por dizer o que eu penso e nem sempre o que o pessoal quer ouvir. Eu acho que o Serra perde, mas eu mantenho meu apoio”, afirmou na manhã de ontem.
Até o ano passado, Puccinelli anunciava grande simpatia pela então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), candidata adversária ao tucano. Chamava-a de fada madrinha e dizia-se “um noivo de rosa branca na lapela”.
Ontem, ao ser informado de que teria de encerrar a entrevista para atender dois telefonemas urgentes de Brasília (DF), Puccinelli brincou: “Andrezinho pode ser um noivo cobiçado”.
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