O desejo por mudanças na política em Mato Grosso do Sul, com a saída do cenário da disputa eleitoral do governador André Puccinelli (PMDB) e do ex-governador José Orcírio dos Santos (PT), provoca a antecipação do debate do processo eleitoral de 2012. As lideranças partidárias estão de olho na cadeira ocupada hoje por André e começam a preparar os candidatos a prefeito, que serão a base político-eleitoral dos concorrentes à sucessão estadual.
O debate eleitoral começou a acontecer antes mesmo de o governador André Puccinelli assumir oficialmente o segundo mandato. A partir deste mês, a discussão ganhou mais dimensão em virtude da eleição extemporânea para a Prefeitura de Dourados quando os partidos rivais se juntaram em torno do candidato Murilo Zauith (DEM).
A união em Dourados não é nenhuma garantia de reedição da aliança na sucessão em Campo Grande e no Governo do Estado.
O fato é que sem André na disputa, que estará concluindo o segundo mandato no fim de 2014, o PMDB aposta na candidatura do prefeito de Campo Grande, Nelsinho Trad, para sucessão estadual. É o nome em preparação dentro do PMDB, com apoio explícito do atual governador. “Chegou a hora de Nelsinho”, comentou André, dias atrás, ao falar das eleições de 2014.
O governador disse ser hoje o avô na política e vai estimular a “gurizada a ocupar os cargos importantes no Estado”. Além de Nelsinho, ele destacou a vice-governadora Simone Tebet (PMDB) para disputar ao Senado.
Indecisos
O PSDB, maior partido de oposição ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva e, agora, de Dilma Rousseff, vive a incógnita de sair da confortável sombra do PMDB para concorrer à Prefeitura de Campo Grande, em 2012, e o Governo do Estado, em 2014, e enfrentar o “velho parceiro” de embates eleitorais. Os dois sempre jogaram juntos na mesma trincheira para combater o “inimigo” comum, o PT.
O problema dos tucanos, segundo um expressivo líder peemedebista, é a falta de alternativa para concorrer as eleições de prefeito da Capital e governador e por medo de sair humilhado nas urnas. Mas o partido, em fase de discussão de refundação depois da derrota nas últimas três eleições presidenciais, pode ser obrigado a lançar candidato próprio a prefeito da Capital e ao Governo do Estado para construir uma base eleitoral.
Para prefeitura, o deputado federal eleito Reinaldo Azambuja já manifestou interesse. Ele foi prefeito de Maracaju e está decidido a transferir o seu domicílio eleitoral para Campo Grande com olho no cargo de Nelsinho Trad.
O principal nome tucano em Mato Grosso do Sul é, no entanto, da senadora Marisa Serrano, vice-presidente nacional do partido. Ela pode entrar na briga pelo Governo do Estado para evitar o confronto direto com a vice-governadora Simone Tebet na disputa por única vaga ao Senado. O temor de Marisa é ser despejada do Senado pelo eleitor. Então é melhor desistir. O problema é a falta de motivação de Marisa para disputar a sucessão estadual.
Decididos
Esse não é o caso do senador Delcídio do Amaral (PT). Ele está decidido a concorrer ao Governo do Estado, em 2014. Antes, porém, precisa quebrar a resistência no próprio partido, no qual tem grandes adversários liderados pelo grupo do ex-governador José Orcírio dos Santos.
O senador é acusado pelo grupo do ex-governador de “trairagem” nas eleições deste ano. Delcídio tem respondido às críticas que apoiou José Orcírio na mesma proporção que recebeu nas eleições de 2006.
Para não ter os planos frustrados, a estratégia de Delcídio é minar a força do ex-governador dentro do PT. A ideia é cooptar algumas lideranças “zequistas” influentes até as eleições de 2014.
Com um PT rachado, Delcídio pode entrar na disputa eleitoral enfraquecido. Unido, ele se transforma num candidato forte. Os adversários, no entanto, torcem para a crise no PT não acabar. Por causa da divisão no partido, José Orcírio participou da campanha eleitoral sem o respaldo do grupo do senador Delcídio do Amaral e acabou nem ameaçando a reeleição do governador André Puccinelli.
A grande dificuldade do PT, no entanto, é construir uma candidatura a prefeito de Campo Grande. Não há opções nos quadros do partido. Os nomes existentes estão consolidados em suas posições, como o deputado federal Vander Loubet, principal herdeiro político do grupo do ex-governador José Orcírio. O deputado deve optar a ficar no Congresso Nacional a se aventurar numa disputa desgastante para a prefeitura.
Renovação
O DEM, por sua vez, passará por fase de reestruturação em Mato Grosso do Sul com a liderança emergente do deputado federal eleito Luiz Henrique Mandetta e com a provável eleição do ex-vice-governador Murilo Zauith para prefeito de Dourados. O partido vai ganhar fôlego se conquistar a prefeitura do segundo maior município do Estado.
Mas isso não significa independência política do partido. O rumo a ser tomado por Mandetta, na presidência regional, será em consonância à orientação do prefeito Nelsinho Trad. Portanto, dificilmente o DEM terá candidato próprio a prefeito da Capital sem o aval de Nelsinho.
O que não será diferente com o PR. O partido presidido pelo deputado estadual Londres Machado está atrelado ao governador André Puccinelli. O seu braço direito, Edson Giroto, estreou nas urnas pelo PR com a eleição para deputado federal. Foi o mais votado da história política de Mato Grosso do Sul. Seria, portanto, cotado para concorrer à prefeitura da Capital, mas deve aguardar a orientação de André para evitar divisão na base aliada.