Devido a crise financeira que atinge a Prefeitura de Campo Grande, a Secretaria Municipal de Assistência Social (SAS) cortou horas-extras de funcionários e afirma que, por isso, servidores começaram um "motim", com ameaças entre eles. O relato foi feito pela titular da pasta, Janete Belini D’Oliveira, nesta quarta-feira (8), na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Contas Públicas, instaurada na Câmara Municipal para averiguar as finanças do Executivo.
Durante a oitiva, a secretária, que negou perseguição da pasta aos servidores demitidos após cobrarem os valores em atraso. “Eles [motoristas] fizeram um motim na SAS, impediram que outros motoristas saíssem. Ali, não houve acordo. Fizeram um motim tremendo na secretaria, inclusive ameaçando, tratando mal nossos servidores, principalmente quem ia conversar com eles. Foi uma baderna. Tivemos que fazer isso, infelizmente”, narrou.
Segundo Janete, com a crise iminente, a Secretaria passou a cortar gastos, como água, luz e telefone, além de reduzir as gratificações e o número de servidores comissionados, conforme determinação do prefeito Gilmar Olarte (PP). Ela garante, ainda, que os funcionários foram avisados de que não deveriam mais fazer horas-extras como forma de conter gastos.
De acordo com dados apresentados na oitiva, a SAS tem 1.350 servidores em sua folha de pessoal. A maior parte, cerca de 800, são cedidos por convênios, e 230 são efetivos aprovados em concurso público. A secretaria garante que a pasta tem somente 21 cargos em comissão, um dos alvos da CPI.
Como os números divergem dos apresentados pela Secretaria Municipal de Planejamento, Finanças e Controle (Seplanfic), o presidente da comissão, vereador Eduardo Romero (PT do B), solicitou, de maneira detalhada, demonstrativo de despesas e folha de pagamento da Secretaria.
Ainda em depoimento, a secretária levantou a necessidade de se informatizar os procedimentos da pasta, já que, segundo ela, não há um sistema de gerenciamento dos funcionários e lamentou não ter em mãos todas as informações solicitadas pelos vereadores da CPI.