Política

BRASÍLIA

"Se Moro estiver insatisfeito, deve sair", diz deputado

Para o deputado Dr. Luiz Ovando, "essa novela já se estendeu demais"

Bruna Aquino

24/04/2020 - 09h55

O aliado do presidente Jair Bolsonaro de primeira ordem em Mato Grosso do Sul, deputado federal Dr. Luiz Ovando (PSL-MS), disse que se o ministro da Justiça Sérgio Moro estiver insatisfeito com a exoneração do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Maurício Leite Valeixo, deve se afastar do cargo.

Embora a exoneração tenha sido publicada no Diário Oficial da União de hoje como se fosse “a pedido”, informação é de que Moro  ficou indignado porque não assinou a demissão e não esperava que fosse hoje, tanto que convocou uma entrevista coletiva para hoje às 11h (horário de Brasília), para falar se fica ou não na pasta.

Como o cargo é de livre nomeação do presidente, o ministro não precisaria assinar o despacho, mas ontem Bolsonaro teria avisado Moro que demitiria Valeixo. O que acabou ocorrendo.

 

Entre os motivos estariam investigações envolvendo pessoas próximas ao presidente da República e a acomodação do centrão – grupo formado por vários partidos – que Bolsonaro busca atrair para a sua base aliada na Câmara dos Deputados, após declarar “guerra” ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, do DEM, mesmo partido do ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que deixou o cargo após desavenças com o presidente.

Para o deputado Dr. Luiz Ovando, “essa novela já se estendeu demais. Se estiver desconfortável no Ministério eu respeito sua opinião de deixar a pasta”, referindo a possível saída de Moro do ministério da Justiça. Ovando deu a declaração ontem à noite, quando ainda não havia sido divulgada exoneração.

Ovando é um forte aliado de Bolsonaro no Estado, tanto que foi o coordenador da coleta de assinaturas do partido Aliança pelo Brasil, que o presidente  Bolsonaro queria criar para ter candidatos de sua confiança concorrendo a cargos de prefeitos e vereadores nas eleições deste ano. Este partido foi idealizado após desavença de Bolsonaro com o presidente  do PSL, Luciano Bivar, por causa da administração do fundo eleitoral da legenda.

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