O aliado do presidente Jair Bolsonaro de primeira ordem em Mato Grosso do Sul, deputado federal Dr. Luiz Ovando (PSL-MS), disse que se o ministro da Justiça Sérgio Moro estiver insatisfeito com a exoneração do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Maurício Leite Valeixo, deve se afastar do cargo.
Embora a exoneração tenha sido publicada no Diário Oficial da União de hoje como se fosse “a pedido”, informação é de que Moro ficou indignado porque não assinou a demissão e não esperava que fosse hoje, tanto que convocou uma entrevista coletiva para hoje às 11h (horário de Brasília), para falar se fica ou não na pasta.
Como o cargo é de livre nomeação do presidente, o ministro não precisaria assinar o despacho, mas ontem Bolsonaro teria avisado Moro que demitiria Valeixo. O que acabou ocorrendo.
Entre os motivos estariam investigações envolvendo pessoas próximas ao presidente da República e a acomodação do centrão – grupo formado por vários partidos – que Bolsonaro busca atrair para a sua base aliada na Câmara dos Deputados, após declarar “guerra” ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, do DEM, mesmo partido do ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que deixou o cargo após desavenças com o presidente.
Para o deputado Dr. Luiz Ovando, “essa novela já se estendeu demais. Se estiver desconfortável no Ministério eu respeito sua opinião de deixar a pasta”, referindo a possível saída de Moro do ministério da Justiça. Ovando deu a declaração ontem à noite, quando ainda não havia sido divulgada exoneração.
Ovando é um forte aliado de Bolsonaro no Estado, tanto que foi o coordenador da coleta de assinaturas do partido Aliança pelo Brasil, que o presidente Bolsonaro queria criar para ter candidatos de sua confiança concorrendo a cargos de prefeitos e vereadores nas eleições deste ano. Este partido foi idealizado após desavença de Bolsonaro com o presidente do PSL, Luciano Bivar, por causa da administração do fundo eleitoral da legenda.