Política

ADMINISTRAÇÃO ESTADUAL

Governo dá mais um passo para acomodação de aliados para 2022

Projeto da minirreforma administrativa passou na CCJ da Assembleia e deve ir a Plenário em breve

Beatriz Magalhães

21/04/2021 - 09h31

O projeto de Reinaldo Azambuja (PSDB) para ampliar a base de aliados, visando as eleições de 2022, e afastar possíveis adversários para a disputa ao governo do Estado teve mais um passo dado ontem. 

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa emitiu parecer favorável ao Projeto de Lei 83/2021, que autoriza a mudança na estrutura administrativa do Estado.  

A principal modificação será a recriação da Secretaria da Casa Civil e da Secretaria de Cultura e Cidadania. 

O mesmo projeto ainda desloca a Consultoria Legislativa da Secretaria de Estado de Governo e Gestão Estratégica para a Governadoria.  

O novo desenho de Reinaldo Azambuja visa abrir espaço para novos e antigos aliados no primeiro escalão do governo, mas também no Legislativo, como a Câmara Municipal de Campo Grande e a Assembleia Legislativa.  

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Por enquanto, o nome mais cotado é de quem já ocupou a Casa Civil anteriormente: Sérgio de Paula, presidente estadual do PSDB. Especula-se que deputados estaduais como Barbosinha (DEM) e Lídio Lopes (Patriotas) poderão ocupar o cargo.  

Se Lídio for nomeado, será um claro sinal de que a Prefeitura de Campo Grande também está no projeto de acomodação e de que o prefeito da Capital, Marcos Trad (PSD), teria desistido de qualquer pretensão de lançar candidatura ao governo do Estado nas próximas eleições.  

O arranjo político visa pavimentar o caminho para que o secretário de Infraestrutura, Eduardo Riedel (PSDB), consolide sua candidatura.  

Os parlamentares citados acima foram procurados pelo Correio do Estado. Lídio Lopes afirmou, por meio da assessoria, que não gostaria de se posicionar sobre a possível saída do Legislativo. 

“O deputado prefere não se posicionar quanto a esse assunto porque não chegou nenhuma informação a respeito disso até ele”.  

O Correio do Estado tentou contato com o deputado Barbosinha, porém, não obteve resposta até o fechamento desta edição. O nome do PSDB para as eleições do ano que vem é o secretário de Infraestrutura do Estado, Eduardo Riedel. 

Ele acabou deixando a Secretaria de Estado de Governo e Gestão (Segov), que passou a ser ocupada por Sérgio Murilo, que é presidente estadual do Podemos. 

Essa mudança também ocorreu com o objetivo de trazer outra legenda para o grupo de Azambuja. Outro fator que pesou foi a performance do Podemos nas eleições municipais, uma das legendas que mais cresceu em Mato Grosso do Sul.  

Hoje, por exemplo, o partido tem três cadeiras na Câmara Municipal da Capital, sendo a segunda maior bancada da Casa, ao lado do aliado PSDB.  

ARRANJOS NA CAPITAL

Essa movimentação no âmbito estadual também teve efeito na Prefeitura de Campo Grande. O prefeito Marcos Trad (PSD) havia se afastado após a campanha eleitoral do governador Azambuja. No entanto, após esses arranjos, tudo indica, como disse uma fonte ouvida pela reportagem, que o “jogo empatou”. Portanto, nessa conjuntura, tanto o senador Nelson Trad (PSD)quanto seu irmão e prefeito deverão caminhar com os tucanos nas próximas eleições.  

Para compensar essa perda “política”, o PSDB teve de abrir espaço na estrutura governamental, bem como a prefeitura da Capital. Carlos Alberto de Assis (PSDB) deixou o cargo de secretário especial no Escritório de Gestão Política do governo e assumiu o posto de diretor-presidente da Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos (Agepan). Quem deve assumir o posto deixado por Assis é o vereador e líder tucano na Câmara de Campo Grande, João César Mattogrosso.  

Com isso, o suplente de Matogrosso, Ademir Santana (PSDB), assumiria a cadeira deixada por ele. O político, que é aliado do prefeito Marcos Trad, não obteve sucesso nas urnas no ano passado. Ele é investigado na nova fase da Operação Omertà, que investiga crimes de extorsão, lavagem de dinheiro e estabelecimento ou exploração de jogo de azar.

A dança das cadeiras continuou no Executivo municipal. Claudinho Serra (PSDB), ligado a Reinaldo, assumiu o cargo de diretor-presidente da Fundação Municipal de Esportes (Funesp). Rodrigo Terra, que ocupava o posto, foi alocado como secretário municipal de Desenvolvimento Econômico. Hebert Souza, antigo titular da Sedesc, não foi alocado por enquanto.  

Outro aliado de Trad que também teve uma recompensa após ter sido derrotado nas urnas foi o ex-vereador Odilon de Oliveira (PSD). 

O nome dele foi publicado como diretor-presidente da Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos (Agereg) no lugar de Vinícius Leite, que passa a ter cargo comissionado de diretor-executivo de Articulação Econômica no gabinete do prefeito.  

Esse arranjo também é um afago ao político, já que o pai dele, o juiz aposentado Odilon de Oliveira (sem partido), era cotado para concorrer à Prefeitura de Campo Grande no ano passado, mas decidiu apoiar Trad. 

O magistrado surpreendeu a política local quando se lançou pela primeira vez a um cargo eletivo já como governador e foi ao segundo turno contra Reinaldo Azambuja. Ou seja, poderia ser uma “pedra no sapato” nas pretensões de reeleição de Marcos Trad.

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