Política

DISCUSSÃO EM ALTA

Com aumento de mortes, parlamentares intensificam defesa de tratamento precoce

Dois principais defensores desse método são os médicos, Sandro Benites (Patri) e Luiz Ovando (PSL); Para eles politizaram a questão

Flávio Veras

04/05/2021 - 00h00

Alguns parlamentares de Mato Grosso do Sul intensificaram a defesa do tratamento precoce pelo chamado “KIt Covid”.  

De acordo com eles, nos primeiros sintomas da  infecção provocada pelo novo coronavírus, o coquetel de medicamentos pode atrasar ou evitar a possibilidade que a doença desenvolva a sua forma mais grave.  

No entanto, eles afirmam que politizaram o assunto e hoje esse método é totalmente descartado por extremos, assim como tem outro pólo que descarta a possibilidade de também se imunizar contra a Covid-19.

Por exemplo, o vereador de Campo Grande, Sandro Benites (Patri), teve sua campanha eleitoral baseada, entre outras bandeiras, na defesa do tratamento precoce.  

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No entanto, ele se defende desse estigma dizendo que, como médico, existem tratamentos para cada fase da doença e; apenas um método, ou apenas um medicamento; não faz “milagre”.

Além disso, ele falou que não se pode descartar nenhuma medida que evite o contágio, como o distanciamento social e higiene, bem como a vacina é a arma mais importante que o mundo tem contra a pandemia.  

"Eu recomendo aos meus pacientes que o tratamento precoce se dá na fase inicial da doença, ou seja, quando a infecção não atinge seu grau máximo. Quando isso ocorre temos que entrar com antibióticos, corticoides e anti-coagulantes."

E complementou a informação dizendo que "o problema é que as pessoas fazer o uso desses tipo de tratamento sem acompanhamento médico, essa doença é traiçoeira, o que serve para um, não serve para outra paciente”, disse.

Sobre a responsabilidade como homem público em divulgar esses medicamentos sem comprovação científica, como faz o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o médico e vereador voltou a falar da importância do acompanhamento de um especialista.  

Me ligam sempre me perguntando se pode usar o medicamento A ou B, eu falo nenhum dos dois, pois não conheço seu histórico médico e, portanto, não posso aconselhar nenhum tratamento. O importante é ter um médico para chamá-lo de seu”, aconselhou.

Já o deputado federal Luiz Ovando (PSL) tem uma defesa mais enfática do uso desses medicamentos sem comprovação científica. De acordo com ele, o problema é a politização em torno dele, apenas pela defesa do presidente a eles.  

“Se fosse outra figura política que levantasse essa bandeira, a opinião pública ouviria e procuraria estudos que apontassem a eficácia do uso desses remédios de forma preventiva. Por exemplo, para mim um médico que recebe um paciente com Covid e manda voltar para a sua casa e receita apenas um dipirona é um genocida, esse sim deve ser classificado como”, questionou.

Outro político que usou as redes sociais para informar que estava fazendo nebulização com a cloroquina diluída, algo que acendeu um alerta na comunidade científica por potencializar os efeitos do medicamento, foi o deputado estadual Herculano Borges (Solidariedade).  

No entanto, ele afirmou ao Correio do Estado que foi mal interpretado e rechaça a pecha de negacionista, que foi classificado pela publicação.  

“Não sou negacionista, sei que essa doença é gravíssima e que a vacina é a única solução até agora para enfrentarmos esse inimigo. Porém, se você estiver em uma guerra e apenas um pedaço de madeira em sua mão, você não irá usá-lo?”, questionou.

Além dele, a deputada Mara Caseiro (PSDB) também publicou, em suas redes sociais, a informação que ela, bem como toda a sua família, utilizaram o Kit Covid, após terem sido infectados pela doença.  

“Hoje me senti na obrigação de dizer minha experiência com a Covid-19. Acredito que esteja havendo muita politização dessa doença, porém não precisamos permitir isso no momento. Precisamos trazer à luz experiências que deram certo, não posso afirmar que o sucesso na minha família seja em todos, pois cada organismo reage de um jeito”, revelou.

Coquetel

O Kit-Covid é composto pelos medicamentos hidroxicloroquina, a azitromicina, a ivermectina e a nitazoxanida, além dos suplementos de zinco e das vitaminas C e D.

Apesar da defesa efusiva, por parte do presidente Bolsonaro, parlamentares e profissionais da medicina, o coquetel de remédios não tem comprovação científica.  

Alguns especialistas alertam que eles podem trazer efeitos colaterais e, seu uso sem a comprovação de efetividade contra a Covid, traria mais riscos aos pacientes do que benefícios.

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