Alguns parlamentares de Mato Grosso do Sul intensificaram a defesa do tratamento precoce pelo chamado “KIt Covid”.
De acordo com eles, nos primeiros sintomas da infecção provocada pelo novo coronavírus, o coquetel de medicamentos pode atrasar ou evitar a possibilidade que a doença desenvolva a sua forma mais grave.
No entanto, eles afirmam que politizaram o assunto e hoje esse método é totalmente descartado por extremos, assim como tem outro pólo que descarta a possibilidade de também se imunizar contra a Covid-19.
Por exemplo, o vereador de Campo Grande, Sandro Benites (Patri), teve sua campanha eleitoral baseada, entre outras bandeiras, na defesa do tratamento precoce.
No entanto, ele se defende desse estigma dizendo que, como médico, existem tratamentos para cada fase da doença e; apenas um método, ou apenas um medicamento; não faz “milagre”.
Além disso, ele falou que não se pode descartar nenhuma medida que evite o contágio, como o distanciamento social e higiene, bem como a vacina é a arma mais importante que o mundo tem contra a pandemia.
"Eu recomendo aos meus pacientes que o tratamento precoce se dá na fase inicial da doença, ou seja, quando a infecção não atinge seu grau máximo. Quando isso ocorre temos que entrar com antibióticos, corticoides e anti-coagulantes."
E complementou a informação dizendo que "o problema é que as pessoas fazer o uso desses tipo de tratamento sem acompanhamento médico, essa doença é traiçoeira, o que serve para um, não serve para outra paciente”, disse.
Sobre a responsabilidade como homem público em divulgar esses medicamentos sem comprovação científica, como faz o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o médico e vereador voltou a falar da importância do acompanhamento de um especialista.
Me ligam sempre me perguntando se pode usar o medicamento A ou B, eu falo nenhum dos dois, pois não conheço seu histórico médico e, portanto, não posso aconselhar nenhum tratamento. O importante é ter um médico para chamá-lo de seu”, aconselhou.
Já o deputado federal Luiz Ovando (PSL) tem uma defesa mais enfática do uso desses medicamentos sem comprovação científica. De acordo com ele, o problema é a politização em torno dele, apenas pela defesa do presidente a eles.
“Se fosse outra figura política que levantasse essa bandeira, a opinião pública ouviria e procuraria estudos que apontassem a eficácia do uso desses remédios de forma preventiva. Por exemplo, para mim um médico que recebe um paciente com Covid e manda voltar para a sua casa e receita apenas um dipirona é um genocida, esse sim deve ser classificado como”, questionou.
Outro político que usou as redes sociais para informar que estava fazendo nebulização com a cloroquina diluída, algo que acendeu um alerta na comunidade científica por potencializar os efeitos do medicamento, foi o deputado estadual Herculano Borges (Solidariedade).
No entanto, ele afirmou ao Correio do Estado que foi mal interpretado e rechaça a pecha de negacionista, que foi classificado pela publicação.
“Não sou negacionista, sei que essa doença é gravíssima e que a vacina é a única solução até agora para enfrentarmos esse inimigo. Porém, se você estiver em uma guerra e apenas um pedaço de madeira em sua mão, você não irá usá-lo?”, questionou.
Além dele, a deputada Mara Caseiro (PSDB) também publicou, em suas redes sociais, a informação que ela, bem como toda a sua família, utilizaram o Kit Covid, após terem sido infectados pela doença.
“Hoje me senti na obrigação de dizer minha experiência com a Covid-19. Acredito que esteja havendo muita politização dessa doença, porém não precisamos permitir isso no momento. Precisamos trazer à luz experiências que deram certo, não posso afirmar que o sucesso na minha família seja em todos, pois cada organismo reage de um jeito”, revelou.
Coquetel
O Kit-Covid é composto pelos medicamentos hidroxicloroquina, a azitromicina, a ivermectina e a nitazoxanida, além dos suplementos de zinco e das vitaminas C e D.
Apesar da defesa efusiva, por parte do presidente Bolsonaro, parlamentares e profissionais da medicina, o coquetel de remédios não tem comprovação científica.
Alguns especialistas alertam que eles podem trazer efeitos colaterais e, seu uso sem a comprovação de efetividade contra a Covid, traria mais riscos aos pacientes do que benefícios.