A CPI da Covid-19 no Senado Federal terá início nesta terça-feira (4) com o depoimento do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta (DEM). Nenhum senador que pertence à bancada sul-mato-grossense foi escalado como titular do colegiado, porém, eles garantem que acompanharão todos os trabalhos e, caso seja necessário, pedirão a palavra para intervir nos depoimentos.
O depoimento do médico campo-grandense, ex-deputado federal e ex-ministro da Saúde será o primeiro da CPI, que também ouvirá o sucessor de Mandetta no ministério, Nelson Teich.
Depois de ter sido demitido pelo presidente Jair Bolsonaro, Mandetta publicou um livro contando os bastidores das reuniões ministeriais e a pressão exercida pela Presidência da República para que medicamentos sem comprovação científica fossem recomendados nos protocolos do ministério.
O grupo aliado a Jair Bolsonaro já se prepara para eventuais ataques de Mandetta e tem na gaveta contra-ataques ao sul-mato-grossense. Processos em que Mandetta foi acusado de improbidade quando foi secretário de Saúde de Campo Grande poderão ser usados nas redes bolsonaristas.
Procurados pelo Correio do Estado, os três senadores de Mato Grosso do Sul evitaram tentar antecipar o teor do depoimento de Mandetta.
Sem mulheres
A senadora Simone Tebet lamentou a falta de mulheres na CPI. Entre titulares e suplentes, ela frisou que não há uma única mulher nomeada na comissão. No entanto, ela falou que o colegiado feminino se fará presente na CPI, na figura dela ou de suas colegas parlamentares.
“Apesar de nenhum partido ter indicado uma senadora como titular, todos os integrantes do Senado podem acompanhar in loco os trabalhos e até mesmo fazer perguntas que nós achamos convenientes”, disse a senadora.
“Usando essa prerrogativa, garanto que nosso grupo será representado. Nosso colegiado é plural, com pensamentos em vários espectros políticos, seja da ala governista, seja independente ou de oposição. Portanto, mesmo sem direito a um assento, estaremos nos trabalhos para buscar luz dos fatos, que já são sabidamente conhecidos e, infelizmente, continuados. Iremos buscar a verdade, seja quem for e doa a quem doer”, acrescentou.
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O primeiro depoimento, como já dito nesta reportagem, será do ex-ministro e político sul-mato-grossense Luiz Henrique Mandetta. O Correio do Estado perguntou à senadora qual o impacto político que o depoimento dele poderia trazer a Mato Grosso do Sul no Congresso.
Simone falou de suas expectativas: “Os convocados podem trazer luz até onde foi a responsabilidade dos servidores federais e se houve conivência, omissão, desvio de recursos, má gestão de autoridades estaduais e municipais. Não vejo como o depoimento dele, ainda mais no meio de tantos outros, teria algum impacto político nas ações da bancada do Estado em Brasília”, analisou.
Pragmatismo
Já o líder da bancada de Mato Grosso do Sul no Congresso Nacional e do PSD no Senado, senador Nelsinho Trad (PSD), adotou um tom mais pragmático às vésperas dos trabalhos de investigação.
De acordo com ele, o papel que lhe cabe enquanto líder pessedista já foi feito ao indicar três senadores do seu partido para compor o colegiado da comissão. Os nomes são: Omar Aziz, que ficou com a presidência; Otto Alencar, como membro titular; e Angelo Coronel, que possui o cargo de suplente.
Além disso, o senador afirmou que não acompanhará presencialmente, já que seus indicados têm essa incumbência. “Não estarei no Senado durante os depoimentos, pois meus indicados se farão presentes. No entanto, acompanharei tudo pela TV Senado”, afirmou.
Momento delicado
A senadora Soraya Thronicke afirmou que as investigações são importantes, pois o momento em que o País vive em decorrência da pandemia é “gravíssimo”. Além disso, ela também analisou que o depoimento de Mandetta não deve ter influência no trabalho dos parlamentares do Estado.
“Essa CPI requer de todos os agentes políticos e públicos o máximo de desempenho, pois estamos tratando de vidas e nada é mais importante do que isso. Precisamos trazer soluções imediatas para a população e a vacinação e condições de tratamento digno são prioridades. Precisamos estar unidos na solução dos problemas. Não acredito que o depoimento do ex-ministro, independentemente do seu conteúdo, interfira nas ações da bancada federal de Mato Grosso do Sul”, avaliou.