Política

ELEIÇÕES SUPLEMENTARES

Direita, esquerda e até tucanos apoiam Vanda em Sidrolândia

Enelvo Felini, do PSDB, tem enfrentado dificuldades para conseguir adesão dentro do partido

Beatriz Magalhães

03/06/2021 - 08h42

Mesmo atrás nas pesquisas de intenção de voto na eleição suplementar de Sidrolândia, o candidato tucano Enelvo Felini reconheceu, ao Correio do Estado, que não tem apoio unânime da sigla para a sua campanha.  

Exemplo disso é o fato de o presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, Paulo Corrêa (PSDB), apoiar abertamente sua adversária e prefeita interina do município, Vanda Camilo (PP).  

A candidatura de Vanda tem a adesão não somente de alguns tucanos, mas também de bolsonaristas, como o deputado estadual Coronel David (sem partido), e de partidos de esquerda, como o PT.  

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

A eleição suplementar de Sidrolândia ocorrerá no dia 13 de julho, após o Tribunal Regional de Mato Grosso do Sul (TRE-MS) ter acatado o pedido de indeferimento do registro de candidatura do ganhador do pleito, Daltro Fiuza (MDB). 

A sentença foi confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2 de março de 2021, tornando assim definitiva a anulação dos votos obtidos pela chapa por ele integrada, a qual foi a mais votada no pleito de 2020.

DECISÃO PESSOAL

Segundo Felini, a postura de Corrêa em não apoiá-lo não é novidade para ele, pois nas eleições de 2020 o cacique tucano apoiou Fiuza, que não pôde assumir o cargo. 

“No pleito passado, o presidente já decidiu apoiar o emedebista contra a minha candidatura. Essa é uma decisão pessoal dele e não me surpreende em se colocar abertamente favorável à minha adversária”, revelou.  

Apesar do apoio de Corrêa, Felini garante que ainda tem o apoio do governador Reinaldo Azambuja (PSDB). 

“Sou apoiado pela maioria dos deputados e das lideranças políticas do meu partido, sendo o mais importante do governador. Portanto, estou tranquilo em relação ao trabalho que estamos fazendo e a caminhada para conquistar a prefeitura de Sidrolândia”, disse.  

Na campanha de Felini, porém, Azambuja e outros caciques tucanos têm uma presença tímida, que nem sequer incomoda ou pesa na campanha de Vanda Camilo.  

Fortalecida

No entanto, o desafio de Enelvo tem outros importantes obstáculos. 

Por exemplo, além do apoio do presidente da Assembleia, Vanda Camilo está à frente dele nas pesquisas de intenções de voto.  

Além disso, ela também tem o apoio do MDB por meio de Daltro Fiuza, que foi eleito, mas não pôde assumir por decisão judicial.  

O Correio do Estado tentou falar com a candidata no início da tarde desta quarta-feira (2), porém ela não pôde atender no momento, pois estava em agenda com o deputado bolsonarista. 

Outro partido que também declarou apoio ao candidato é o PT, ou seja, os dois polos políticos, bolsonarismo e lulopetismo, deixaram a diferença de lado para apoiar a mesma candidata na eleição de Sidrolândia.  

OUTRAS ELEIÇÕES

Além de Sidrolândia, três cidades de Mato Grosso do Sul estão sendo comandadas por chefes do Executivo municipal de forma interina. 

Ainda há recursos pendentes para serem apreciados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre Angélica, Bandeirantes e Paranhos.

A cidade de Angélica é comandada pelo prefeito interino Geraldo Rodrigues, o Boquinha (PSDB). 

João Cassuci (PDT) foi eleito no pleito passado, porém, não pôde assumir após ter a candidatura indeferida por ter sido condenado por crime contra o sistema financeiro nacional.  

Já em Bandeirantes, Edervan Gustavo Sprotte (DEM) foi indicado como interino, após o eleito nas eleições de novembro do ano passado, Álvaro Urt (DEM), ter a posse indeferida pela Justiça, que analisa sua cassação enquanto vereador na legislatura passada.

Por fim, em Paranhos, Donizete Viaro (MDB) foi eleito presidente da Câmara e comanda a cidade desde o dia 1º de janeiro. 

Ele foi colocado no posto depois de Heliomar Klabunde ser impedido de tomar posse por ter a candidatura indeferida após ter as contas de sua última gestão reprovadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU), relacionadas à execução de um convênio com o governo federal.

Como determina a legislação eleitoral, o Correio do Estado reservou o mesmo espaço aos dois candidatos. No entanto, até o fechamento desta edição a candidata Vanda Camilo não respondeu às perguntas enviadas pela reportagem.

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