Política

Eleições 2026

Após quase oito anos sem mandato, Picarelli volta à disputa e mira Brasília

Ex-deputado, que permaneceu 32 anos na Alems, pediu registro para concorrer pela primeira vez a uma cadeira na Câmara dos Deputados.

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Depois de construir uma das trajetórias mais longevas da política de Mato Grosso do Sul, Maurício Picarelli voltou à disputa eleitoral. O ex-deputado estadual pediu à Justiça Eleitoral o registro de sua candidatura a deputado federal pelo PRD e tentará conquistar, pela primeira vez, uma cadeira na Câmara dos Deputados.

O nome de Picarelli aparece no edital de pedido de registro coletivo publicado pelo Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS). Ele concorrerá com o número 2525 pela Federação Renovação Solidária, formada pelo PRD e pelo Solidariedade.

O pedido ainda será analisado pela Justiça Eleitoral. Conforme o edital, candidatos, partidos, federações, coligações e o Ministério Público Eleitoral têm prazo de cinco dias, contado da publicação, para apresentar eventual impugnação.

No mesmo período, qualquer cidadão no exercício dos direitos políticos poderá comunicar possível causa de inelegibilidade.

A nova candidatura representa uma mudança na trajetória de Picarelli, que concentrou a maior parte da carreira política na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems).

Desta vez, o ex-parlamentar tenta transferir para uma disputa estadualizada por uma vaga em Brasília o capital político construído ao longo de mais de três décadas.

Oito mandatos na Assembleia

Jornalista, radialista, apresentador de televisão e pastor, Picarelli tornou-se conhecido antes de ingressar na política por meio de programas populares de rádio e televisão. A visibilidade alcançada na comunicação abriu caminho para sua primeira eleição como deputado estadual, em 1986.

A partir daquele ano, ele foi reeleito sucessivamente em 1990, 1994, 1998, 2002, 2006, 2010 e 2014. Ao todo, foram oito mandatos consecutivos e 32 anos de atuação na Assembleia Legislativa.

Um dos principais resultados eleitorais de sua carreira ocorreu em 1994, quando Picarelli foi o candidato a deputado estadual mais votado em Mato Grosso do Sul.

Durante sua passagem pelo Legislativo, também exerceu funções de comando, entre elas a vice-presidência e a Corregedoria-Geral da Casa, além de participar da direção de comissões parlamentares.

A sequência de vitórias terminou nas eleições de 2018. Naquele ano, Picarelli tentou conquistar o nono mandato consecutivo, mas ficou na suplência e deixou a Assembleia Legislativa no início de 2019.

Tentativa de retorno

Após não participar das eleições de 2022, Picarelli voltou às urnas em 2024, quando disputou uma vaga na Câmara Municipal de Campo Grande pelo União Brasil. Ele, no entanto, não conseguiu se eleger vereador.

Agora filiado ao PRD, o ex-deputado aposta em uma candidatura de alcance estadual para retomar a carreira política. Caso seja eleito, assumirá pela primeira vez um mandato federal, depois de toda a sua atuação parlamentar ter sido desenvolvida na Assembleia Legislativa.

Além de Picarelli, a Federação Renovação Solidária apresentou outros oito nomes para a disputa à Câmara dos Deputados.

A relação inclui Adriano Lima, Eleandra Pachuki, Jardelino Bahia, Juvenal Ferreira, Luciana Mendonça, Cesar Alves, Rebeca Costa e Sergio Fahed.

A federação também participa da disputa pelos cargos majoritários em Mato Grosso do Sul. O grupo lançou o ex-senador Delcídio do Amaral ao Governo do Estado e apresentou Sidney Vargas como candidato ao Senado.

Com o retorno de Picarelli, a chapa aposta em um nome conhecido do eleitorado sul-mato-grossense e com histórico de oito eleições consecutivas para a Assembleia.

O desafio, porém, será transformar a lembrança construída durante décadas na política e na televisão em votos suficientes para conquistar uma das oito cadeiras destinadas a Mato Grosso do Sul na Câmara dos Deputados.

ccj

Alcolumbre destrava PEC do fim da 6x1 após conversas com Lula

Senador estava para encaminhar proposta para análise desde maio

14/08/2026 21h00

Presidente do Senado, Davi Alcolumbre

Presidente do Senado, Davi Alcolumbre Divulgação/ Agência Brasil

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A proposta de emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6x1 foi despachada, nesta sexta-feira (14), pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), após conversas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Na última quarta-feira (12), tive uma importante conversa institucional com o presidente Lula. Foi um diálogo maduro, franco e republicano, fundamental para compreender as prioridades do governo e tratar da agenda legislativa de interesse do nosso país", informou, em nota, Alcolumbre.

A PEC estava na mesa do senador desde o final de maio, depois de aprovada na Câmara dos Deputados.   

O presidente do Senado informou ainda que, a partir das conversas com o presidente Lula, encaminhou também para as comissões competentes a PEC da Segurança Pública (PEC 18/2025) e o projeto de lei que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PL 2780/2024), todos prioritários para o Executivo.

"Cabe ao Executivo apresentar suas prioridades e ao Congresso Nacional analisá-las com independência e a responsabilidade de construir os melhores caminhos para o país", disse Alcolumbte na nota.

A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), disse que a decisão de Alcolumbre foi fruto do diálogo institucional.  

"É uma demonstração importante de que o diálogo produz resultados e abre caminhos para fazer avançar uma agenda fundamental para o desenvolvimento do Brasil", comentou Teresa Leitão.

Pressão

Esta semana foi a primeira de trabalhos deliberativos no Congresso Nacional desde a volta do recesso de julho. O MDB e o PT voltaram a pressionar Alcolumbre para que liberasse a PEC da escala 6x1 para análise.

Em nota, a bancada do MDB no Senado pediu a liberação para as comissões da PEC do fim da 6x1, do PL dos minerais críticos e a PEC da Segurança Pública. 

O líder do partido no Senado, Eduardo Braga (MDB-AM), pediu a votação das matérias em sessão plenária na quarta-feira (12).

"Não há razão, portanto, regimental ou política, que justifique o adiamento. O que falta é a decisão de pautar, e isso é o que a bancada requer a V. Exa. Se há setores com especificidades - e entendemos que há -, vamos discutir e apontar soluções para estes setores", cobrou Braga do presidente do Senado.

A PEC 221 de 2019 acaba com a escala 6x1 instituindo a obrigatoriedade de dois dias de descanso por semana, além de reduzir a jornada de trabalho das atuais 44 horas para 40 horas semanais, sem redução salarial.

A proposta permite compensar o sábado ou domingo trabalhados no caso de categorias com jornadas especiais, mas mantendo o número de folgas remuneradas em duas por semana, em média, gozadas obrigatoriamente no mesmo mês.

A proposta também estipula uma regra de transição de até 14 meses. A exceção são os trabalhadores terceirizados da Administração Pública, que terão uma regra de transição diferenciada.

Para todos os demais trabalhadores, em 60 dias após a promulgação da emenda constitucional as empresas terão que garantir a escala de 5x2, assim como a redução da jornada para 42 horas semanais. Doze meses após essa primeira redução, a jornada cai para 40 horas.

Evolução patrimonial

Patrimônio de Simone Tebet cresce R$ 8,3 milhões em quatro anos

Senadora alega que crescimento decorre de antecipação de herança realizada por sua mãe

14/08/2026 18h00

Ex-ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet (PSD)

Ex-ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet (PSD) Lula Marques/Agência Brasil

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O patrimônio declarado da ex-ministra e candidata ao Senado Simone Tebet (PSB) cresceu R$ 8,3 milhões e saltou de R$ 2,3 milhões para R$ 10,6 milhões entre 2022 e 2026.

O acréscimo absoluto representa um crescimento nominal de 356,32%, o que equivale a um avanço de 275% quando considerada a correção da inflação do período pelo IPCA.

Natural de Três Lagoas, Tebet já foi senadora por Mato Grosso do Sul, registrou os dados no Tribunal Superior Eleitoral para disputar uma das duas vagas ao Senado pelo estado de São Paulo.

Segundo nota oficial divulgada pelo comitê de campanha da candidata, a evolução de R$ 8 milhões na declaração decorre da regularização de uma gleba de terra localizada em Alvorada do Sul, adquirida pela família há quase 30 anos.

O terreno foi transferido para o nome de Simone Tebet por meio de antecipação de herança realizada por sua mãe, que mantém o usufruto do imóvel.

A análise detalhada dos dados entregues à Justiça Eleitoral aponta que a maior parte do patrimônio da ex-ministra do Planejamento está imobilizada em propriedades e com pouca liquidez em caixa.

Em Três Lagoas, cidade onde Tebet já foi prefeita, possui três terrenos, uma casa e um apartamento, enquanto em Campo Grande  concentra outros três apartamentos.

Em contrapartida, as contas bancárias e aplicações financeiras da candidata somam apenas cerca de R$ 35 mil.

Os registros históricos do tribunal revelam que os bens cresceram de forma linear por 14 anos antes de sofrerem a variação abrupta atual.

Simone Tebet declarou R$ 1.297.586,18 em 2008, quantia que oscilou para R$ 1.595.867,88 em 2010 e R$ 1.575.566,39 em 2014, chegando a R$ 2.323.735,38 nas eleições de 2022, antes de atingir os atuais R$ 10.603.573,49.

Com informações de Estadão Conteúdo
 

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