Política

ELEIÇÕES 2026

Com Flávio Bolsonaro no páreo, Tereza e Simone ganham força nacionalmente

A senadora pelo PP e a ministra do Planejamento e Orçamento, que é do MDB, são cotadas como presidente e vice-presidente

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O lançamento da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República pelo próprio pai, o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro (PL), fortaleceu um consenso nas rodas de conversa das festas de réveillon das principais lideranças de centro-direita e centro-esquerda no Brasil: o filho de Bolsonaro não tem cacife para vencer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições gerais deste ano.

Com a saída do páreo do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), diante da escolha do ex-presidente de lançar o filho como presidenciável, as articulações das duas principais vertentes políticas brasileiras estão a todo vapor e os nomes de duas lideranças políticas de Mato Grosso do Sul voltaram a ganhar força: a senadora Tereza Cristina (PP) e a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet (MDB).

De acordo com a imprensa nacional, enquanto a primeira é cotada para ser a pré-candidata de centro-direita à Presidência da República, principalmente para o setor do agronegócio brasileiro, a segunda já é vista pelo centro-esquerda como a virtual pré-candidata a vice-presidente na chapa de reeleição do presidente Lula.

Entre as lideranças nacionais dos partidos de centro-direita, o nome de Flávio Bolsonaro não é consenso e o setor do agronegócio já não faz mais nem questão de esconder isso, chegando a contratar uma pesquisa de opinião com o Instituto Paraná Pesquisas, incluindo entre os pré-candidatos a presidente testados com o eleitor o nome da senadora Tereza Cristina.

Até o lançamento da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, a parlamentar sul-mato-grossense era vista como vice ideal em uma chapa de direita, sendo cotada para compor com Tarcísio de Freitas. 

Agora que Flávio está pré-candidato, os partidos de centro-direita tentam construir uma alternativa e o agro começou a sonhar com o nome da ex-ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Bolsonaro como ponta de lança.

Os números, porém, não são animadores, pois, na sondagem sobre o primeiro turno, a maior pontuação dela é de 2,5% em um cenário em que disputam o presidente Lula (37,8%), o governador Tarcísio de Freitas (26,2%), o ex-ministro Ciro Gomes (8,7%), o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (5%), e o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (3,9%).

Nos cenários de segundo turno, Tereza também aparece com pontuação menor do que a dos outros pré-candidatos de centro-direita, com 30,3% contra 44,6% de Lula.

De acordo com o Paraná Pesquisas, quem teria melhor desempenho contra Lula no segundo turno seria Tarcísio, com 42,5% das intenções de voto contra 44% do presidente, enquanto Flávio, por sua vez, teria 41% contra 44% de Lula.

Por ora, portanto, a senadora e ex-ministra de Mato Grosso do Sul não demonstra grande potencial na disputa à Presidência da República, mas, apesar disso, o agro não se deu por vencido e tentará incluir o nome dela nas conversas para as eleições do dia 4 de outubro deste ano, nem que seja para depois levar mesmo uma vaga de vice.

Afinal, conforme as lideranças do agronegócio, o baixo desempenho de Tereza Cristina na pesquisa pode ser explicado pelo fato de que, desde o princípio, ela sempre foi colocada como postulante a vice-presidente.

Caso esse quadro mude, a senadora sul-mato-grossense pode surpreender e surgir como uma terceira via a Flávio Bolsonaro e, principalmente, a Lula, pondo fim à polarização das duas últimas eleições presidenciais 2018 e 2022.

CENTRO-ESQUERDA

Dentro dos partidos de centro-esquerda, a chegada de Flávio Bolsonaro ao tabuleiro de xadrez político acirrou os debates no PT sobre qual seria a melhor estratégia para enfrentar o filho do ex-presidente da República e, nesse cenário, Simone Tebet é considerada uma peça capaz de desequilibrar o jogo.

Ganhou força o desejo de reeditar neste ano a frente ampla de 2022, agora substituindo o atual vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), que tentará o cargo de governador de São Paulo, pela ministra do Planejamento e Orçamento, que é considerada muito forte com o eleitorado paulista.

O objetivo real do PT é manter o patamar de votação semelhante ao alcançado em 2022, quando Lula fez 4,3 milhões a mais de votos no estado do que em 2018, quando Haddad concorreu à Presidência. 

Parte do entorno presidencial credita a vitória apertada do petista nas urnas contra Bolsonaro ao desempenho do petista em São Paulo.

Para esse grupo, Simone Tebet conseguiu, nas eleições presidenciais passadas, 1.625.596 de votos dos paulistas, demonstrando a força da então senadora com o eleitorado daquele estado.

A projeção dela só aumentou na região depois que decidiu apoiar Lula no 2º turno de 2022 e após a boa gestão à frente do ministério de Planejamento e Orçamento.

Com base nesse panorama, os cenários vêm sendo discutidos, pois a força de Tebet cresceu tanto que ela é cotada até para disputar uma das duas cadeiras ao Senado por São Paulo. Tebet também está sendo sondada como pré-candidata a vice-governadora dos paulistas.

Dentro de uma chapa encabeçada por Geraldo Alckmin, ela seria o nome mais ao centro e com capacidade de buscar um eleitor que não vota tradicionalmente no PT.

Se antes era irredutível sobre trocar domicílio eleitoral de Mato Grosso do Sul, agora Tebet já admite transferi-lo para São Paulo.

Segundo interlocutores, a ministra ficou animada depois da demonstração de apoio que recebeu em um jantar promovido pelo Grupo Prerrogativas, na cidade de São Paulo.

A ministra já avisou ao seu grupo político que estará com Lula em 2026 e que aceitará o desafio que o presidente da República propor.

Petistas próximos ao presidente asseguram que Tebet está animada com a ideia de concorrer por São Paulo e toparia o Senado. Petistas descrevem Tebet como ministra afinada com Lula e como nome viável para ocupar a Vice-Presidência.

Os planos de Tebet, no entanto, encontram obstáculos na cúpula do MDB. Desde 2022, o partido apoia Tarcísio em São Paulo. E o presidente estadual do MDB, Rodrigo Arena, está organizando apoio à reeleição do governador.

Na prática, emedebistas não veem chance de Tebet disputar o Senado por São Paulo pela sigla com apoio de Lula. Assim, aliados da ministra admitem inclusive a possibilidade de mudança de legenda.

*Saiba

Tarcísio ignora filho de Bolsonaro nas mídias

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), fez mais de 30 posts no X desde que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se lançou como pré-candidato ao Palácio do Planalto, um mês atrás, com o aval do pai, o ex-presidente da República Jair Messias Bolsonaro (PL).

Mas nenhuma das publicações cita o senador, apesar de Tarcísio ter dito após o anúncio que "o Flávio vai contar com a gente".

Para bom entendedor, a verdade é que o governador largou a mão do filho de Bolsonaro para ver até onde Flávio vai com suas pretensões presidencialistas pela direita.

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CONGRESSO NACIONAL

Assomasul mobiliza prefeitos para ato em Brasília contra as "pautas-bomba"

Projetos preveem aumento do piso de médicos, dentistas, garis e profissionais da Educação Básica, além de outros adicionais

06/01/2026 08h20

O impacto negativo desses projetos pode chegar a R$ 110 bilhões para os 5.569 municípios brasileiros

O impacto negativo desses projetos pode chegar a R$ 110 bilhões para os 5.569 municípios brasileiros Gerson Oliveira/Correio do Estado

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Em parceria com a Confederação Nacional de Municípios (CNM), a Associação dos Municípios de Mato Grosso do Sul (Assomasul) está mobilizando prefeitos e prefeitas do Estado para uma manifestação, no dia 24 de fevereiro, em Brasília (DF), contra as chamadas “pautas-bomba”, que impactam o equilíbrio fiscal dos municípios.

Segundo o presidente da Assomasul, Thalles Tomazelli (PL), que é prefeito de Itaquiraí, faz parte dessas “pautas-bomba” que podem trazer impactos negativos aos municípios o aumento dos pisos de diversos profissionais, tais como médicos, dentistas, garis e profissionais da Educação Básica, sem contar o adicional de insalubridade para profissionais da educação.

“O presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, pediu a intensificação de esforços do movimento municipalista para evitar que essas pautas com impactos negativos para a administração local avancem no Congresso Nacional”, declarou.

Nacionalmente, o impacto negativo desses projetos de lei pode chegar a R$ 110 bilhões para os 5.569 municípios brasileiros. “Essas propostas que tramitam na Câmara dos Deputados e no Senado podem agravar ainda mais as finanças municipais”, alertou Thalles Tomazelli.

Ele citou que um estudo da CNM apresentado no fim do ano passado mostrou que mais de 50% dos municípios fecharam no vermelho em 2024 e a situação fiscal em 2025 comprometia 15% das prefeituras, que estão na mesma situação até agora. “Os 3,3 mil novos prefeitos tiveram de cortar investimentos que já chegaram a R$ 24 bilhões no ano passado”, revelou.

Pelo levantamento da CNM, somente com a possibilidade de aprovação do piso dos garis, o impacto deve chegar a R$ 5,9 bilhões aos cofres municipais.

O projeto de redução para 30 horas semanais da jornada de trabalho de agentes comunitários de saúde foi mais uma preocupação listada na reunião.

Uma outra proposta pretende estabelecer o piso e o adicional de insalubridade para profissionais da Educação Básica, o que, na prática, abrangeria vários trabalhadores, como porteiros e vigilantes, e o valor seria vinculado ao piso do magistério, ou seja, todos os profissionais seriam incluídos em caso de aumento de salários dos professores, trazendo impacto de R$ 20 bilhões para as prefeituras de todo o Brasil.

ROMBO BILIONÁRIO

Pelo estudo da CNM, os impactos financeiros das “pautas-bomba” ultrapassarão R$ 110 bilhões, em afronta à Emenda Constitucional nº 128/2022 e sem nenhum compromisso com a responsabilidade fiscal. 

Entre os textos que avançaram no Congresso, destaca-se o Projeto de Lei Complementar (PLP) nº 185/2024, que cria aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde e traz prejuízos ainda mais preocupantes do que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 14/2021, que também versa sobre o tema.

Em votação no plenário do Senado, o PLP nº 185/2024 foi aprovado em novembro de 2025 e agora está em análise na Câmara dos Deputados, aguardando aprovação para seguir para sanção presidencial.

Ele representa um potencial impacto de R$ 103 bilhões aos municípios, ao elevar o deficit atuarial dos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPSs), que atualmente já supera a marca de R$ 1,1 trilhão.

Outro texto preocupante é o Projeto de Lei (PL) nº 1.559/2021, em análise nas comissões da Câmara dos Deputados, que cria piso salarial para profissionais farmacêuticos, gerando impacto de R$ 309 milhões aos cofres municipais.

No campo da Educação, dois PLs também trazem riscos fiscais significativos. O PL nº 2.952/2025, que pode ser votado na Comissão de Trabalho, altera a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) para conceder adicional de insalubridade a profissionais.

A medida afeta diretamente municípios que adotam regime celetista e não define com clareza quais seriam as condições de insalubridade, criando insegurança jurídica e impacto potencial de R$ 6,5 bilhões.

Já o PL nº 4.012/2024 altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) para obrigar municípios a expandirem a oferta de creches e pré-escolas em áreas urbanas e rurais. A proposta é inviável sob os pontos de vista operacional e financeiro.

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Política

Embaixador do Brasil na ONU: fins não justificam os meios na Venezuela

Sérgio Danese se manifestou na reunião do Conselho de Segurança

05/01/2026 21h00

Crédito: Valter Campanato / Agência Brasil

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Em reunião do Conselho de Segurança na Organização das Nações Unidas (ONU), o embaixador do Brasil Sérgio Danese disse, nesta segunda (5), que não é possível aceitar o argumento de que os fins justificariam os meios na intervenção armada dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro, no último sábado (4). 

Para ele, não é admissível justificar o uso da força ou a derrubada ilegal de um governo em função da exploração de recursos naturais ou econômicos.

“Esse raciocínio carece de legitimidade e abre caminho para conceder aos poderosos o direito de definir o que é justo ou injusto, certo ou errado, e até mesmo de desconsiderar a soberania nacional, impondo decisões que os fracos devem tomar.” 

Soluções


No discurso, Danese ressaltou que o Brasil não acredita que a solução para a situação na Venezuela esteja na criação de protetorados naquele país. “Mas sim em soluções que respeitem a autodeterminação do povo venezuelano, dentro dos limites de sua Constituição”, afirmou. 

Para o embaixador, cabe ao Conselho de Segurança reagir com “determinação, clareza e respeito pelo direito internacional, a fim de impedir que a lei da força prevaleça sobre o Estado de Direito”.

Precedente perigoso


Sérgio Danese disse ainda que houve violação da Carta das Nações Unidas e do direito internacional e que esses atos estabelecem um precedente “extremamente perigoso” para toda a comunidade internacional, confirmando posicionamento divulgado pelo governo brasileiro no último dia 3.

O embaixador brasileiro reiterou que ações como essa realizadas pelos Estados Unidos ameaçam o mundo com violência, desordem e erosão do multilateralismo. Segundo considera, essas decisões podem prejudicar o direito e as instituições internacionais. 

Para Danese, há evidentes efeitos do enfraquecimento dos mecanismos de governança e cooperação internacionais com a ampliação dos conflitos armados. 

“Como o Brasil já afirmou diversas vezes, as normas que regem a convivência entre os Estados são obrigatórias e universais”. 

Alarmante


“A América Latina e o Caribe fizeram da paz uma escolha consciente, duradoura e irreversível”, ponderou o embaixador brasileiro. Ele assinalou, ainda no discurso, que a situação é inédita e é “profundamente alarmante”.

Para Danese, os eventos de 3 de janeiro transcendem a esfera regional:

"Um ataque à soberania de qualquer país, independentemente da orientação do seu governo, afeta toda a comunidade internacional.”

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