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Lula exonera diretores da EBC e nomeia jornalista que denunciou assédio

O decreto ainda nomeia a jornalista Kariane Costa como a nova diretora-presidente para o órgão

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva editou decreto em que exonera quase toda a diretoria da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). A destituição incluiu o presidente, o diretor-geral e os diretores de Jornalismo, Administração e Operações. Apenas o diretor de Conteúdo e Programação, Denilson Morales da Silva, continua no cargo.

O decreto, publicado em edição extra do Diário Oficial da União (DOU), na noite de sexta-feira, 13 ainda nomeia a jornalista Kariane Costa como a nova diretora-presidente para o órgão, de forma interina, com prazo de gestão até 30 de outubro de 2023.

Segundo o ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social, Paulo Pimenta, a troca na diretoria foi "o início da mudança na gestão" da estatal.

Os cinco diretores exonerados eram da gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e estavam no comando da EBC durante a cobertura dos ataques às sedes dos três Poderes, em Brasília.

Em nota oficial, o Palácio do Planalto informa que a nova presidente da estatal, é representante dos empregados no Conselho de Administração da empresa e "conduzirá o processo de transição para nova gestão, a ser implementada nos próximos meses". A jornalista agradeceu a indicação em suas redes sociais, dizendo que estaria à frente do que ela chamou de "retomada da missão da EBC".

Assédio

A jornalista Kariane Costa é profissional da EBC há mais de dez anos. Entre agosto de 2012 e fevereiro de 2014 atuou como editora e, atualmente, é representante dos empregados no Conselho de Administração da empresa (Consad). No entanto, antes de sua indicação à diretoria, Kariane estava em processo de demissão, acusada de cometer injúria e difamação contra gestores da estatal.

O processo começou em 2021, quando Kariane buscou a Ouvidoria da EBC para pedir apuração de denúncias de casos de assédio moral supostamente cometidos por gestores. A empresa respondeu entrando na Justiça, acusando a jornalista dos crimes de injúria e difamação. O processo levou a Comissão de Sindicância da EBC a recomendar sua demissão em agosto de 2022.

Em novembro, o caso passou a tramitar na Controladoria-Geral da União (CGU), depois que a Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal pediu apuração de suposta perseguição de servidores por parte da EBC.

O senador Humberto Costa (PT-PE), presidente da Comissão, declarou nos ofícios encaminhados aos órgãos competentes que a "perseguição àquela jornalista (Kariane) integra o quadro de assédio moral e perseguição política que tem sido contumaz naquela empresa e que é objeto de amplo repúdio entre os órgãos de representação da categoria".

Estatal de comunicação

A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) é uma empresa pública de comunicação criada em 2007, no segundo mandato de Lula, como canal de divulgação do Governo Federal. Dessa forma, assim como foi palanque de Bolsonaro em seus quatro anos de mandato, também seguiu a mesma linha nos governos anteriores, servindo para divulgar ações políticas e disputas ideológicas.

Durante o governo Bolsonaro, em 2021, a emissora estatal chegou a transmitir a novela bíblica da TV Record Os Dez Mandamentos, cujos direitos foram adquiridos por R$ 3,2 milhões.

Também em 2021, o governo decidiu incluir a EBC no Programa Nacional de Desestatização (PND), que abriria portas para estudar alternativas como privatização ou liquidação. Segundo estudo do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), a estatal é deficitária. "Sem a subvenção da União a EBC teria um prejuízo de aproximadamente R$ 88,5 milhões, mesmo se considerarmos o repasse de R$ 222,3 milhões da CFRP". Ainda de acordo com o PPI, a audiência da TV Brasil, da EBC, é baixa, ocupando a posição de nona emissora mais assistida no Pais.

A empresa ainda possui duas rádios e 15 afiliadas e detém a Agência Brasil, com 95 milhões de usuários únicos em 2020 e 9,2 milhões de usuários por mês. Na época do estudo, ela tinha capital social de R$ 307,3 milhões e 1.880 empregados.

No início de 2023, o novo governo Lula publicou despacho que determina aos ministros o encaminhamento de propostas que retirem do processo de privatização empresas como Petrobras, Correios e EBC.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Parecer

STJ decide que planos de saúde não podem limitar sessões de tratamento de pacientes autistas

De acordo com o relator, ministro Antonio Carlos Ferreira, restringir o tratamento é ilegal

12/03/2026 14h00

Foto: Arquivo

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A 2ª Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu por unanimidade na quarta-feira, 11, que planos de saúde não podem limitar o número de sessões para tratamento de pacientes com transtorno do espectro autista (TEA).

A tese confirmada pelo STJ afirma que é abusiva a limitação de sessões de psicologia, fonoaudiologia, fisioterapia e terapia ocupacional prescritas a esses pacientes. De acordo com o relator, ministro Antonio Carlos Ferreira, restringir o tratamento é ilegal.

"Segundo a jurisprudência do STJ, é abusiva a limitação do número de sessões de terapia multidisciplinar aos beneficiários com diagnóstico de transtorno do espectro autista", disse ele.

O caso foi levado ao STJ para questionar uma decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo, que limitou a 18 sessões anuais o tratamento de um paciente com autismo.

Ressalva sobre fraudes

Durante a análise do caso, os ministros divergiram em relação à necessidade de citar na ementa, que resume a decisão, uma ressalva quanto à ocorrência de fraudes na prescrição de tratamentos.

A sugestão de incluir esse ponto foi feita pelo ministro Raul Araújo, que destacou que o tema tem preocupado planos de saúde.

A ministra Daniela Teixeira, por sua vez, argumentou que a inclusão da ressalva no resumo da decisão poderia ser usada pelas operadoras para questionar sistematicamente a prescrição de tratamentos, prejudicando os pacientes.

A ministra defendeu que a corte tem de presumir a boa fé dos usuários e que, caso haja alguma fraude, o tema deve ser tratado na esfera criminal. "Vai caber ao plano de saúde comprovar que é uma fraude e não ao usuário", disse.

Por fim, a ementa original, sem a ressalva sobre fraudes, foi aprovada por 5 votos a 3.

Acesso ao cuidado

Famílias de pacientes autistas relatam com frequência batalhas judiciais com planos de saúde em busca de tratamento adequado. Reclamações relacionadas à falha na assistência cresceram significativamente nos últimos anos.

Em 2022, uma lei aprovada no Congresso definiu que os planos de saúde devem oferecer tratamentos fora do rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) desde que haja comprovação científica

No ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) ampliou os requisitos para autorizar tratamentos fora do rol, como prescrição por médico ou dentista e registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Reação à decisão do STJ

As principais entidades representativas de operadoras de planos de saúde divulgaram nota sobre a decisão do STJ.

A FenaSaúde destacou que respeita a decisão do tribunal e que não defende a limitação de tratamento, "mas sim o combate a práticas excessivas ou irregulares, bem como a estrita observância de protocolos fundamentados na medicina baseada em evidências".

Já a Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge) afirmou que aguarda a publicação do acórdão para analisar os parâmetros determinados pela Justiça.

"A entidade reforça que a análise detalhada do conteúdo será fundamental para avaliar os critérios definidos pelo STJ, bem como seus desdobramentos para a aplicação das regras de cobertura no âmbito da saúde suplementar", diz a nota.
 

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BRASIL

Simone Tebet confirma disputa ao Senado por São Paulo

Ministra afirmou que aceitou convite do presidente Lula após conversas políticas e decisão familiar

12/03/2026 10h58

A ministra explicou que aguardava apenas uma conversa com a mãe antes de tornar pública a decisão

A ministra explicou que aguardava apenas uma conversa com a mãe antes de tornar pública a decisão Marcelo Victor

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A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, confirmou nesta quinta-feira (12) que pretende disputar uma vaga no Senado por São Paulo nas eleições de 2026. O anúncio foi feito durante coletiva de imprensa concedida no XCVI Fórum Nacional de Secretários Estaduais de Planejamento (Conseplan), realizado no Bioparque Pantanal.

Durante a conversa, a ministra afirmou que a decisão foi tomada após uma série de articulações políticas e conversas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o vice-presidente Geraldo Alckmin. Segundo Tebet, o convite para que disputasse o Senado pelo maior colégio eleitoral do país surgiu no início do ano.

“Essas conversas foram caminhando e, no dia 27 de janeiro, em uma viagem ao Panamá com o presidente Lula, discutimos política no Brasil…Na semana passada, em um encontro mais reservado em São Paulo, ele pediu claramente que eu pudesse ser candidata ao Senado por São Paulo”, relatou.

A ministra explicou que aguardava apenas uma conversa com a mãe antes de tornar pública a decisão. Segundo ela, o diálogo ocorreu na quarta-feira (11), quando recebeu o apoio da família para seguir com o projeto político.

“Depois de explicar a situação para minha mãe, ontem eu decidi cumprir a missão. Política é missão. Vou com muita tranquilidade disputar um processo eleitoral que considero muito importante para o Brasil”, afirmou.

Tebet também destacou a relação que mantém com São Paulo. De acordo com a ministra, foi no estado onde obteve a maior votação quando disputou a Presidência da República em 2022, além de possuir vínculos familiares e acadêmicos com a região.

“São Paulo é atravessar um rio, é atravessar uma ponte, é onde eu fiz meu mestrado, é onde eu tive uma projeção política, é onde eu vou sempre visitar as minhas filhas, tenho uma relação muito próxima de São Paulo, meu pai e meu marido são nascidos lá, meus avós vieram do Líbano e começaram a sua vida no interior de São Paulo também”.

Apesar da futura candidatura em São Paulo, a ministra ressaltou sua ligação com Mato Grosso do Sul, onde iniciou a trajetória política. Natural de Três Lagoas, ela lembrou que o estado foi responsável por projetar sua carreira em nível nacional.

“Mato Grosso do Sul me deu o privilégio de ser a primeira mulher prefeita da minha cidade, reeleita, deputada estadual, vice-governadora e senadora. É o estado que me levou ao cenário nacional”, disse.

Segundo Tebet, a definição sobre filiação partidária e outros detalhes da candidatura ainda devem ser discutidos nas próximas semanas, dentro do prazo da chamada janela partidária. Ela afirmou que a ida para São Paulo ocorrerá com apoio político de Alckmin.

“Agora começa uma nova etapa. Temos uma janela temos pelo menos até o dia 2 de abril, para tomar todas as outras decisões”, concluiu.

Na oportunidade, a ministra Tebet também anunciou que deixa o comando do Ministério do Planejamento e Orçamento no final deste mês de março.

Já nos bastidores, a movimentação política indica que Tebet pode deixar o Movimento Democrático Brasileiro (MDB) para se filiar ao Partido Social Democrático (PSB). A possível mudança ocorre porque, em São Paulo, o MDB não deve integrar a base de apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2026. 

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