Após desistir de buscar a reeleição, o senador Nelsinho Trad (PSD) afirmou neste sábado (1º) que não transformaria divergências com o irmão Fábio, em uma espécie de "espetacularização", uma vez que ambos estão em espectros distintos. Parlamentar falou novamente sobre a retirada durante a convenção estadual do partido, realizada no Rádio Clube Cidade, em Campo Grande.
A declaração ocorre uma semana após o ex-deputado federal Fábio Trad ser oficializado candidato ao Governo de Mato Grosso do Sul pela ala petista, que encabeça a Federação Brasil da Esperança (PT-PCdoB-PV).
"Não poderia colocar para o público uma briga de dentro da minha casa. Jamais eu ia fazer isso. Respeito ele lá, e ele me respeita cá e a vida segue."
Cercado por familiares, aliados e dirigentes, o parlamentar atribuiu o recuo a entraves partidários e ao cenário político nacional, defendeu assim a unidade da base em torno da reeleição do governador Eduardo Riedel (PP).
Aos apoiadores, Nelsinho disse ter sido racional e comparou a escolha ao exercício da medicina, profissão que exerce.
"(...) o médico tem que fazer com a razão. O coração é para você envolver o paciente, as pessoas, na hora de agir, tem que ser com a razão", disse.
A desistência da candidatura tem como justificativa um entrave jurídico-partidário, uma vez que pelas alianças do próprio partido, ele deveria apoiar as indicações de Capitão Contar (PL) e Reinaldo Azambuja (PL), do qual é suplente.
"A conjuntura nacional me orientou a fazer parte da coligação que eu ajudei a construir e na qual eu acredito. Como é que eu não vou apoiar uma pessoa em quem acredito e que vai ser o melhor para todos nós?"
Nelsinho ainda reforçou a relação de confiança com o ex-governador Reinaldo Azambuja (PL), de quem será primeiro suplente na chapa ao Senado.
"Tenho com Reinaldo Azambuja uma amizade indestrutível. Vou estar ao lado dele, substituindo-o quando for necessário e mostrando que Mato Grosso do Sul não tem outro caminho. É o caminho de dar certo."
A decisão foi elogiada pelo governador Eduardo Riedel, que classificou o gesto como um exemplo de desprendimento político e afirmou que a atitude fortalece o projeto de reeleição da base aliada.
Colaboraram Naiara Camargo e Felipe Machado


