Política

Denúncia

STF formaliza ação penal que torna Eduardo Bolsonaro réu por obstrução na trama golpista

Relator do caso, o ministro Alexandre de Moraes conduz a ação enquanto Eduardo passa oficialmente à condição de réu

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O Supremo Tribunal Federal (STF) formalizou nesta quinta-feira, 19, a abertura de ação penal contra o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) pelos crimes de obstrução à Justiça e coação no curso do processo.

Relator do caso, o ministro Alexandre de Moraes conduz a ação. Com a decisão, Eduardo passa oficialmente à condição de réu.

A denúncia foi recebida por unanimidade pela Primeira Turma da Corte em novembro de 2025, no âmbito das investigações sobre a trama golpista. Ao aceitar a acusação, os ministros entenderam haver indícios suficientes para a abertura do processo.

A reportagem procurou Eduardo Bolsonaro para comentar a decisão, mas não houve retorno até a publicação deste texto.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou Eduardo e o blogueiro Paulo Figueiredo sob a acusação de articularem, nos Estados Unidos, a imposição de sanções contra ministros do STF. Segundo o procurador-geral da República, Paulo Gonet, a iniciativa buscava pressionar a Corte a não condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no processo da tentativa de golpe.

Bolsonaro foi sentenciado a 27 anos e três meses de prisão no caso. Para Gonet, ficou comprovado que Eduardo e Figueiredo se valeram de interlocutores ligados ao governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para "constranger a atuação jurisdicional" do Supremo.

Com a formalização da ação penal, o processo entra agora na fase de instrução, com produção de provas e depoimentos.

Possível extradição

Com a abertura de uma ação criminal, o STF tem a opção de pedir a extradição do deputado antes mesmo do julgamento de mérito das acusações.

A extradição pode ser solicitada não apenas para o cumprimento de pena, mas também para fins de instrução do processo. Os trâmites dependeriam, no entanto, da colaboração do governo Trump.

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Política

Flávio Bolsonaro viaja aos EUA e engorda agenda externa após ida a Oriente Médio e França

A equipe do senador não confirma o que ele deve fazer nem com quem deve se encontrar.

19/02/2026 21h00

Flávio Bolsonaro viaja aos EUA e engorda agenda externa

Flávio Bolsonaro viaja aos EUA e engorda agenda externa Divulgação

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Após passar o carnaval com a família no Rio de Janeiro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) viajou aos Estados Unidos nesta quinta-feira, 19. É a terceira ida ao exterior desde que se lançou como pré-candidato à Presidência da República.

Em janeiro e fevereiro, Flávio fez viagens ao Oriente Médio e à França, numa série de agendas para consolidar sua candidatura como sucessor do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A equipe do senador não confirma o que ele deve fazer nem com quem deve se encontrar. O comunicador Paulo Figueiredo deve acompanhá-lo nos próximos dias.

Nas demais vezes que pisou em território americano, Flávio esteve acompanhado do irmão Eduardo Bolsonaro, deputado federal cassado por faltas após se autoexilar nos Estados Unidos. Atualmente Eduardo mora no Texas.

Em 20 de janeiro, Flávio foi até Israel com um roteiro de acenos políticos e religiosos, montado por Eduardo. Um aliado disse ao Estadão naquela ocasião que o objetivo era reforçar os laços com a direita internacional.

A agenda, no entanto, serviu para que o senador passasse um verniz religioso à sua pré-candidatura. De cima de uma colina próxima ao Mar da Galileia, por exemplo, ele fez uma videochamada, depois publicada nas redes sociais, com parlamentares aliados - repleta de simbolismos.

"Estou aqui num lugar chamado Monte das Bem-Aventuranças. Foi aqui que Jesus Cristo fez seu primeiro discurso, e a partir daqui Ele começou sua peregrinação pelo mundo para levar esperança a todos. Então, queria pedir a todos aí (no Brasil) que fechassem os olhos para fazermos uma oração."

Depois, ele se banhou nas águas do rio Jordão, num gesto que o pai, católico, fizera dez anos atrás, em maio de 2016. Era parte da estratégia visando a eleição de 2018, da qual acabaria vencedor. O local é ponto de peregrinação para cristãos, especialmente evangélicos, por ser o lugar onde Jesus teria sido batizado por João Batista.

Flávio também passou pelo Bahrein, onde acompanhou uma corrida de cavalos a convite dos anfitriões do primeiro-ministro e príncipe herdeiro Sheikh Salman bin Hamad Al Khalifa, e pelos Emirados Árabes Unidos.

Na viagem que fez à França no mês seguinte, ele se encontrou com lideranças políticas, empresários e jornalistas conservadores numa tentativa de reforçar uma aliança global e convencer o mercado financeiro e descrentes na direita brasileira de que sua candidatura à Presidência da República é viável e influente, segundo seus aliados.

No roteiro de três dias houve encontros com lideranças políticas como Eric Zemmour (a nova cara da direita francesa), Marion Maréchal (neta de Jean-Marie Le Pen e sobrinha de Marine Le Pen, presidente do partido Reagrupamento Nacional) e François-Xavier Bellamy (vice-presidente do partido Os Republicanos).

A agenda também incluiu encontros com Thierry Mariani (ex-ministro e eurodeputado pelo Reagrupamento Nacional de Le Pen), Sarah Knafo (correligionária de Zemmour, aficionada por criptomoedas e fã de Elon Musk), uma das poucas políticas francesas convidadas para a posse de Donald Trump na Casa Branca, e Vicent Bolloré, magnata da mídia conservadora francesa

Quando voltar dos Estados Unidos, Flávio deve voltar a dar atenção à construção de sua candidatura. A pré-campanha foca hoje na construção de palanques estaduais para garantir apoio durante o período eleitoral.

Na sexta-feira da semana que vem, 27, o senador deve ir a São Paulo para ter um encontro com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) no Palácio dos Bandeirantes.

Há a previsão de que Flávio volte a Europa nos próximos meses para visitas a países como Polônia, Hungria, Portugal e Bélgica. Ele também planeja estar na posse do presidente eleito do Chile, José Antonio Kast, em março.

Investigação

CPMI do INSS vai cobrar explicação de Vorcaro sobre encontros com Toffoli

Os encontros ocorreram entre 2023 e 2024 e indicam, segundo os investigadores, uma relação de amizade entre os dois

19/02/2026 19h00

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A CPI do INSS cobrará explicações de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, sobre encontros presenciais que ele teve com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli e sobre a proximidade com o magistrado.

O relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), diz que exporá na apresentação que costuma fazer nas inquirições ao depoente reportagem do UOL que cita mais de dez ocasiões em que Vorcaro teria encontrado o ministro, que foi relator da investigação sobre o banco na Corte.

A reportagem diz que os encontros ocorreram entre 2023 e 2024 e indicam, segundo os investigadores, uma relação de amizade entre os dois. Esses encontros teriam ocorrido, em sua maioria, em eventos, jantares e festas em Brasília.

Vorcaro participará de sessão da CPI do INSS na próxima segunda-feira, 23. A data passou por sucessivas mudanças. A oitiva inicialmente seria feita no dia 5 de fevereiro, mas foi adiada após pedido da defesa do banqueiro.

Em nota publicada na semana passada, Toffoli disse que não tem "relação de amizade" com Vorcaro e afirmou que "jamais recebeu qualquer valor" pago pelo banqueiro, mas confirmou que é sócio e recebeu dividendos de uma empresa que fez negócios com um fundo de investimentos ligado a Vorcaro.

Também na semana passada, o Estadão mostrou que Vorcaro reclamou com um interlocutor por ter recebido cobranças para efetuar pagamentos em um resort ligado a Toffoli. Esse diálogo está presente em conversas extraídas pela Polícia Federal no celular do banqueiro.

A relação entre os dois deverá ser o principal ponto de pressão entre as inquirições dos parlamentares da oposição membros da CPI.

"Fica evidente que Toffoli faz parte do escândalo do Banco Master. Primeiro, escondeu que era sócio do Resort ligados aos fundos do Master. Segundo, disse que não conhecia bem nem era amigo de Vorcaro. Agora, temos a revelação de que ele não apenas conhecia vorcaro, mas era amigo a ponto de convidá-lo ao seu aniversário", afirma o deputado Kim Kataguiri (União-SP).

"Não é nenhum crime um ministro da Suprema Corte se encontrar com donos de banco, ser amigo de dono de banco. Não é nenhum crime. Errado foi ele não ter se declarado impedido no inquérito ou nas investigações", diz a senadora Damares Alves (Republicanos-DF). "O que falta a ele isenção de ânimos só por conta disso. Ele errou."

Damares faz parte do grupo de parlamentares que pressionam para que o Senado paute pedido de impeachment de Toffoli.

O pedido tem como base três itens da Lei de Impeachment. O texto diz que é crime de responsabilidade de ministros do Supremo "proferir julgamento, quando, por lei, seja suspeito na causa", "ser patentemente desidioso no cumprimento dos deveres do cargo" e "proceder de modo incompatível com a honra dignidade e decoro de suas funções".

Cabe ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a decisão de pautar ou não o pedido.

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