Política

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Flávio Bolsonaro viaja aos EUA e engorda agenda externa após ida a Oriente Médio e França

A equipe do senador não confirma o que ele deve fazer nem com quem deve se encontrar.

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Após passar o carnaval com a família no Rio de Janeiro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) viajou aos Estados Unidos nesta quinta-feira, 19. É a terceira ida ao exterior desde que se lançou como pré-candidato à Presidência da República.

Em janeiro e fevereiro, Flávio fez viagens ao Oriente Médio e à França, numa série de agendas para consolidar sua candidatura como sucessor do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A equipe do senador não confirma o que ele deve fazer nem com quem deve se encontrar. O comunicador Paulo Figueiredo deve acompanhá-lo nos próximos dias.

Nas demais vezes que pisou em território americano, Flávio esteve acompanhado do irmão Eduardo Bolsonaro, deputado federal cassado por faltas após se autoexilar nos Estados Unidos. Atualmente Eduardo mora no Texas.

Em 20 de janeiro, Flávio foi até Israel com um roteiro de acenos políticos e religiosos, montado por Eduardo. Um aliado disse ao Estadão naquela ocasião que o objetivo era reforçar os laços com a direita internacional.

A agenda, no entanto, serviu para que o senador passasse um verniz religioso à sua pré-candidatura. De cima de uma colina próxima ao Mar da Galileia, por exemplo, ele fez uma videochamada, depois publicada nas redes sociais, com parlamentares aliados - repleta de simbolismos.

"Estou aqui num lugar chamado Monte das Bem-Aventuranças. Foi aqui que Jesus Cristo fez seu primeiro discurso, e a partir daqui Ele começou sua peregrinação pelo mundo para levar esperança a todos. Então, queria pedir a todos aí (no Brasil) que fechassem os olhos para fazermos uma oração."

Depois, ele se banhou nas águas do rio Jordão, num gesto que o pai, católico, fizera dez anos atrás, em maio de 2016. Era parte da estratégia visando a eleição de 2018, da qual acabaria vencedor. O local é ponto de peregrinação para cristãos, especialmente evangélicos, por ser o lugar onde Jesus teria sido batizado por João Batista.

Flávio também passou pelo Bahrein, onde acompanhou uma corrida de cavalos a convite dos anfitriões do primeiro-ministro e príncipe herdeiro Sheikh Salman bin Hamad Al Khalifa, e pelos Emirados Árabes Unidos.

Na viagem que fez à França no mês seguinte, ele se encontrou com lideranças políticas, empresários e jornalistas conservadores numa tentativa de reforçar uma aliança global e convencer o mercado financeiro e descrentes na direita brasileira de que sua candidatura à Presidência da República é viável e influente, segundo seus aliados.

No roteiro de três dias houve encontros com lideranças políticas como Eric Zemmour (a nova cara da direita francesa), Marion Maréchal (neta de Jean-Marie Le Pen e sobrinha de Marine Le Pen, presidente do partido Reagrupamento Nacional) e François-Xavier Bellamy (vice-presidente do partido Os Republicanos).

A agenda também incluiu encontros com Thierry Mariani (ex-ministro e eurodeputado pelo Reagrupamento Nacional de Le Pen), Sarah Knafo (correligionária de Zemmour, aficionada por criptomoedas e fã de Elon Musk), uma das poucas políticas francesas convidadas para a posse de Donald Trump na Casa Branca, e Vicent Bolloré, magnata da mídia conservadora francesa

Quando voltar dos Estados Unidos, Flávio deve voltar a dar atenção à construção de sua candidatura. A pré-campanha foca hoje na construção de palanques estaduais para garantir apoio durante o período eleitoral.

Na sexta-feira da semana que vem, 27, o senador deve ir a São Paulo para ter um encontro com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) no Palácio dos Bandeirantes.

Há a previsão de que Flávio volte a Europa nos próximos meses para visitas a países como Polônia, Hungria, Portugal e Bélgica. Ele também planeja estar na posse do presidente eleito do Chile, José Antonio Kast, em março.

Campo Grande

Impasse entre a família Lopes e o PP trava escolha na Sisep, investigada por corrupção

Operação Buraco Sem Fim aprofundou crise política envolvendo a Secretaria de Infraestrutura de Campo Grande, travou nomeação de novo titular e expôs disputa entre a família Lopes e o Partido Progressista pelo comando da Pasta

25/05/2026 08h00

Paulo Eduardo Cançado Soares foi anunciado como titular da Sisep, mas não oficializado

Paulo Eduardo Cançado Soares foi anunciado como titular da Sisep, mas não oficializado Foto: Marcelo Victor / Correio do Estado

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Um impasse político está travando a nomeação de um novo secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), apurou o Correio do Estado.

A Pasta de Campo Grande está sem comando desde o dia 1º de abril, data em que o ex-titular Marcelo Miglioli deixou a função para dedicar-se a uma atividade que ainda será determinada por seu partido, o PP, nas eleições deste ano.

O impasse para a nomeação do novo titular da Sisep, aliás, passa pelo próprio Partido Progressista, que é comandado no Estado pela senadora Tereza Cristina e que ocupa cargos importantes, como a própria Prefeitura de Campo Grande, com Adriane Lopes, e também o governo do Estado, com Eduardo Riedel.

O partido seria o “dono da secretaria”, e a escolha do próximo secretário deve ser chancelada pelo comando do PP.

A demora deve-se à Operação Buraco Sem Fim, desencadeada no dia 13 deste mês, que escancarou um esquema de corrupção envolvendo a secretaria.

No dia 30 de abril, o número 2 de Miglioli, Paulo Eduardo Cançado Soares, havia sido anunciado como o novo titular da Sisep.

Houve cerimônia, entrevista e anúncio oficial. Mas ele aguarda até hoje pela nomeação, e essa espera ficou ainda mais longa com a deflagração da Operação Buraco Sem Fim, do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).

Corrupção

A Sisep está no cerne desta operação, que apura desvios de recursos públicos por meio de pagamentos por buracos que nunca foram tampados, em contratos de R$ 113 milhões entre o município de Campo Grande e a Construtora Rial.

A operação do grupo de combate à corrupção do MPMS abalou parte das estruturas da Sisep, secretaria que politicamente está vinculada ao PP.

O efeito da operação está posto: Rudi Fioresi, que foi secretário de Infraestrutura e Serviços Públicos nas gestões de Marquinhos Trad (PV) e Adriane Lopes (PP), e que deixou a prefeitura em 2023, próximo ao período da deflagração de outra operação do Gecoc que apura corrupção nos serviços públicos (a Cascalhos de Areia), está preso preventivamente desde a data da operação. Quando foi preso, já tinha emprego no governo de Mato Grosso do Sul: era diretor da Agência Estadual de Empreendimentos (Agesul) desde 2023, quando já era investigado por corrupção (hoje é réu por improbidade).

Neste mês, Rudi Fioresi foi flagrado com R$ 183 mil em dinheiro vivo dentro de casa ao ser preso.

Os donos da Construtora Rial, pivô do escândalo, Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa e o filho, Antônio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa, também continuam presos.

Os aditivos de Cançado

Cançado Soares talvez possa cansar de esperar, porque, dentro da prefeitura, há quem já tenha contado o volume de aditivos e assinaturas de contratos envolvendo ele e a Construtora Rial.

Foram, ao todo, nove assinaturas: nove aditivos contratuais (inclusive nos contratos já investigados) e três novos contratos com a construtora cujos donos estão presos preventivamente por suspeita de peculato e corrupção.

Nos bastidores da prefeitura, o Correio do Estado apurou que a demora em indicar um novo ocupante para a Sisep ocorre porque ainda não há acordo entre o marido de Adriane Lopes, o deputado estadual Lidio Lopes (Avante), e o PP, partido da senadora Tereza Cristina.

A Pasta seria da cota do Partido Progressista, e os possíveis danos causados pela operação – o Ministério Público está com os telefones celulares dos donos da Rial e de Rudi Fioresi – ainda estão sendo estudados.

* Saiba

Investigação continua

O Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) ainda investiga os contratos da Sisep. Os celulares do ex-diretor da Agesul Rudi Fioresi e dos donos da Rial (todos presos) estão com os investigadores. 

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Banco Master

Crise do Master foi ligada indevidamente ao STF, mas é sistêmica, diz Gilmar Mendes a jornal

O caso ganhou repercussão no STF após revelações sobre ligações dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro

24/05/2026 21h00

Banco Master teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025

Banco Master teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025 Divulgação: MPC-MS

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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, afirmou que o escândalo do Banco Master foi associado de forma indevida à Corte e defendeu que a crise é "sistêmica", não restrita ao Judiciário.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, Gilmar citou falhas de fiscalização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e do Banco Central (BC)e afirmou: "A crise do Master não está na Praça dos Três Poderes, está na Faria Lima".

O caso ganhou repercussão no STF após revelações sobre ligações dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Gilmar disse não querer "isentar de responsabilidade quem tem", mas ressaltou que eventuais relações dos magistrados com Vorcaro "certamente estão sendo investigadas" pelas autoridades competentes.

O decano da Corte também criticou a condução da crise institucional no STF e disse que a proposta de código de ética apresentada pelo presidente, Edson Fachin, gerou desconforto interno por ter surgido em um momento de vulnerabilidade de colegas. Apesar disso, negou divisão no Supremo e afirmou que quem lidera o tribunal precisa buscar unidade.

Sobre o inquérito das fake news, o magistrado defendeu sua continuidade diante do ambiente de radicalização política e do acirramento eleitoral de 2026. Para Gilmar, o cenário atual justifica a manutenção da investigação, citando episódios recentes de ataques a ministros e autoridades.

Na avaliação de Gilmar, a rejeição do advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias, ao STF ocorreu por razões "puramente políticas", sem relação com sua qualificação.

Gilmar afirmou que houve falha de articulação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o Congresso, destacando que a gestão enfrenta dificuldades por ser minoritária no Legislativo.

O ministro também rebateu críticas ao Fórum de Lisboa, conhecido como "Gilmarpalooza", dizendo que o evento não controla quem participa ou eventuais investigações envolvendo convidados.

Sobre transparência no Judiciário, afirmou não se opor a discutir divulgação de rendimentos com palestras, mas ponderou que mudanças devem respeitar consensos e diferenças institucionais em relação a modelos estrangeiros.

Em relação aos chamados "penduricalhos" do Judiciário, Gilmar defendeu uma plataforma nacional unificada para a folha salarial, na qual qualquer benefício extra precise de autorização, como forma de ampliar controle e transparência.

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