Brasil

CREMAÇÃO

Corpos dos cinco Mamonas Assassinas serão exumados quase 30 anos após acidente

A decisão foi tomada pelas famílias dos músicos, que entraram em acordo para cremar os corpos e transformá-los em adubo

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Na segunda-feira, 23, os corpos dos cinco Mamonas Assassinas serão exumados, após quase 30 anos do acidente aéreo que acabou com a banda de "rock cômico" que fazia sucesso no país.

A decisão foi tomada pelas famílias dos músicos, que entraram em acordo para cremar os corpos e transformá-los em adubo para plantar cinco árvores no BioParque Cemitério de Guarulhos, a cidade onde moravam, segundo informou o colunista Ancelmo Gois, do jornal O Globo.

O Estadão tentou contato com o cemitério, mas não obteve retorno até a publicação deste texto. O espaço segue aberto.

Banda fenômeno nos anos 1990, os Mamonas Assassinas ficaram conhecidos por suas letras debochadas como Brasília amarela, Sabão Crá-Crá e Pelados em Santos.

O primeiro e único disco, com o nome da banda, havia sido lançado em junho de 1995 e, nos oito meses seguintes, teve 1,8 milhão de cópias vendidas (no total até hoje, foram 3 milhões de cópias, o terceiro maior êxito comercial entre artistas nacionais em todos os tempos).

No dia 2 de março de 1996, os músicos Dinho, Bento Hinoto, Samuel Reoli, Júlio Rasec e Sérgio Reoli voltavam de um show em Brasília num jatinho Learjet modelo 25D, prefixo PT-LSD, fretado pela banda.

A aeronave se chocou na Serra da Cantareira, ao Norte de São Paulo, numa tentativa de arremetida. Além dos cinco integrantes da banda, o acidente matou o piloto Jorge Luiz Germano Martins, o co-piloto Alberto Takeda, o ajudante de palco Isaac Souto e o segurança Sérgio Porto.

O velório do grupo foi realizado no Ginásio Municipal Paschoal Thomeu, em Guarulhos e reuniu cerca de 30 mil pessoas, enquanto mais de cem mil acompanharam o cortejo até o cemitério Parque das Primaveras.

Dentro do cemitério, cerca de 500 pessoas, acompanharam o enterro. Os cinco integrantes dos Mamonas foram colocados, junto com Isaac Souto, num mesmo túmulo. A cerimônia teve pouco mais de 40 minutos e incluiu um "Parabéns a você", em homenagem a Dinho, que, naquele dia 4 de março de 1996, completaria 25 anos de idade.

auge da carreira

Bad Bunny faz em SP show histórico que Brasil sempre mereceu

Estádio do Palmeiras estava lotado por um público de diversos países que acompanhou o show de duas horas e meia

21/02/2026 07h17

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Bad Bunny - ou Benito Ocasio, para os mais íntimos - começou seu primeiro show no Brasil nesta sexta, 20, cercado pelo público no Allianz Parque, em São Paulo. Literalmente cercado por pessoas de todas as partes da América. Havia porto-riquenhos, venezuelanos e até filhos de imigrantes que vivem nos Estados Unidos.

E, claro, brasileiros - tidos como os fãs mais apaixonados do mundo. Benito entregou uma estrutura completa, no auge da sua carreira, em um show histórico que o Brasil sempre mereceu assistir.

Um vídeo de dois jovens brasileiros anunciou sua chegada. Do escuro, Benito apareceu. Visivelmente emocionado com o estádio lotado, foi ovacionado por minutos. Na verdade, pelas duas horas e meia de show.

E o cantor não escondia sua admiração pelo carinho que recebeu do público brasileiro. Cruzando a nossa fronteira, ele percebeu que sua missão foi cumprida. "Eu não sabia o que esperar. Não sabia que teria tanta gente linda", disse em certo momento do primeiro ato.

"Um abraço para mamãe e papai, porque eles arrasaram" foi a primeira frase de Bad Bunny em um palco no Brasil. Era a chave para La Mudanza, a última faixa do álbum que o consagrou como o artista mais importante da atualidade, Debí Tirar Más Fotos.

Benito tem uma característica raríssima em seus shows da Debí Tirar Más Fotos World Tour: há ingressos para pits bem ao seu lado e para uma arquibancada posicionada atrás do palco, chamada de Los Vecinos, além das categorias comuns. E há La Casita, em que o cantor vai literalmente para o meio da pista.

Foi assim, sem medo de um contato intenso com os fãs, que Bad Bunny aproveitou cada momento no palco. Não teve pressa de terminar nenhuma música e deixou seus músicos, excelentes como ele, brilharem. Logo no começo, um deles tocou Garota de Ipanema em um violão de doze cordas.

Benito voltou a se emocionar após cantar Weltita com a banda porto-riquenha Chuwi: "Eu estou muito feliz. Realizei meu sonho de visitar o Brasil. Muito obrigado por isso", disse, agora em português mesmo.

A maioria dos artistas segue um roteiro de provocar uma catarse apenas no final do show. Não é a regra de Bad Bunny. O cantor distribuiu diversas catarses ao longo da apresentação. A primeira delas com a ótima Baile Inolvidable.

O Allianz Parque se transformou em um verdadeiro baile, com desconhecidos dançando juntos, igualzinho ao clipe da música. E Benito ainda emendou com uma sequência irresistível com Nuevayol, em que foi acompanhado por dançarinos.

No caminho do cantor para a Casita, o sapo concho, seu grande símbolo, apareceu no telão e fez uma brincadeira em português com o público. Disse ter comido feijoada, pão de queijo, churrasco e até parmegiana de carne.

Na Casita, um dos momentos mais aguardados do show e o mais dançante, Bad Bunny fez o chão tremer com Tití Me Preguntó. Esteve acompanhado de sortudos previamente escolhidos que deram o toque brasileiro com movimentos de funk, assim como os dançarinos.

Benito desceu do palco e levou longos minutos para escolher um fã para gritar a introdução de Voy a Llevarte a PR. A comemoração do estádio foi tanta que era como se o fã finalmente gritasse tudo o que o público brasileiro desejou agradecer ao porto-riquenho.

"Só por essa noite, nós somos brasileiros e vocês são porto-riquenhos", prometeu o cantor. O momento ainda contou com uma música exclusiva para o Brasil, Vete, e sua banda tocando e cantando Mas, Que Nada, de Jorge Ben Jor, enquanto Bad Bunny retornava ao palco principal.

De volta, Benito apareceu mais romântico com uma sequência de Ojitos Lindos e La Canción. Mais político, cantou El Apagón: "Agora todos querem ser latinos, mas lhes falta tempero".

A maior catarse, claro, foi o final com DtMF. "Aproveitem a vida, o presente e o máximo que puderem", disse no meio da música, antes de pedir para que todos guardassem o celular. O pedido não foi completamente atendido, mas rendeu um momento bonito de todos pulando em conjunto.

Não foi com saudosismo, porém, que Bad Bunny se despediu da primeira noite em São Paulo. Foi com a energia de EoO e uma chuva de fogos nos quatro cantos do Allianz Parque.

Essa era a estrutura completa de uma turnê que ficou um mês em Porto Rico e não teve datas marcadas nos Estados Unidos. Os brasileiros já se acostumaram a receber shows simplórios, com apenas jogos de luzes e efeitos pirotécnicos. E há até artistas que citam uma dificuldade de trazer recursos de sua turnê para cá. Benito, porém, provou que é possível construir uma casa para o Brasil.

Se ele hoje está no centro do mundo, o Brasil tem motivos para continuar o baile inesquecível que entregou na noite de sexta por muito tempo. Ele se apresenta novamente no Allianz Parque neste sábado, 21. Os ingressos estão esgotados.

sigilo

Filho de Fux é o 3º parente de ministro do STF com dados fiscais violados

Quatro servidores da Receita foram alvos de investigação da PF e suspeita é de que os dados de cerca de 100 pessoas tenham sido violados

20/02/2026 07h29

Suspeitas de que dados fiscais do advogado Rodrigo Fux foram violados surgiu durane investigações do caso Master

Suspeitas de que dados fiscais do advogado Rodrigo Fux foram violados surgiu durane investigações do caso Master

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O advogado Rodrigo Fux, filho do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux, teve informações fiscais sigilosas acessadas de forma ilegal pela Receita Federal. Além dele, até agora a mulher do ministro Alexandre de Moraes, a advogada Viviane Barci de Moraes, e uma ex-enteada do decano Gilmar Mendes também tiveram dados consultados irregularmente. Um dos servidores investigados no caso, Ricardo Mansano de Moraes foi demitido nesta quinta-feira, 19.

A nova descoberta foi feita a partir da ordem de Moraes para a Receita rastrear seus sistemas e descobrir a origem de eventuais vazamentos de dados sigilosos de ministros do Supremo e parentes deles. A apuração está sob sigilo e foi inserida no inquérito das fake news, aberto em 2019 para investigar ataques a integrantes do tribunal.

O resultado parcial do rastreamento foi confirmado pelo Estadão com fontes que tiveram acesso à investigação. O caso do filho de Fux foi divulgado inicialmente pelo Metrópoles. Ainda segundo essas fontes, foram acessados de forma ilegal dados de cerca de cem pessoas. Procurado, o STF não se manifestou sobre as novas revelações do caso.

De acordo com o Supremo, quatro servidores foram alvo de busca e apreensão durante a operação da Polícia Federal aberta na terça-feira, 17. Além de Ricardo Mansano, são investigados Luiz Antônio Martins Nunes, Luciano Pery Santos Nascimento e Ruth Machado dos Santos.

Restrições

Todos eles foram proibidos de exercer função pública e de ingressar nas dependências do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) e da Receita. Também estão impedidos de acessar as bases de dados dos dois órgãos. Os suspeitos tiveram ainda os passaportes retidos.

Parte do STF está incomodada com a ordem de rastreamento nos sistemas da Receita. Segundo ministros aliados a Edson Fachin, presidente da Corte, essa determinação deveria ter partido do comando do tribunal, e não de Moraes.

Demitido pela Receita, o auditor fiscal Ricardo Mansano é suspeito de ter acessado indevidamente os dados fiscais de uma ex-enteada de Gilmar Mendes. A exoneração foi publicada no Diário Oficial de ontem. Ele exercia a função de substituto eventual do chefe da equipe de Gestão do Crédito Tributário e do Direito Creditório da Delegacia da Receita em Presidente Prudente (SP).

Como mostrou o Estadão, ele admitiu aos investigadores que acessou os dados por "acidente", ao acreditar se tratar de outra pessoa. Ele foi submetido ao uso de tornozeleira eletrônica. Em janeiro, provocada por Moraes, a Corregedoria da Receita pediu esclarecimentos a Mansano sobre a tentativa de acesso a dados confidenciais. Ele apresentou sua versão. "Fiz burrada", afirmou.

Em nota, a defesa de Mansano negou o envolvimento do servidor em irregularidades. "A defesa reafirma a idoneidade do servidor, profissional de reputação ilibada, que, ao longo de anos de atuação junto à Receita Federal, jamais respondeu a qualquer falta funcional", afirmaram as advogadas Marianna Chiabrando e Camilla Chiabrando.

Em outro desdobramento do novo inquérito no Supremo, a PF intimou o presidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Unafisco), Kléber Cabral, para prestar esclarecimentos. Em declarações à imprensa, Cabral afirmou que o STF usa a Receita para tirar o foco da crise do Banco Master e do banqueiro Daniel Vorcaro (mais informações nesta página).

As suspeitas de que dados sigilosos de ministros e seus familiares foram vazados surgiu após a Operação Compliance Zero, que investiga o Master. Em dezembro, foi revelado um contrato firmado pela mulher de Moraes para atuar na defesa dos interesses do Master e de Vorcaro no Banco Central, na Receita e no Congresso.

Guarujá

Também investigada no inquérito que apura os vazamentos de dados de ministros do STF e de parentes dos magistrados, a agente administrativa da Receita Ruth Machado dos Santos teria acessado os dados fiscais da mulher de Moraes em 21 de agosto de 2025, nas dependências da unidade do Fisco no Guarujá, no litoral paulista.

A servidora nega. Em nota, a defesa afirmou que ela "não possui qualquer vínculo político-partidário" e "não concorreu para infração penal".

Segundo investigadores da PF a par do depoimento de Ruth, ela afirmou que o suposto acesso aos dados de Viviane teria ocorrido enquanto ela realizava um atendimento na Receita no Guarujá. Aos investigadores, Ruth, que havia retornado de férias em 5 de agosto, duas semanas antes da data do registro do acesso, disse não saber se suas credenciais funcionais podem ter sido utilizadas por outro servidor. Ela afirmou que nunca compartilhou senhas ou tokens institucionais com terceiros.

Celulares

Em 40 minutos de depoimento, a servidora, que está de tornozeleira eletrônica, afirmou que poderá provar que estava em atendimento no momento do acesso assim que tiver seu celular entregue pelos investigadores após a perícia. Na casa de Ruth foram apreendidos dois celulares que estão com a PF.

A defesa da servidora, conduzida pelo advogado Diego Soares de Oliveira Scarpa, afirmou que Ruth "jamais respondeu a qualquer procedimento disciplinar, sindicância ou investigação, mantendo reputação ilibada e reconhecida" pelos colegas. Ela é técnica do Seguro Social desde 1994.

Em nota, a Receita reconheceu que dados foram acessados indevidamente e disse que as investigações estão sendo aprofundadas. "Os sistemas da Receita são totalmente rastreáveis, de modo que qualquer desvio é detectável, auditável e punível, inclusive na esfera criminal."

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