Da redação
O conflito do governo de Cristina Kirchner com os ruralistas está provocando um inédito "engarrafamento" no rio da Prata. Mais de 90 navios de carga estão paralisados e esperam autorização para atracar nos portos de Buenos Aires e Rosário. Eles devem ser carregados com produtos agrícolas. No entanto, os cereais e as oleagionosas, por enquanto, estão retidos pelo bloqueio ruralista. A paralisação de quase uma centena de navios provoca em média uma prejuízo de US$ 5 milhões diários.
Enquanto isso, o desabastecimento de alimentos assola os comércios nas principais cidades da Argentina, já que as rodovias estão bloqueadas por piquetes de ruralistas e caminhoneiros (estes, por seu lado, fazem piquetes contra os agricultores, o que gera o "duplo piquete" rodoviário). Segundo Juan Calos Vasco, diretor-executivo da Associação de Supermercados, a cidade de Buenos Aires e sua região metropolitana (onde reside mais de um terço da população argentina) a escassez de alimentos nas gôndolas se agravará a partir de terça-feira, dia 17.
O conflito, que arrasta-se há três meses, gera graves incertezas sobre o futuro da economia e leva os argentinos a um consumo mais precavido. Pela primeira vez desde o fim da crise de 2001-2002, uma data comemorativa apresenta queda nas vendas. Esse foi o caso do Dia dos Pais, celebrado neste domingo (15) na Argentina, que registrou uma queda de 10% em suas vendas em relação a 2007.
A desconfiança sobre a estabilidade do país também alastra-se no exterior. Os piquetes nas estradas, manifestações e choques violentos entre grupos rivais levaram as embaixadas dos EUA, Grã-Bretanha ou Canadá alertam em seus sites na internet sobre os riscos de trafegar pela Argentina.(informações do Estadão)
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