Da Redação
?Mulher adora bandido. Nossa Senhora... fica até mais bonito. Fica lindo, poderoso... Tem um cargo. As meninas da favela não têm condições de bancar Gang, PXC [roupas de marca]... Bandido pode?. A declaração é de uma carioca de 17 anos e consta do relatório ?Por trás do Silêncio: Experiência de Mulheres com a Violência Urbana no Brasil?, divulgado pela Anistia Internacional.
O relato da garota dá uma idéia da complexa relação entre as mulheres e o tráfico de drogas, que leva a cada ano mais mulheres às prisões. Elas não são atraídas apenas por dinheiro, mas por status. Prestígio que tem preço alto. Nas mãos de bandidos, passam a ser troféus ou moeda de troca. A informação é do relator da Anistia Internacional para o Brasil, Tim Cahill.
Em entrevista à Agência Brasil, ele analisou como a criminalidade se apresenta como alternativa de sobrevivência em lugares socialmente excluídos. Cahill, que visitou periferias de seis cidades brasileiras para composição do relatório, constatou que muitas mulheres optam pelo crime para sustentar a família e ficar perto dos filhos. Outras, porém, buscam status e acesso a bens materiais.
Com informações da Agência Brasil