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Bertin quer mais que dobrar faturamento em cinco anos

Bertin quer mais que dobrar faturamento em cinco anos

Redação

15/03/2009 - 19h45
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        Da redação

         Em meio à crise de crédito que derrubou os preços de commodities agropecuárias e já levou sete frigoríficos à recuperação judicial, a Bertin S/A, uma maiores produtoras e exportadoras de carne bovina e produtos lácteos da América Latina, traça um plano ambicioso para os próximos cinco anos. A empresa quer mais do que dobrar seu faturamento, que ficou, no ano passado, em R$ 7,5 bilhões.
        "Em cinco anos seremos uma empresa com receitas de R$ 19 bilhões", diz Fernando Falco, diretor executivo da Vigor, empresa de lácteos comprada pela Bertin no final de 2007.
        Para concretizar esse plano, a companhia pretende investir R$ 3,1 bilhões no período. Será o maior aporte de capital recebido pela empresa em 30 anos de atividade, observa o executivo.Parte dos investimentos virá de recursos do próprio grupo. O restante virá de outras fontes tradicionais de financiamento, como o BNDES. O banco já é sócio da empresa, com uma participação de 27%. O restante está nas mãos da família Bertin.
        "É um plano bastante ousado", avalia José Vicente Ferraz, diretor da consultoria AgraFNP, especializada em agronegócio. Para torná-lo viável, ele acredita que a companhia trabalhe com um cenário no qual a crise financeira internacional termine, no máximo, em 2010. "O plano é factível, mas desde que os preços das commodities se recuperem", observa o consultor, lembrando que o cenário mundial antes da crise era de escassez de alimentos.
        Com capacidade instalada de abate de 14 mil bovinos por dia em 13 abatedouros e 13 unidades de processamento, o grupo já tem praticamente finalizadas obras de expansão que elevarão essa capacidade para 19 mil cabeças por dia. De acordo com o diretor executivo da área de carnes do grupo, Evandro Miessi, o Bertin opera hoje com cerca de 85% da capacidade instalada - ou seja, vem abatendo cerca de 12 mil cabeças por dia.
        Segundo o executivo, o grupo vem conseguindo atravessar sem grandes sobressaltos a crise que se abateu sobre o setor. Prova disso seria o crescimento de 27,1% da receita no ano passado em relação a 2007. Mais do que isso, a empresa ampliou sua receita em 44% no quarto trimestre "Ocupamos o mercado deixado pelos concorrentes", diz Miessi.
        Os executivos afirmam também que o grupo está capitalizado, o que dá mais tranquilidade para a operação. Parte dessa capitalização foi garantida pelo BNDES. A última parcela do aporte de R$ 2,5 bilhões que deu ao banco 27% do capital da empresa entrou no caixa da Bertin em dezembro - foram R$ 700 milhões. A família controladora também fez um aporte de R$ 200 milhões em dezembro, reforçando o caixa do grupo.
        Para Miessi, o fato de o grupo estar conseguindo crescer mesmo em meio à crise se explica pela grande reestruturação que vem sendo feita desde 2005. "A crise no setor de carnes não começou agora. O início foi em 2005, quando foram descobertos casos de febre aftosa em Mato Grosso do Sul e vários países fecharam as portas para a carne brasileira", diz.
        Naquela época, o Bertin exportava cerca de 80% de sua produção. Decidiu mudar de estratégia e buscar o equilíbrio entre o mercado externo e interno - no ano passado, 50% da receita já veio do mercado interno. Buscou também diversificar o máximo possível os destinos das exportações, como forma de minimizar riscos.
        Na nova estratégia da empresa para os próximos anos há também um plano para valorizar, no mercado interno, a carne produzida pela empresa. Pesquisa feita pelo grupo no ano passado mostrou que o consumidor entende pouco de carne - a dona de casa, por exemplo, raramente sabe qual o corte de carne mais adequado para o prato que pretende cozinhar.
        No mês que vem, a empresa inicia uma campanha cujo objetivo será ensinar o consumidor a comprar carne. "Queremos capacitar o consumidor para que ele reconheça a nossa marca de carne e, com isso, escaparmos da ?commoditização?", diz Miessi. (informações da Agência Estado)

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